quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Erradicação da pobreza extrema: de mito a compromisso!




Por Maria José Cotrim

Ayê Companheiros!

A presidente eleita Dilma Rousseff (PT) já começou os trabalhos de transição de governo e os membros da comissão, conforme informado por veículos de comunicação, já começaram a discutir com especialistas as alternativas e programas para erradicação da pobreza.

Não foi o fato de ser mulher o que mais incomodou a postura da presidente eleita na campanha. Mas sim seu discurso com foco na erradicação da pobreza. Para muitos, a intenção clara era ganhar os votinhos dos “miseráveis” como alguns hipócritas chamam aqueles que ainda vivem em condições subumanas em vários contos do país.

Dilma elencou como prioridade erradicar a pobreza extrema até 2014.Mito? Acontece que ao contrário do que muitas promessas, essa os brasileiros já notaram que está em andamento desde 2002.

E não foram só os eleitores que notaram isso, a oposição de Lula e Dilma também, afinal criticaram tanto programas como Bolsa família mas na campanha estavam lá prometendo que tal política social não iria ser extinta caso José Serra (PSDB) ganhasse.

Não é só o crescimento da classe média brasileira que demonstra a erradicação da pobreza. O nordeste, que foi avo de muitas críticas na campanha, sabe bem que erradicar a pobreza não é um mito.

Quem antes passava o dia sem comer pode fazer ao menos uma refeição por dia. Mas além do reajuste no valor do Bolsa família, Dilma deve lançar outros programas com foco na erradicação da pobreza.

O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, economistas, representantes da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação e outros envolvidos nesta questão já começam a traçar as estratégias para a meta audaciosa de Dilma.
O Brasil dos sonhos de muita gente já começa a ser construído. Mito mesmo é acreditar que a sina do pobre é morrer pobre nesse país.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Tocantins perde a Rainha do Capim Dourado. Adeus, Dona Miúda!



Por Maria José Cotrim

A artesã e ícone do Capim Dourado no Estado, Guilhermina Ribeiro da Silva, conhecida por Dona Miúda, do Povoado Quilombola do Mumbuca faleceu nesta quinta-feira, 11 no Hospital Geral de Palmas.

O motivo, segundo informou o filho de Dona Miuda e vereador no município de Mateiros, Vilene Ribeiro (PSB) foi uma parada cardíaca antes de uma cirurgia para retirada de um tumor no fígado.

Dona Miuda passou mal na comunidade e foi levada para o Hospital de Porto Nacional quando ocorreu a descoberta do tumor. A cirurgia, segundo o filho, foi marcada sem demoras e estava marcada para as 8 horas da manhã de hoje.

A artesã foi homenageada ano passado como uma das 21 mulheres da História do Tocantins através de votação feita no Semanário O Jornal.

O sepultamento de Dona Miuda será no povoado Mumbuca onde ela nasceu e se criou.

Legado


Dona Miuda é conhecida até internacionalmente pelo seu trabalho precursor com o Capim Dourado e ainda pelo seu engajamento na questão quilombola. “ Foi uma mulher que brilhou no artesanato no Brasil e no Tocantins, foi uma guerreira que lutou muito sem apoio de ninguém”, frisou o filho emocionado.

O legado de Dona Miúda vai além do capim Dourado porque foi pautado numa luta incessante em prol de melhorias de vida para o povoado do Mumbuca.

Além das homengens, fica a história de vida e exemplo de luta da rainha do Capim Dourado.

Adeus, Dona Miúda!

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Vem aí o Site Negro em Debate!



Ayê companheiros e companheiras!

Nosso Blog está sendo ampliado e daqui a exatamente 15 dias estará no ar o www.negroemdebate.com.br.

Estou na expectativa para o lançamento de mais um dos poucos veículos de comunicação que tratarão da temática étnico-racial em nosso país e no Tocantins.

No novo espaço serão publicadas além de notícias várias histórias que se cruzam por esse Brasil afora além da programação de todos os eventos que acontecem com foco na temática.

Na coluna "Debatendo" assinada por mim, discutiremos os assuntos que estão no caminho da Igualdade Racial em nosso país.

Para minha carreira profissional um desafio de fazer um veículo com espaço para os movimentos socias, órgaos governamentais além das notícias envolvendo vários assuntos.

Contagem regressiva! Conto com vocês!

sábado, 23 de outubro de 2010

A fúria do presidente do STJ escancara as vísceras do preconceito camuflado




Por Maria José Cotrim

Nesta semana um ato desmedido e sem noção por parte do presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Ari Pargendler nos traz uma reflexão em torno da temática da igualdade Racial.

O que esperar de um senhor que tem um cargo tão importante mas tão destemperado emocionalmente? O estudante Marco Paulo dos Santos, 24 anos, foi demitido na fila de um caixa eletrônico pelo “senhor da Justiça”.Marco estava aguardando e foi surpreendido pela reação do senhor ministro.

Usou a autoridade à frente do STJ e foi categórico: “Sou Ari Pargendler, presidente do STJ, e você está demitido, está fora daqui”. Motivos? Ele estava irritado o bastante e precisava descontar em alguém.

O mais interessante dessa história é que caberá ao Supremo Tribunal Federal analisar esse caso de “violência gratuita” como denominou Fabiane, uma das testemunhas do episódio lamentável já que a polícia civil não tem competência para tratar do assunto. Pargendler tem foro provilegiado porque é ministro mas terá que se explicar sobre a acusação de “injúria real”.

A carta de dispensa do estudante de administração em questão estava em cima da mesa do chefe do setor onde ele trabalhava uma hora depois do fato ocorrido.

O que chama atenção além da atitude do “senhor da justiça” foi a postura de Marcos que é filho de mãe brasileira e pai africano. O caso tomou dimensões a partir do momento que o estagiário registrou um Boletim de ocorrência relatando o fato.

O caso expõe as vísceras do preconceito velado ainda em tempos de reparação social em nosso país. Alguns veículos pautaram o assunto que com certeza traz impacto com relação à postura do presidente em questão.

"Ele [Ari Pargendler] ficou olhando para o lado e para o outro e começou a gritar com o rapaz. Avançou sobre ele e puxou várias vezes o crachá que ele carregava no pescoço. E disse: "Você já era! Você já era! Você já era!”, foi o que disse uma testemunha ao Blog do Noblat ao relatar o fato.

A "overdose de hegemonia" ocorreu dentro no STJ mas já ganhou repercussão popular e inclusive nas várias entidades de movimento. Vamos aguardar a explicação do “senhor da justiça”...

Se nem as principais autoridades desse país têm noções mínimas e básicas de respeito veja lá grande parte da população.

E aos que andam gritando aos quatro ventos que não existe preconceito: expor qualquer pessoa não importa o cargo ou grau de instrução à situação de constrangimento como o acontecido é sim discriminação. Merece sim punição com certeza.A punição é um dos pilares para a luta da Igualdade Racial em nosso país.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Sem cotas, Estatuto da Igualdade Racial passa a valer depois desta quarta



Após tramitar sete anos no Congresso Nacional, o Estatuto da Igualdade Racial – Lei 12.288, que foi aprovado pelo Senado Federal em 16 de junho deste ano e sancionado pelo presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, em 20 de julho de 2010, começa a vigorar a partir desta quarta, noventa dias após sua sanção.

O texto prevê garantias e o estabelecimento de políticas públicas de valorização aos negros. O documento possui 65 artigos referentes a temas como educação, cultura, esporte, lazer, saúde e trabalho, além de defender os direitos das comunidades quilombolas e proteger religiões de tradição africana.

Segundo a secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, o objetivo do Estatuto é corrigir desigualdades históricas no que se refere às oportunidades e aos direitos dos descendentes de escravos do país.

Sem Cotas

Um dos artigos eliminados pelos senadores previa cotas para negros nas universidades federais e escolas técnicas públicas.

Para o ministro da Seppir - Secretaria de Políticas de Promoção de Igualdade Racial, Eloi Ferreira de Araújo, disse que partes da Lei da Igualdade Racial ainda precisam ser regulamentadas. A regulamentação pode voltar a criar cotas para estudantes negros nas universidades. Atualmente, as universidades têm regras especiais para o acesso de pessoas negras.

Leis e Decretos ainda devem regulamentar outros itens do estatuto, como financiamento agrícola específico, ações de ocupação de espaço no mercado de trabalho, concessão de cargos em comissão e criação de ouvidorias

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

A falta de diálogo "proposital" dos movimentos com Siqueira...



Por Maria José Cotrim

O ex-governador Siqueira Campos (PSDB) venceu as eleições no Tocantins, ao contrário do que esperava os movimentos sociais do Estado. Como já disse aqui nesse espaço, as principais lideranças dos movimentos não buscaram um diálogo com o candidato do PSDB.
Se a abertura não foi buscada da parte de Siqueira, da parte dos movimentos nem sequer houve tentativas.

Criaram logo o movimento negro acelerado e apoiaram o governador Carlos Henrique Gaguim (PMDB).
Isso é que questiono! Como que entidades que precisam indispensavelmente da parceria com o governo não fazer o dever de casa?Falta com certeza amadurecimento para dialogar com os candidatos.

O período de campanha existe é para que os candidatos mobilizem e recebam as manifestações de apoio. Nem uma carta de compromisso com as principais demandas entregaram para Siqueira.

Nesse sentido a Central única dos Trabalhadores deu bom exemplo e aqui no Tocantins elencou aos candidatos (quer dizer aos representantes dos candidatos, porque estes nem lá foram) as prioridades através de uma carta de compromisso.

Os movimentos é claro não devem ignorar as raízes partidárias nem tão pouco radicalizarem sobre um governo que ainda nem começou.

Siqueira quando governou nas gestões passadas não teve contato com movimentos consolidados no Estado. Passados oito anos, ele volta ao poder e a sensibilidade para as questões sociais é um fator primordial.

Tanto quanto para prefeitos, secretários de estado e militantes, para os movimentos sociais os efeitos da vitória de Siqueira virão.

Uma relação de enfrentamento com a estrutura governamental no Tocantins com certeza não dará bons frutos para os movimentos. É como eu disse aqui: ou vai, ou racha. Não foi e agora?

Um novo governo e as mesmas demandas. A responsabilidade dos movimentos com certeza fará a diferença neste novo diálogo que precisa ser estabelecido com a estrutura de governo do Estado, afinal é por elas que passarão as políticas públicas para as várias demandas.

domingo, 3 de outubro de 2010

Eleições 2010: 135 milhões têm o desafio de decidir o futuro do país



Os 135 milhões de eleitores que vão às urnas hoje (3) têm o desafio de escolher entre os 21,8 mil candidatos em todo o país aqueles que representam melhor suas ideias, propostas e convicções políticas.

A maior parte do eleitorado brasileiro é formada por adultos jovens: 32,7 milhões (24,1%) têm entre 25 e 34 anos. Além disso, há 2,3 milhões (1,76%) de jovens com 16 e 17 anos que, apesar de não serem obrigados a votar, vão às urnas pela primeira vez neste pleito que vai eleger os ocupantes de seis cargos: presidente, governador, senador e deputados federal, estadual e distrital.

As seções eleitorais estarão abertas até as 17h e, diante da quantidade de cargos a serem escolhidos, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) recomenda o uso de uma cola com o número, nome e partido do candidato em que o eleitor deseja votar. O TSE lembra que o cidadão deverá levar um documento oficial de identificação com foto: carteira de identidade, de trabalho ou de motorista, por exemplo.

A ordem de votação definida pelo TSE será a seguinte: deputado estadual ou distrital, deputado federal, senador, governador e presidente. É preciso ficar alerta ao sinal sonoro da urna eletrônica confirmando o voto antes de passar para a escolha do cargo seguinte. Ao final, aparecerá a palavra fim na tela da urna.

No dia da eleição e dentro da seção eleitoral, o eleitor poderá usar broche e adesivos de seu candidato ou partido, mas a manifestação de seu voto deverá ser silenciosa. A legislação eleitoral não permite boca de urna ou qualquer tipo de tentativa de influenciar o voto de outras pessoas, especialmente perto das seções eleitorais.

Em 120 municípios, a eleição vai contar com o auxílio de tropas federais para garantir a tranquilidade na votação e na apuração dos resultados.

Os eleitores que não puderem comparecer às urnas e não se inscreveram para votar em trânsito deverão justificar a ausência. A justificativa poderá ser feita hoje em qualquer lugar de votação ou até o dia 2 de dezembro para o primeiro turno e 30 de dezembro para o segundo turno, em qualquer cartório eleitoral.

Fonte: Agência Brasil

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Movimentos sociais com Gaguim: “ou vai ou racha!”




Por Maria José Cotrim


Hoje foi o último dia do horário eleitoral do pleito de outubro. Acompanhei todos os programas dos dois candidatos do Tocantins, ex-governador Siqueira Campos (PSDB) e Carlos Gaguim (PMDB).Faltam três dias para a decisão nos rumos políticos do Estado que serão de uma maneira ou outra decisivos para os movimentos sociais.

Para os movimentos sociais apenas um candidato teve proposta: isso é fato! No programa do Siqueira foi dito que apenas ele tem plano de governo mas quem buscou o diálogo com os movimentos sociais do Tocantins entre eles as lideranças do movimento negro foi o candidato do PMDB.

Estou falando de proposta. O Estado tem suas prioridades maiores assim como o Brasil na saúde, educação e segurança pública, mas para diagnosticar os problemas nessas áreas sem a ação e envolvimento das várias organizações populares é com certeza mais trabalhoso e também inviável.

Vários movimentos declararam apoio a Gaguim, dentre eles o de Luta pela Moradia, a Via campesina, o movimento de atingidos por barragens e outros.No palanque cada representante elencou as necessidades e demandas.

Mas dialogar com os movimentos não é fácil. Deve haver um “epicentro” entre os dois para proporcionar o equilíbrio .As lideranças esperam e acreditam na eleição de Gaguim mas espero que estejam cientes que a Siqueira ao contrário do que fez a Central única dos Trabalhadores, não foi apresentada nenhuma carta de compromisso.
Se Siqueira vencer o pleito os movimentos voltarão à estaca zero e terão que reconstruir uma relação institucional com o Estado.

A força política dos movimentos vem dos partidos aliados de esquerda que estão com Gaguim aqui no Estado, motivo pelo qual os movimentos estão engajados na reeleição do peemedebista, afinal ele é o candidato do Lula e da Dilma.

Vi o Gaguim mencionando tanto no debate político desta terça-feira, 28, quanto no último programa de hoje os negros e quilombolas do Estado. Mas não vi o peemedebista participar em momento algum da caminhada com os movimentos em Palmas em prol de sua candidatura, pelo contrário ao invés de se unir a 600 militantes de vários lugares do Estado chegou foi atrasado ao evento. A verdade é que na relação entre movimento e governo não deve ter ilusão e sim cumplicidade.

Afinal, o movimento vive de realidade e ideologia que resultam nas ações.
Digo que será uma nova era para os movimentos sociais no Tocantins a partir do próximo ano ou um momento favorável para a reconstrução de um diálogo e parceria com a esfera governamental. Vamos ver no que vai dar: Ou vai, ou racha!

terça-feira, 28 de setembro de 2010

ENTREVISTA: “O movimento negro foi o principal ator político na conquista política do negro brasileiro”, diz presidente da Unegro



Por Maria José Cotrim

Inaugurando o rol de entrevistas do nosso NEGRO EM DEBATE,o nosso convidado desta semana é o presidente da União de Negros pela Igualdade, Edson França. De São Paulo, ele respondeu às perguntas encaminhadas.Dentre os principais questionamentos, Edson relatou a contribuição do movimento negro para as mudanças sociais no Brasil.O presidente ressalta o diálogo “positivo e constante” entre a política e o movimento.

Veja a entrevista:

1- Para você qual a contribuição efetiva do movimento negro para as conquistas em prol da Igualdade Racial?

EDSON FRANÇA - Penso que a principal e mais efetiva contribuição do movimento negro para a igualdade racial é ininterrupta luta manifestada ao longo dos séculos de combate ao racismo e aos racistas. Realizamos inúmeras ações políticas (marchas, assembléias, plenárias, conferências, articulações, pressões, abaixo-assinado) reivindicando bandeiras de luta com vista à emancipação da população negra. Convencemos nossos partidos, pautamos o debate no movimento social, onde conseguimos apoio a diversas propostas. O movimento negro foi o principal ator político na conquista política do negro brasileiro, a última batalha vitoriosa foi a aprovação do Estatuto da Igualdade Racial, temos que exigir sua total implantação. Considero que o Brasil dará um salto de qualidade em sua estrutura social e, conseqüentemente, poderá unir o povo brasileiro se observar corretamente as implicações do Estatuto da Igualdade Racial nas políticas públicas nos campos da educação, trabalho, saúde, terra, cultura, comunicação e gestão pública.

2- A Unegro é um dos maiores movimentos do país. Qual e como se manifesta a relação entre a questão partidária, já que a maioria dos membros da entidade milita no PCdoB, e o trabalho desenvolvido pela entidade?


EDSON FRANÇA - A UNEGRO é uma organização social de combate ao racismo autônoma, com atuação no movimento negro e na luta antirracismo, estamos nos preparando para ampliar o leque de intervenção da entidade, pois entendemos que assim como as políticas públicas, as ações contra o racismo devem ser transversalizadas, visto que a desigualdade de negros e brancos se constrói e enraíza em quase todos os espaços políticos, econômicos, culturais, sociais e ideológicos. As instâncias de deliberações da UNEGRO são sua coordenação, plenárias, assembléias e congressos, espaços de direção consagrados em nosso Estatuto Social. Nossa relação com os partidos políticos - especialmente de esquerda, pois entendemos que os partidos defensores do atual sistema, defendem igualmente o racismo – é de diálogo positivo e constante. Os Partidos são estruturas de poder, defendemos que a população negra tem que estar dentro, sob pena de atentar contra seu próprio empoderamento. Há na UNEGRO militantes de vários partidos, de fato a maioria é do PCdoB, considero uma característica importante da militância da UNEGRO, pois reforça nossa unidade interna e nos aproxima de um pensamento avançado para o Brasil. Acreditamos e temos visto na prática que a pauta partidária e a pauta do movimento negro não são contraditórias, ao contrario, podem se retroalimentarem, porém nem sempre se encontram, pois tem sentidos próprios. A UNEGRO compreende que parte importante dos avanços conquistados pelo movimento negro foi pauta ou pautado pelos partidos de esquerda, compreendemos que o PCdoB, PT, PDT, PSB, PSOL, PSTU, PMDB têm longa contribuição e serviços prestados a luta contra o racismo

3- Como a UNEGRO vê o espaço que os movimentos conquistaram junto ao governo atual?

EDSON FRANÇA - A UNEGRO valoriza os espaços de igualdade racial instituídos pelo governo atual, entendemos que a institucionalização de espaços de igualdade racial na estrutura administrativa do governo é um tiro certeiro no discurso da democracia racial propugnado oficialmente pelo Estado brasileiro, interna e externamente, até inícios dos anos 2000. Quando o Estado institui um órgão (SEPPIR), ligado a Presidência da República, dá um recado eloqüente à sociedade brasileira da necessidade de combatermos o racismo e produzirmos a igualdade entre negros e brancos. Defendemos para o próximo governo a manutenção e fortalecimento institucional da SEPPIR, e a capilarização de estruturas análogas descentralizadas regionalmente e em diversos ministérios. Assim o Estado terá maior capacidade gerencial para dar real efetividade e eficácia nas políticas de igualdade racial.

4- O movimento negro sofre um processo de descaracterização das bandeiras de luta principalmente com relação à política de cotas. Como a entidade lida com isso?

EDSON FRANÇA - A UNEGRO não considera as bandeiras de lutas do movimento negro descaracterizadas, ao contrário, todas são importantes para luta contra o racismo. No entanto, consideramos insuficientes para emancipação de uma maioria populacional, consideramos que parte importante das nossas bandeiras não dialoga com a necessidade da população negra ascender e compartilhar o poder político e material no Brasil. Consideramos uma fábula a idéia de que seja possível combater o racismo no marco do sistema atual, por isso a luta pelo poder político é deve ser a razão da existência do movimento negro. Defendemos que a luta atual do movimento negro tem que ter como prioridade a ascensão de negros e negras no poder, para nele operar as mudanças com objetivo de construir uma sociedade justa, sem racismo e sem nenhuma forma de opressão.

5- Quais as bandeiras de luta da UNEGRO e como a entidade vem se consolidando nos estados?

EDSON FRANÇA - A UNEGRO não tem bandeira específica, singular, ao contrário, nossas bandeiras são as mesmas do movimento negro brasileiro. Construímos juntos somos coletivamente autor e atores da luta racial no Brasil. Não temos coelho em cartola. É assim nacionalmente e tem sido assim nos estados. Hoje, estamos incomodados com a quantidade de propostas que não saem do papel. Somos o um movimento social fértil em formulação, pautamos o debate político no Brasil em vários momentos, estamos capilarizados em quase todos os municípios brasileiros. Falta-nos força política para dar materialidade em nossas propostas. A UNEGRO compreende que somente com força e vontade política será possível as bandeiras de luta do movimento negro ter real viabilidade.

6- Existe hoje, na sua opinião, uma disputa por espaço entre as várias entidades voltadas para a temática étnico-racial ou a relação é de união em prol da causa?
EDSON FRANÇA - Tenho dialogado com muitas lideranças do movimento negro brasileiro, minha percepção é de que estamos diante de um momento de amadurecimento e unidade, hegemonicamente. Há sim, aqueles que apostam na cizânia, mas são minoritários. Pois a luta contra o racismo e pela elevação social do negro é o substrato de toda nossa existência. Considero normal a diversidade no meio de uma grande unidade, em outras palavras, é perfeitamente previsível que as entidades tenham táticas políticas, ideologia e projetos singulares. Mas não são contraditórios, pois todos lutam contra o racismo.

7- Qual maior desafio atualmente na luta pela reparação social no país?
EDSON FRANÇA - A UNEGRO compreende que o maior desafio para reparação do negro e da negra brasileira é o compartilhamento do poder político e econômico entre negros e brancos, não acreditamos que as políticas públicas tenham potencial para reparar erros e dívidas seculares, quando muito mitigam desvantagens. Temos que construir um país de iguais, isso é reparar.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

O mito da igualdade racial e o efeito Prouni




Por Maria José Cotrim

Não faltam intelectuais para se posicionarem contras as cotas. Esse debate em torno das reserva de vagas nas universidades e ainda em outros setores da sociedade permeia há anos entre sociólogos, historiadores, militantes, e até entre os próprios estudantes e beneficiados e ainda entre os que não entendem “nadica de nada” do assunto.

Na base da argumentação dos críticos de plantão está o que eles apontam como conflito racial. Os dados do Programa Universidade para Todos, no entanto, desconstrói essa argumento.

Os bolsistas, que são selecionados de escolas públicas, têm acesso à universidades particulares contribuindo assim para a diversidade cultural no ambiente acadêmico. Os dados mostram que o índice de aproveitamento dos beneficiados do Prouni supera o dos não-bolsistas.

São 300 mil jovens negros hoje nas universidades através do programa, conforme dado repassado pelo Ministério da educação. Outros 50 mil estudam através do sistema de cotas das universidades.

Para o ministro da Educação, Fernando Haddad o Prouni é o maior exemplo de que as cotas dão certo e que não causam separativismo.“O ProUni é um modelo de cotas e vemos que a qualidade dos alunos não caiu.

Pelo contrário, os alunos têm desempenho superior ao dos não cotistas”, disse o ministro em entrevista essa semana.

De fato, o Prouni além de democratizar o acesso ao ensino superior, contempla a diversidade e propicia a convivência com a diferença.Sendo assim configura como uma ação afirmativa de reparação social.

Só que as políticas que dão certo não podem também deixar de serem analisadas gradualmente e se necessário sofrerem mudanças e com o Prouni também deve ser assim.

Como parafraseou essa semana o ministro da Promoção da Igualdade Racial, Elói Ferreira de Araújo há a necessidade de superar o “mito da democracia racial”.Não faltam pessoas para acreditarem nisso e saírem por aí reproduzindo o princípio errôneo de que o preconceito está nos olhos de quem vê.Esses é que são o perigo!

Esses alienados precisam ter conhecimento de que política pública efetiva é que muda a realidade social. È com investimento e estratégias reais de reparação que criaremos as condições para um modelo multicultural em todas as áreas. E o Prouni representa isso hoje numa sociedade ainda tão calejada de igualdade.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

São as peças do tabuleiro da moralização na política brasileira...



Por Maria José Cotrim

Netinho de Paula, Edson Santos e Boca Nervosa. Netinho de Paula, cantor, apresentador e agora candidato ao Senado tem sido alvo de polêmica na imprensa.Segundo as pesquisas divulgadas até o momento Netinho é um dos cotados para conseguir uma vaga no Congresso Nacional.

Alvo de denúncias por causa de problemas conjugais com a ex-esposa, Netinho nesta campanha assumiu erros e defendeu a Lei Maria da Penha que condena agressores de mulheres.

Mesmo sendo da igreja evangélica afirmou em entrevista que não tem nada contra a união estável entre pessoas do mesmo sexo. "Nós do PCdoB e da base aliada de esquerda acreditamos que isso [casamento gay] é legítimo. A pessoa que ama pode escolher com quem quer viver", disse ao Portal G1 completando ainda que o assunto não tem nada a ver com convicções religiosas.

O cantor da “Cohab” e de outros sucessos junto com a Negritude Júnior é o mesmo que através de um programa no SBT realizou vários sonhos das chamadas “princesas”.

Edson Santos, é o ex-ministro da Seppir que disputa uma vaga de deputado federal pelo Rio de Janeiro. À frente da Secretaria coordenou a pasta e mesmo saindo de lá continua sendo um aliado importante na luta da Igualdade racial.

Em tempos de aprovação da Ficha Limpa que selecionará os candidatos do futuro, uma renovação surge na política brasileira. Ainda não é a reforma política que trará uma redemocratização do Estado de Direito mas é o início sim de uma nova era.

E esse novo tempo passa com certeza por uma participação mais efetiva dos negros na política e principalmente no Senado Federal onde são feitas as alterações importantes na legislação brasileira.

Lá no Senado, o senador Paulo Paim lutou pela aprovação do estatuto da Igualdade Racial, até hoje o documento mais completo que propõe um conjunto de políticas públicas de reparação social. Com a resistência de outros partidos, o documento quase se eternizou no Congresso.

A reforma política passa principalmente pela qualidade dos representantes políticos. O Netinho e o Edson já são, independentes de ganhar ou não, lideranças políticas com representatividade étnico-racial forte e importante para a democracia. Muitos já perceberam e tentam desqualificar esse fator. Não é só de números de negros, brancos ou amarelos que estou falando.

A questão étnico-racial é ainda foco de vários candidatos desse pleito, uns como uma certa pitada de humor como o “Boca nervosa” que concorre a uma cadeira na Câmara Federal. Ele foi escolhido como um dos candidatos com slogan mais engraçados: “Dê uma chance para esse negão bronzear o congresso”, diz no horário eleitoral.

É ligado à cultura, é músico mas na política preferiu potencializar o apelido sendo assim alvo de muitas piadas.

O país urge de agentes do processo político com sede de renovação e moralização da democracia. E no dia três de outubro é que serão escolhidos os elementos desse processo.

Enquanto isso os "Bocas Pequenas" ironizam o processo e brincam de fazer política.São assim as peças do tabuleiro d amoralização da política brasileira.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Exposição fotográfica retrata Lagoa da Pedra e Roda de São Gonçalo



O projeto de exposição fotográfica Lagoa da Pedra e a Roda de São Gonçalo será apresentado entre os dias 07 a 12 de outubro na Fundação Cultural do Estado. De lá ela segue para todos os sete campi da UFT.

A exposição foi inspirada no livro: “A Roda de São Gonçalo na Comunidade Quilombola da Lagoa da Pedra em Arraias”, fruto de um trabalho de pesquisa do Mestrado em Ciências do Ambiente da Universidade Federal do Tocantins, que foi premiado no 1º Prêmio Nacional de Expressões Culturais Afrobrasileiras no início deste ano e ganhou um patrocínio para executá-la.

Quem visitar a exposição vai conferir 30 quadros, 3 totens que vão expor os selos e os cartões-postais que também fazem parte da mesma, 1 quebra-cabeça gigante e interativo, fotolivros, além de uma palestra acerca do trabalho de pesquisa que culminou a exposição e uma oficina sobre fotografia.

Pesquisa

O trabalho de pesquisa que deu origem ao projeto de exposição fotográfica é intitulado: “Lagoa da Pedra e Roda de São Gonçalo”, e foi realizado entre 2008 e 2009, pelo hoje, mestre Wolfgang Teske, sob a orientação do professor José Ramiro La Madrid Marón. Agora, em parceria com o repórter fotográfico Emerson Silva e o fotojornalista Manoel Júnior, o objeto de estudo que acompanhou todas as manifestações culturais da comunidade quilombola Lagoa da Pedra no município de Arraias, foi transformado em exposição, fotolivro, cartões postais e selos.

“A nossa intenção é interagir com a população de cada região onde passarmos com a exposição. Vamos convidar todos para participar, assistir a palestra, ver a exposição e fazer a oficina. Dessa forma, pretendemos motivar as pessoas a documentarem a expressão cultural de sua região”, explicou Teske.


Exposição


O projeto de exposição fotográfica foi desenvolvido pelo repórter fotográfico Emerson Silva, com co-autoria e curadoria do fotojornalista Manoel Júnior e pesquisas e textos do jornalista, educador, teólogo e mestre em Ciências do Ambiente, Wolfgang Teske.

O objetivo da mesma é valorizar e preservar suas origens, rituais e a manifestação religiosa conhecida como Roda de São Gonçalo: ritual empregado em pagamento a alguma graça alcançada ou concedida, por meio de uma promessa a São Gonçalo.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Quilombolas do Mumbuca recebem Inventário do Artesanato em capim dourado



“Esta é a primeira festa que está acontecendo na comunidade desta maneira, está tudo muito lindo”. Foi com estas palavras que a presidente da Associação dos Artesãos e Extrativistas de Mumbuca, Josilene Tavares, definiu a cerimônia de entrega do resultado do Projeto Capim Dourado – Trançando a Tradição, no povoado do Mumbuca, na última sexta-feira, 17.

O evento contou com uma vasta programação, que incluiu a exibição do vídeo documentário produzido durante o Projeto e manifestações artísticas, como o show do músico J. Bulhões e da dupla da comunidade do Mumbuca, Maurício e Arnon, tocando violas de buriti. A população do Povoado do Mumbuca também pôde conferir a exposição fotográfica “Capim Dourado – Trançando a Tradição”, que retratou momentos especiais de todo o trabalho de inventário.

Em seu discurso, o presidente da Fundação Cultural do Tocantins, Diomar Naves, ressaltou a importância do capim dourado para o Estado. “Realizar este tipo de projeto irá fazer com que o Povoado do Mumbuca não tenha apenas fama, mas sim tenha subsídios para que se possa angariar recursos para que todos que moram aqui tenham uma vida digna. O capim dourado é vitrine do Tocantins para todo o mundo e temos que preservar a tradição deste tipo de artesanato”, afirmou o presidente.

Nas próximas semanas, será entregue para cada família do povoado do Mumbuca um kit contendo um exemplar do vídeo documentário, um catálogo com a árvore genealógica e texto sobre a formação da comunidade e processo de produção das peças de artesanato em capim dourado. A entrega do resultado do Projeto Capim Dourado – Trançando a Tradição abriu a programação da tradicional Festa da Colheita do Capim Dourado, que termina nesta segunda-feira, 20.

“Capim Dourado – Trançando a Tradição”

O projeto teve início em julho de 2009 e foi dividido em seis etapas, sendo a última realizada no mês de junho deste ano e consiste no inventário do saber fazer dos artesãos do Mumbuca, no que diz respeito à arte de costurar o capim dourado e transformá-lo em peças artesanais.

Neste período, foram visitadas 32 famílias; captadas imagens para a produção de um vídeo documentário; realizadas entrevistas com moradores da comunidade; feito o acompanhamento da colheita do capim dourado, além da realização de palestra de educação patrimonial com alunos e professores da comunidade. Foram envolvidas diretamente cerca de 130 pessoas entre artesãos e suas famílias.

Para a realização do Inventário, foram aplicados R$ 177.625,00, sendo R$ 142.100,00 provenientes do Fundo Nacional de Cultura e R$ 35.525,00 de contrapartida do Governo do Estado, por meio da Fundação Cultural.

sábado, 18 de setembro de 2010

IBGE aponta que metade das mulheres negras trabalham sem carteira assinada



As mulheres negras (pretas e pardas) estão em situação pior no mercado de trabalho que as brancas, revela pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgada hoje (17), mostrando que elas são maioria entre as trabalhadoras informais.

A pesquisa Síntese dos Indicadores Sociais 2009 destaca que enquanto metade das mulheres pretas (54,1%) e pardas (60%) trabalha sem carteira assinada, portanto, sem direito a benefícios como seguro desemprego e licença maternidade, o percentual de brancas na mesma situação é de 44%.

A situação contrasta com o fato de "um tipo de família mais vulnerável", segundo o documento, ser o de mulheres sem cônjuge, com filhos pequenos, cujos percentuais de mães pretas é de 23,3% e pardas, de 25,9%. Famílias nessas condições com mulheres brancas representavam 17,7% do total.

De acordo com o IBGE, a situação menos favorável das mulheres negras se dá em função da escolaridade e da renda. “Quando consultamos menores rendimentos, a maioria se declara preta ou parda. Tem uma correlação entre escolaridade, renda e cor flagrante”, justificou a pesquisadora, Ana Lúcia Sabóia.

Do total da população, a informalidade é maior entre as mais jovens e mais velhas. Entre aquelas de 16 a 24 anos, é de 69,2% e entre as com mais de 60 anos, de 82,2%. Segundo a pesquisa, os dois segmentos concentram pessoas com mais dificuldade de conseguir emprego.

"No caso da mais jovens, pode ser também pela dificuldade de conciliar emprego e estudos, e, no caso das mais idosas, o retorno de aposentadas e pensionistas ao mercado", diz o texto.

Em relação à posição na ocupação, a síntese destaca que os brancos eram 6,1% dos empregadores, enquanto os pretos eram 1,7% e os pardos, 2,8%. A maioria da população negra trabalhava sem carteira (17,4% entre os pretos e 18,9% entre os pardos). Entre os brancos, o percentual era de 13,8%.

África comemora queda do número de casos de aids

Os países mais afetados pela epidemia de aids no mundo – os africanos Costa do Marfim, Nigéria, África do Sul, Zâmbia e Zimbábue – foram os que registraram as maiores quedas nos números de novos casos entre 2001 e 2009.

No geral, todas as 22 nações da África Subsaariana tiveram um declínio de mais de 25% dos casos de infecções no período. “É a primeira vez que isso acontece no coração da epidemia”, comemorou o diretor executivo da Unaids, divisão da Organização das Nações Unidas (ONU) que trata do tema, Michel Sidibé, durante a divulgação dos dados em Genebra (Suíça). “Agora vemos esperança no lugar em que o HIV só roubava sonhos”, afirmou.

Cerca de 70% dos infectados de todo mundo vivem na África Subsaariana. Em 2008, 72% das mortes foram registradas neste conjunto de países e 14 milhões de crianças perderam o pai e a mãe por causa da aids. Na Suazilândia, por exemplo, a expectativa de vida caiu pela metade entre 1990 e 2007, para 37 anos de idade, por causa da doença.

Na África do Sul, o combate ao vírus vive um momento acelerado. Novas infecções entre jovens e adultos caíram 25% e um número recorde de mulheres tem acesso ao tratamento para prevenir a transmissão da mãe para o bebê. O governo sul-africano aumentou significativamente os recursos destinados à prevenção e ao tratamento da aids.
A Unaids recomenda que os governos invistam entre 0,5% e 3% das receitas nacionais no combate ao HIV, dependendo da quantidade de infectados. A maioria dos países mais afetados não segue o indicado. No ano passado, o total de recursos alocados para combater a doença no planeta foi de U$ 15,9 bilhões (cerca de R$ 27 bilhões), U$ 10 bilhões menos que o previsto como necessário.

“Todo centavo economizado significa colocar mais gente em tratamento ou nos programas de prevenção”, disse Leonardo Chavane, porta-voz do Ministério da Saúde de Moçambique. Ele explicou que o transporte dos medicamentos impacta muito os custos. “Tudo vem da Ásia, Europa ou Américas”. Moçambique tem 12,5% da população de cerca de 22 milhões de habitantes infectadas pelo HIV.

Laboratórios privados produzem remédios antirretrovirais em pequena escala em Uganda, no Quênia e na África do Sul. Moçambique deve sediar a primeira fábrica pública de drogas anti-HIV, em um projeto conjunto com o Brasil.

Técnicos da Fundação Osvaldo Cruz, que fará a gestão técnica da planta, estiveram no país nesta semana. Espera-se para os próximos dias a definição do nome da empresa que irá montar as instalações em um galpão na cidade da Matola, vizinha à capital Maputo, ao lado de uma fábrica do governo moçambicano que já produz soro fisiológico e glicose.
Fonte: Agência Brasil

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

O empoderamento do movimento negro no governo Lula...




Por Maria José Cotrim


Foi no governo do presidente Lula que a temática da Igualdade Racial ganhou espaço em termos institucionais e governamentais. Primeiro de tudo: a criação da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial que coordena políticas voltadas para o segmento em diferentes ministérios.

Por muito tempo se discutiu se a Seppir era algo meramente decorativo ou apenas um instrumento de controle do governo junto às várias entidades de movimento negro. Com o passar da gestão Lulista, a Seppir foi agregando funções de acordo com a demanda e passou a atuar como um portal de informações e proteção dos direitos dos indivíduos e grupos raciais e étnicos alvos da discriminação e demais formas de intolerância.

Lula deixando o governo, como ficará a Seppir? Essa é a pergunta que não quer calar em várias entidades que hoje se apoiam nas ações da secretaria. A Dilma Rousseff(PT) fez compromisso de continuar priorizando as bandeiras dos movimentos sociais.Serra até agora não falou.

O debate sobre a temática ainda é fragilizado em vários meios sociais.O que muitos chamam de “supremacia de raças” se chama na Seppir: políticas públicas.

Ouvindo a voz dos movimentos sociais, no ano de 2003 foi instituída a Lei 10.639, que determina a obrigatoriedade do ensino da história e da cultura afro-brasileira e africana nos currículos escolares.

Em 2009 veio o Programa Institucional de Iniciação Científica (Pibic) oferece bolsas de R$ 360 por mês para estudantes que entraram na universidade por alguma ação afirmativa.

Já em maio de 2010, A Seppir começou a coordenar o Programa de Concessão de Bolsas de Mestrado e Doutorado para apoiar a produção científica de estudantes negros.
Para as comunidades de quilombos a marca do governo foi o Programa Brasil Quilombola (PBQ) que visa proporcionar aos quilombolas acesso a serviços e bens básicos, como saúde, educação, moradia, energia elétrica e o direito à terra.

Cerca de 400 cartas, 1.200 e-mails e 2.800 telefonemas foram recebidos e atendidos mensalmente pela Ouvidoria da Seppir, segundo o órgão. As demandas vão de orientações sobre como proceder em casos de discriminação a encaminhamento de denúncias de racismo.

Uma nova era com certeza para o desenvolvimento do movimento negro no país. A “dívida histórica” que muitos sociólogos apontam está diminuindo.Resultados para mostrar com certeza tem. O Lula vai, mas o movimento fica.

Os resultados efetivos mostram o despontar da participação mais efetiva dos movimentos sociais na sociedade. Negros, ciganos, representantes de religiões africanas, quilombolas...todos saem fortalecidos e com chances reais de sobrevivência e participação nos próximos quatro anos.

Um novo presidente, um novo desafio.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Ex-técnico do Flamengo cogita que discriminação racial PODE ter motivado sua demissão. "Pode ou foi?"



Por Maria José Cotrim

Nos campos, correndo com a bola nos pés e mostrando talento: lá estão eles os jogadores de futebol. Em sua maioria, negros. Robinho, Ronaldinho Gaúcho e outros. Dizem que não há área em que o negro seja tão contemplado e participativo do que no futebol...

Neste domingo, 13, o campeão brasileiro pelo Flamengo de 2009, o técnico Andrade deu uma entrevista onde mostrou as vísceras do futebol brasileiro.

Ele ficou sete anos no Flamengo superando 19 equipes no Brasileiro e conseguiu dar uma vitória ao clube depois de 17 anos mas ainda assim foi demitido. Hoje, está a quase cinco meses esperando uma proposta para voltar a atuar.

Sobre a demissão em abril do ano passado...ele revela que não entendeu o porquê, nem ao menos foi lhe apresentado um motivo plausível.Ele atribuiu questões políticas e inclusive a possibilidade de PRECONCEITO RACIAL.

Não há negros no comando dos times da Série A do Brasil: isso é fato! E, nessa hora, justamente nessa hora de buscar uma justificativa para sua saída, o técnico cogita essa possibilidade mas como ele mesmo afirmou na entrevista, prefere não acreditar.

É sempre assim....é característico do senso comum preferir não acreditar que a discriminação racial tá aí solta passando por vários setores e áreas. Não me estranha que ela tenha chegado aos campos de futebol.“ Enquanto houver sol, o sonho continua”, disse o técnico na entrevista onde se emocionou por várias vezes.

O técnico chama atenção para a falta de oportunidade para exercer a função de técnico e disse que muitos amigos chamaram sua atenção para a discriminação nesse caso.

Acontece que não só os famosos, mas todos nós, não podemos usar a discriminação como mecanismo de fuga. "Pode ter sido ou foi discriminação?"__ Isso precisa ficar esclarecido!

Se não houve uma explicação para sua demissão, o técnico deve buscá-la. E se houver indícios de discriminação, por qualquer motivo que seja, está aí a oportunidade para um passo importante no combate á esse “mal social” em nosso país e nas repartições.

O técnico frisou muito na entrevista, sua experiência e qualidades...mais um motivo para continuar na sua carreira e buscar espaço em outros clubes.

Será que quando estava no clube, Andrade sentiu algum vestígio de discriminação? Ou Será que foi apenas a falta de técnicos negros à frente dos clubes que fez com que ele levantasse esse argumento?Não sei mas queria saber...

Os dados mostram que no perfil da classe média brasileira os negros foram os que mais ascenderam socialmente integrando hoje a classe média brasileira. Os desafios estão aí todos os dias, as faltas de oportunidades também....o problema é que muitos só se dão conta quando perdem espaço.

Esse caso do Andrade e muitos outros são flagelos do processo de socialização da ocupação dos negros nos espaços de poder. Nos tribunais, na mídia, no futebol...as barreiras estão começando a ser quebradas e as reações a esse processo são adversas. Cada um tem a sua!

Para combater a discriminação, ela tem que ser punida, principalmente quando envolve empresas e organizações.

Idioma mais falado no Sul de Moçambique terá dicionário a partir do ano que vem

Será publicado no ano que vem o primeiro dicionário do idioma xiChangana, o mais falado no Sul de Moçambique, também presente na África do Sul e no Zimbábue. Quatro pesquisadores do Centro de Estudos Africanos da Universidade Eduardo Mondlane trabalham no projeto, que é o primeiro do gênero no país.

“A línguas maternas devem ter a oportunidades de se desenvolver. Estamos a trabalhar em gramáticas e dicionários para que os demais idiomas do país se modernizem. É importante para nossa história e preservação da nossa identidade”, diz o coordenador do trabalho, professor Armindo Ngunga.

Já existem dicionários que traduzem os idiomas falados na África Austral, praticamente todos de origem banto, para o português e o inglês. Mas a iniciativa de enumerar as palavras em xiChangana, explicando seus significados na própria língua, é inédita.

O idioma oficial de Moçambique é o português, mesmo sendo a língua materna de apenas 6% da população, de acordo com o Recenseamento Geral de 1997. Na mesma pesquisa, apenas 40% da população declararam que sabem falar o idioma. O percentual é bem mais elevado na capital, Maputo, próximo de 90%.

O português divide o território com mais de 20 idiomas, entre eles o barwe chinianja, chona, chope, echuwabo, ciyao, kunda, lolo, elomwe, maindo, makhuwa, maconde, mwani, xiChangana e zulu.

"Os moçambicanos conquistaram e domesticaram a língua portuguesa”, afirma Ngunga. “Mas isso não dá o direito de se sobrepor ao ponto de aniquilar as demais”, diz ele.
(Fonte: Agência Brasil)

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

A-N-A-F-A-L-B-E-T-I-S-M-O Tatuísta!



Por Maria José Cotrim

AYÊ companheiros!

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística divulgou que no Brasil pouco mais de 14 milhões de pessoas são analfabetas em nosso país.

O levantamento é do ano passado e mostra algo que chamou minha atenção: “A maior concentração de analfabetos foi registrada entre as pessoas pertencentes aos grupos de idade mais elevados: 92,6% deles tinham 25 anos ou mais de idade”, consta na pesquisa.

A taxa é crescente de acordo com a idade, um perigo! Essa mesma pesquisa mostra que o ensino público no Brasil melhorou e atinge mais jovens hoje. O analfabetismo é um dos males permanentes de nossa sociedade brasileira. A taxa de pessoas nessa condição oscila mas eles sempre estarão nas estatísticas.

A área da educação é a que mais tem tido esforços do governo federal e mais envolvimento de várias entidades em todos os estados brasileiros. A mudança nesse quadro está sendo gradual no intuito de "banir" os analfabetos, principalmente os funcionais que sabem ler e escrever e não entendem nada.Não interpretam.

Esses são pouco mais de 60% da população brasileira.

O analfabetismo, como vários outros aspectos sociais, está ligado às condições de vida as quais o indivíduo está submetido, ou seja, depende extremamente da situação social.

Na minha pequena Igaporã, por exemplo, cidade baiana com cerca de 15 mil habitantes, as adolescentes vão morar em casas de família em troca de um valor miserável por mês e por um prato de comida. A desculpa de sair da zona rural para ir para a cidade é a necessidade de estudar.

Mas como estudar e aprender sendo que esta menina acorda cedo para as atividades domésticas, já vai para a escola cansada e mal tem tempo para se dedicar às atividades escolares? Ela pode sim se for esforçadinha aprender a ler e escrever.

Deixou de ser analfabeta, se continua vivendo em um ambiente tão monótono que não desperta nela nenhuma criticidade? Ela não é só funcional...Aí caímos num novo tipo de analfabetismo que vou intitular de : tatuísta.

Esses analfabetos sabem ler e escrever o nome e até coisas mais difíceis ortograficamente falando mas na hora de interpretar e analisar vários aspectos é igual tatu: se recolhe! Daí o tatuísmo.

O funional lê, lê, lê, os tatuístas acham que já sabem de tudo, afinal conseguem até diplomas.

Existem vários tatuístas em nosso meio, muitos com profissão, alguns médicos, advogados....jornalistas! É um anafalbetismo que você sente quando senta numa mesa para tentar manter um diálogo.O indivíduo tem dificuldades de discutir por falta mesmo de conhecimento ou, na maioria das vezes, por preguiça de estabelecer o diálogo.Pre-gui-ça!

Um anafalbetismo que não deixa o indivíduo ter posturas mais críticas acerca do espaço que vive.Seres limitados.Até são informados, lêem muito, acessam internet, ocupam cargos importantes mas não assimilam o que estão consumindo.E nem ligam com isso..afinal são tatuístas,ignoram a própria ignorância.

Esses analfabetos estão aí à solta arrotando sabedoria e conseguindo superar os "funcionais" na falta de compreensão da sociedade moderna e dos fenômenos que fazem parte dela, muitos com destaque social mas quando a coisa aperta sempre recorrem ao buraco, igual o tatu.

Afinal, para os tatuístas o melhor mesmo é ser comum, vazio...

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Cissa e as Cissas do Brasil...



Por Maria José Cotrim

Boa tarde companheiros!

Tenho visto há um mês e meio em vários veículos de comunicação, principalmente os da internet, a repercussão do caso da morte de Rafael Mascarenhas, o filho da atriz Cissa Guimarães, da Globo, vítima de um acidente aos 18 anos de idade.

Depois da investigação policial do caso, reconstituição do crime e tudo o caso continua à tona com foco no estado emocional da atriz.

Já vi matérias mostrando a Ciça junto com amigos de Rafael, pixando um muro perto do local do acidente. Vi também a atriz abraçando uma árvore perto de onde foram enterrados os restos mortais do jovem.

E nesta segunda-feira, 6, vi uma matéria dizendo que a atriz continua abalada e está fazendo a “terapia do Luto” que tem como objetivo, conforme consta na matéria, "readaptar uma nova e aparentemente ilógica realidade" nos casos em que filhos tão novos morrem.

A psicóloga que está atendendo a atriz, Adriana Thomaz, explicou que identificou uma necessidade da atriz voltar aos palcos para ajudar a superá-la a ausência do filho.
Cissa, por sua vez, recomendou que vários pais e mães que passaram por este mesmo “pesadelo” também façam a terapia.

Falar da morte ainda é muito doloroso em nossa sociedade, por que a forma de encará-la ainda é de apego material total. Fiquei imaginando ao acompanhar esse caso da Ciça os vários casos de mães de famílias, que não são famosas, e que passam todos os dias por essa situação de perda.

Seja a mãe que mora nas favelas, nos grandes centros, ou aquela que vive numa comunidade mais tranqüila e ainda assim perde um filho por uma fatalidade. Em muitos casos, principalmente alguns de bala perdida, a mãe é quem sustenta a casa e já no mesmo dia em que enterra o filho precisa continuar na luta por um trabalho para sustentar a casa.

Outras mães, perderam também os filhos e nem sequer sabem se estão apenas seqüestrados, se fugiram ou foram brutalmente assassinados. Essa convivem com a dor e a incerteza de saber ao menos o paradeiro.

Muitos desses casos não temos a oportunidade de acompanhar como o da Cissa, que tem notoriedade, mas é bom saber que existem todos os dias nesse país que carece de uma segurança pública e combate ao crime organizado mais eficaz.

As Cissas do Brasil não estão nos jornais e nos Sites de notícia mas estão todos os dias buscando as formas de superação para um cotidiano tão desigual e ainda injusto. As Cissas estão por aí, em todos os cantos desse país e sem direito à terapia do Luto, infelizmente!

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Africanos representam 65% dos refugiados no Brasil



O Brasil abriga atualmente 4.305 refugiados. Desse total, 65%, ou 2.800 pessoas, são do Continente Africano. De acordo com dados do Comitê Nacional para os Refugiados (Conare), do Ministério da Justiça, depois da África, o Continente Americano é o que mais tem refugiados no Brasil - 954 (22,16%) -, seguido pela Ásia, com 448 (10,41%), e a Europa, com 98 (2,27%).

O refúgio é concedido quando há perseguição no país de origem por motivos de raça, religião, nacionalidade, grupo social ou opiniões; quando a pessoa não tem mais nacionalidade e está fora do país onde antes teve sua residência habitual; ou quando há grave violação de direitos humanos e o cidadão é obrigado a deixar o país de origem.

No Brasil, há refugiados de 78 nacionalidades. De acordo com o balanço do Conare, Angola é o país com o maior número de refugiados em território brasileiro - 1.688. A Colômbia vem em segundo lugar, com 589 refugiados, seguida pela República Democrática do Congo, com 431, a Libéria, com 259, e o Iraque, com 201.

O comitê também divulgou o balanço dos reassentamentos no país. De acordo com o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur), os refugiados que estiverem em um segundo ou terceiro país estrangeiro com vistas à proteção internacional, não sendo seu país natal nem o primeiro país que lhes concedeu refúgio, são considerados reassentados.

Do total de refugiados em território brasileiro (4.305), 397 são reassentados. A América tem 281 refugiados reassentados, a Ásia tem 112, a África tem 1. Três são apátridas, ou seja, sem nacionalidade.

Em 1999, o Brasil firmou com o Acnur o Acordo Macro para o Reassentamento de Refugiados. Uma das medidas adotadas pelo Conare para acolhida é a entrevista feita por representantes do comitê com os candidatos ao reassentamento no Brasil ainda no primeiro país de refúgio.

De acordo com o Conare, a medida é eficaz, pois durante as entrevistas os funcionários brasileiros procuram apresentar a realidade econômica, social e cultural do país da maneira mais explícita possível, evitando qualquer frustração futura com relação à integração dos reassentados.

O Programa de Reassentamento Brasileiro também tem um procedimento especial para os casos urgentes, conhecidos como fast track. Nessa situação, os integrantes do comitê têm até 72 horas para analisar os casos. Havendo unanimidade entre os membros consultados, a decisão é ratificada pela plenária do Conare e os refugiados aceitos chegam ao país em até dez dias.

A divulgação desses dados faz parte do Encontro Regional sobre Reassentamento Solidário – Twinning Programme, que ocorre hoje (25) e amanhã em Porto Alegre. Organizado pelo Acnur Brasil e pelo governo da Noruega, o encontro tem o apoio da organização não governamental Associação Antônio Vieira (Asav) e do governo do Canadá. Estarão presentes representantes dos governos da Argentina, do Brasil, Chile, da Noruega, do Paraguai e Uruguai, funcionários do Acnur e organizações da sociedade civil dos países participantes.

(Da Agência Brasil)

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Movimento negro acelerado: novo jeito de fazer movimento no Tocantins!




Por Maria José Cotrim

Companheiros e companheiras quem não pôde assistir de perto ao menos leu em alguns sites uma matéria falando do apoio que representantes do “Movimento Negro Acelerado” e quilombolas declararam apoio à candidatura de reeleição do governador Carlos Henrique Gaguim (PMDB).

Estavam lá com camisetas vários ícones do movimento no Estado, do Hiphop, dos quilombos, das escolas de samba e muitos outros.Lideranças de verdade, que vêm ao longo de todos esses anos representando o Estado à nível nacional e buscando organizar um movimento de fato no Estado.

Gaguim falou que quer a parceria com os vários segmentos do movimento negro. Bom! E, segundo me narrou um companheiro que lá estava na reunião: cobrou projetos. O governador pediu que os segmentos apresentassem a demanda.

Uai, será que ele já se esqueceu da carta de compromisso assinada ainda este ano no encontro de quilombolas? O deputado estadual Eli Borges (PMDB) estava lá também, vestiu camisa e tudo.Ele foi o responsável pela indicação do secretário de Cidadania e Justiça, Carlos Alberto, pasta que tem a coordenação de afrodescendentes.

O Júnior Coimbra (PMDB) candidato a deputado federal também estava lá. Muito Bom!
Na verdade, o movimento negro se posicionar em anos eleitorais é praxe em todos os outros estados também. E há um outro agravante para esse apoio a Gaguim: o palanque para Dilma Rousseff (PT).

Dilma promete ser a continuidade de Lula e assim sendo já declarou que manterá aberta a porta de diálogo para o movimento negro, que ao contrário do Tocantins, tem grandes proporções e representatividade à nível nacional.

É fato: Lula deu a abertura para o movimento negro, criou a Seppir e através da Conferência Nacional de Igualdade racial busca diálogo com o segmentos da temática.

Aqui no Tocantins essa parceria política precisa começar a existir. E nesse caminho de sair do “umbiguismo” e do anonimato e começar a fixar o diálogo com o poder público é com certeza importante para os movimentos sociais.

Nesse caminho só é preciso lidar com a “institucionalização do movimento”. O movimento precisa ter sua independência ideológica e acima de tudo seu jeito de efetivar as políticas publicar junto com o governo.

No Tocantins, dos parlamentares estaduais não vieram emendas para as comunidades quilombolas para este ano. De nenhum! No orçamento estadual, a Secretaria e a Fundação Cultural procuram “fazer mágica”para financiar projetos.

As casas para os quilombos das quais Gaguim falou são iniciativa quase total do governo federal. A contribuição do movimento precisa ser mais efetivo no governo, com certeza.

Achei interessante quando me contaram que o Gaguim pediu a demanda e os projetos.A parceria com o institucional é fundamental mas no comando da situação deve estar a voz do militante, do representante legítimo que fala pela comunidade.

No movimento, muitos defendem a criação de uma pasta para a Igualdade racial e os quilombolas no Estado. Mas é necessário antes de tudo rever o "jeito" de trabalhar a temática no Estado da parte do movimento e também da parte governamental. Talvez não seja uma pasta em caráter "extraordinário", sem dotação orçamentária que resolva isso.

Sem a independência, clareza, cobrança e projetos em outubro o “Acelera” pode passar e o movimento continuar estacionado sem apoio e autonomia por mais quatro anos.

Cada líder do movimento que lá estava deu o ponta pé inicial para novos rumos no movimento negro do Tocantins. se vai dar certo ou não...o tempo dirá!

Torço para um dia ver e participar de uma nova era da Igualdade Racial no Tocantins!

sábado, 21 de agosto de 2010

Meu cabelo duro é assim: cabelo duro de pixaim!



Por Maria José Cotrim

Realidade em Palmas: falta de preparo das profissionais de beleza para cuidarem dos cabelos afros.

“Você podia fazer uma escova progressiva, ou uma escova de chocolate ou uma escova de...”, esse é o discurso predominante dos salões de beleza da capital das arnos até Taquaralto.

Com o discurso de que a moda é cabelos lisos e coisa e tal as profissionais vão esquecendo de se abrir para o novo.

Outras têm ainda a estratégia de literalmente desqualificar o seu cabelo para oferecer qualquer tratamento que vá no final das contas deixá-lo liso.

Pedi para uma cabeleleira essa semana uma indicação para fazer um permanente afro. Com o discurso pronto e acabado na ponta da língua ela foi soltando sua lábia com uma argumentação fajuta.

Aí entramos justamente na identidade étnico-racial, tema que me aprofundei um pouco. E se a pessoa quiser cuidar dos cabelos crespos? Fazer uma trança? Um rasta com cores variadas?

Penteado afro então...nem pensar! Muitas que já procurei são sinceras: “Você não vai encontrar em Palmas quem mexa com isso”, ouvi essa semana.

Ah, sim então falta mesmo o interesse pela qualificação nessa área! Tudo isso engloba também falta de informação de algumas profissionais. Umas colocam até o nome do salão voltado para a temática da diversidade mas variar as opções ainda não faz parte dos estabelecimentos.

E outra coisa: se seu cabelo é Black Power muitas cabeleireiras vão com certeza tentar convencê-las a alisá-lo.

Cabelo é um elemento da identidade de cada um, que assim como qualquer outro aspecto deve ser moldado de acordo com a opção da pessoa.E nos salões de beleza isso precisa começar a se tornar uma opção para as clientes.

A amiga Andréia Marques, jornalista e dona de um visual encantador marcou sua passagem profissional em Palmas por sua característica étnico-racial. Um dia ela me contou que para cuidar do cabelo tinha que recorrer em São Paulo, sua terra natal.

Usar um cabelo afro não é apenas acordar e ter a opção de não penteá-lo. Exige todo cuidado e tratamento como qualquer outro tipo.Em muitos salões estão expostos posters com modelos negras com cabelos afros mas na prática tudo é diferente.

Com tipos tão "diferentes" hoje é preciso acordar para esse comodismo!Ignorar a tendência do Afro? Jamais...para uma capital formada por tantos migrantes.

Se sua opção é como a minha, a de um cabelo natural e crespo bem cuidado, infelizmente aviso que terá que buscar informações e tratamento em outro local. Uma pena!

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Para quem disse que acabou a escravidão...



Nesta quarta, 18,o Tribunal Superior do Trabalho aplicou multa de R$ 5 milhões à empresa Lima Araújo Agropecuária, sediada em Alagoas, pela exploração de mão de obra escrava.

A ação foi movida pelo Ministério Público do Trabalho, que acusa a empresa de ter mantido 180 trabalhadores, entre eles adolescentes, em condições desumanas e análogas à escravidão.

A Lima Araújo Agropecuária já havia sido condenada pelo Tribunal Regional do Trabalho (TRT) do Pará a pagar R$ 5 milhões por dano moral coletivo e reincidência na utilização de trabalho escravo.(Com informações da Agência Brasil)


Quando vi essa matéria comecei a pensar na quantidade de pessoas que acreditam na historinha pra boi dormir de que não existe mais escravidão.
Enquanto se propaga esse “discurso mentiroso” vários trabalhadores vão vivendo no dia-a-dia nessas condições sub-humanas.

Há uma semana no Tocantins foram também encontrados trabalhadores de uma carvoaria trabalhando sem salários, bebendo água suja e sem materiais de proteção.
É preciso não alisar na hora de fiscalizar. Trabalho escravo é crime e a empresa que se vale dessa modalidade “suja e truculenta” tem que ser punida.

Brasil e África podem ampliar cooperação na área de propriedade intelectual



A cooperação para capacitar micro, pequenas e médias empresas, universidades e instituições de ensino e pesquisa no uso do sistema de propriedade industrial é uma das metas do Encontro Interregional Brasil-África em Propriedade Intelectual e Desenvolvimento Econômico, que será realizado amanhã 19 e depois em Salvador (BA). O seminário é promovido pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (Inpi), vinculado ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC).

Outro eixo que o Brasil pretende fortalecer com a África é a cooperação técnica entre os institutos de propriedade industrial, disse o presidente do Inpi, Jorge Ávila. Ele destacou que isso poderá ocorrer tanto em nível intrarregional, envolvendo o Brasil, a América do Sul e países africanos, quanto no âmbito multilateral, “por meio do desenho conjunto de propostas para o aperfeiçoamento do sistema multilateral de propriedade intelectual”.

Ávila lembrou que o Brasil ocupa atualmente uma posição particular no conjunto dos países em desenvolvimento, em todos os campos. “Mas, no campo da propriedade intelectual, a gente tem uma posição bastante destacada”. Lembrou ainda que nos últimos anos, o país, por meio do Inpi, tem ajudado muitos países em desenvolvimento a organizar melhor seus institutos de propriedade industrial e suas políticas para o setor.

“A gente já tem hoje uma relação muito forte e consolidada com os países da América Latina. O encontro com a África é uma oportunidade para estreitar a cooperação com outros países em desenvolvimento fora do Continente Latino-Americano”.

Jorge Ávila afirmou que o evento dará ao Brasil elementos para conhecer as necessidades prioritárias dos países africanos e ver em que estágio se encontra a discussão sobre propriedade intelectual, sua proteção e comercialização como peças-chave para ganhar competitividade e promover o desenvolvimento econômico. “E entre essas prioridades, [ver] no que o Brasil e a América do Sul podem ajudar”.

A expectativa do presidente do Inpi é de que possa ocorrer uma troca significativa de experiências entre os países. “E a gente espera contar também com esses países como aliados permanentes nas discussões sofre o futuro do sistema internacional de propriedade intelectual”.

Fonte: Agência Brasil

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

A subserviência que mata, que fere...


Olá amigos blogueiros de plantão...


Maria José Cotrim

Para iniciar a semana gostaria de fazer uma reflexão em torno deste início de período eleitoral. Tenho andado por vários cantos nesse meu ofício de acompanhar os fatos eleitorais e algo dentre muitas coisas me incomoda de forma gritante: a subserviência de alguns para o sistema.

Sim, um sistema que poucos sabem como funciona apenas tem a noção que estão envolvidos direta ou indiretamente. Não falo de pais e mães de família que precisam segurar bandeiras no sol ou distribuis panfletos para candidatos em busca de uma diária gordinha.

Falo da subserviência moral! Aquela que tira a capacidade crítica do ser humano de analisar o processo de uma maneira no mínimo analítica.

A política vem e vai no decorrer dos anos. Temos um voto obrigatório que existe hoje em apenas 22 países, entre eles o Brasil.

O cidadão vai às urnas por obrigação mesmo, mas vota, no geral, sem ter obrigação com o valor moral desse voto.

A subserviência moral mata e fere o processo. Sem ideologia indivíduos adentram no processo político, “compram briga” em prol de candidatos e partidos e nem sabem porque ou para quê...

Porque votar no 15 ou no 45? Porque pedir voto “desesperadamente” para fulano ou beltrano? Os seres subservientes estão aí à toa, escravos do processo, do sistema que nem ao menos fazem questão de conhecer a fundo.

Colocam broches, camisetas vermelhas, adesivos...e na cabeça quase nada!

E por coincidência essas pessoas bloqueadas criticamente são também alvo da incompetência de alguns daqueles que colocam lá à frente da política do Estado ou país. Ah, mas são tão mortos “de ideais” que nem isso percebem.É tanta alienação que o corpo até acostuma.

Boa semana a todos!

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Estatuto da Igualdade Racial é sancionado; Lula cria Unilab




O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou nesta terça-feira, 20, o Estatuto da Igualdade Racial e a lei que cria a Universidade Federal da Integração Luso-Afro-Brasileira (Unilab). Aprovado pelo Congresso no mês passado, após sete anos de tramitação, o estatuto prevê garantias e o estabelecimento de políticas públicas de valorização aos negros.

O Estatuto da Igualdade Racial define ainda uma nova ordem de direitos para os brasileiros negros, que somam cerca de 90 milhões de pessoas. O documento possui 65 artigos e objetiva, segundo a Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, a correção de desigualdades históricas no que se refere às oportunidades e aos direitos dos descendentes de escravos do país.

O ministro, Eloi Ferreira de Araújo, disse que a sanção do Estatuto da Igualdade Racial “coroa o esforço de muitos e muitos anos”, das comunidades negras no país.

Também sancionada hoje, a Universidade Federal da Integração Luso-Afro-Brasileira (Unilab) tem o objetivo de promover atividades de cooperação internacional com os países da África por meio de acordos, convênios e programas de cooperação internacional, além de contribuir para a formação acadêmica de estudantes dos países parceiros.

A nova universidade será localizada no município de Redenção, no maciço de Baturité, a 66 quilômetros de Fortaleza. De acordo com a secretaria, a previsão é de que as obras do campus comecem em meados de 2011. As atividades acadêmicas terão início este ano em instalações provisórias em Redenção, em prédios cedidos pela prefeitura local.

A previsão é de que a Unilab atenda a 5 mil estudantes presenciais de graduação, dos quais 50% serão brasileiros e 50% originários de países parceiros.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Brasil tem dívida histórica com africanos, afirma Lula



Ao comentar a série de visitas feitas na semana passada a países africanos, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou hoje (12) que o Brasil tem uma dívida histórica com o continente. Segundo ele, a África não deve ser tratada como algo secundário, mas como prioridade pelo governo brasileiro.

“É muito importante para o Brasil fazer essas viagens porque o Brasil, primeiro, tem compromissos históricos, compromissos políticos de ajudar o Continente Africano a se desenvolver”, disse. “O Brasil tem uma dívida histórica com os africanos, e nós achamos que essa dívida não pode ser paga com dinheiro. Ela é paga com solidariedade, com gestos políticos e com ajuda”, completou.

Em seu programa semanal de rádio Café com o Presidente, Lula destacou projetos desenvolvidos pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) em Gana e lembrou que a balança comercial entre o Brasil e a África passou de US$ 5 bilhões em 2002 para US$ 26 bilhões este ano.

O presidente visitou, ao todo, seis países africanos: Cabo Verde, Guiné Equatorial, Quênia, Tanzânia, Zâmbia e África do Sul. Lula retornou ao Brasil no sábado (10).

(Da Agência Brasil)

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Movimento Hip Hop promove encontro em Palmas



Os representantes do movimento Hip Hop de Palmas se reúnem neste sábado, 26 e domingo, 27 no Colégio Estadual Criança Esperança, na 303 Norte. O encontro é fruto da parceria entre a Associação Palmas Hip Hop e o Movimento Hip Hop da Floresta.

Na pauta do encontro estão palestras e debates quanto à atual conjuntura do movimento na região Norte, gestão cultural, social e política das entidades, além de uma oficina de informação e mobilização sobre o edital do Prêmio de Hip Hop - Edição Preto Ghóez, lançado pelo Ministério da Cultura.

As atividades serão coordenadas pelo articulador regional do Movimento Hip Hop da Floresta, Preto Michel, de Belém- PA.

Também serão feitas gravações com grupos de rap, b.boys, grafiteiros e Dj’s para o documentário “Guardiões da Floresta- O espírito guerreiro do movimento Hip Hop na região Norte”, produzido pelo Movimento Hip Hop da Floresta, com o objetivo de divulgar as ações do segmento na região.

(Polyana Pegoraro)

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Mundial de Futebol na África do Sul e o HIV



Por Michel Sidibé*

Enquanto os fãs do futebol do mundo inteiro chegam a África do Sul para torcer pela sua equipe favorita no Campeonato do Mundo de 2010, não devemos perder de vista um hóspede indesejável – o HIV.

Por que é que devemos falar do HIV durante o Mundial?

Por dois motivos. Primeiro, um evento esportivo tão celebrado, como é o Mundial, pode favorecer a propagação do HIV através da combinação do álcool com o sexo inseguro. Segundo, durante os 90 minutos que dura uma partida de futebol cerca de 80 crianças recém nascidas se infectam via transmissão vertical, ou seja, da mãe para o bebê.

Porque temos os meios para deter esta tragédia, temos de agir – Hoje!

Algumas estrelas do futebol e os Embaixadores de Boa Vontade do Programa Conjunto das Nações Unidas para o HIV e Aids (Unaids), Emanuel Adebayor do Togo e Michael Ballack da Alemanha, uniram forças ao Unaids para lançar uma campanha mundial para prevenir que bebês se infectem.

A campanha visa mobilizar a comunidade futebolística para mostrar o “Cartão Vermelho” à aids e eliminar a transmissão vertical até 2014, quando o Mundial de Futebol será disputado no Brasil.

Até o momento, os capitães de equipes de países, como Austrália, Camarões, Costa do Marfim, França, Gana, Grécia, Nigéria, Paraguai, Sérvia, África do Sul e Uruguai assinaram um apelo comprometendo-se a usar o poder e a divulgação do futebol para criar uma geração livre do HIV.

Sabemos que é possível eliminar a transmissão do HIV de mãe para o filho. Nos países com rendimentos elevados, as taxas de transmissão caíram de 25 por cento para entre um e cinco por cento nos últimos anos, à medida que o teste de HIV em mulheres grávidas, o uso de medicamentos antirretrovirais durante e após o parto, e a contracepção, se tornaram amplamente disponíveis.

Esses sucessos estão agora a ser reproduzidos em países como o Botsuana, Namíbia e Suazilândia.

Mas é necessário fazer mais. Na maior parte da África, apenas 45 por cento das mulheres grávidas soropositivas têm acesso aos medicamentos contra aids para prevenir a transmissão do HIV para os seus recém-nascidos, e apenas 28 por cento das mulheres grávidas são testadas para o HIV. Em muitos países africanos, a pandemia tornou-se a principal causa de morte entre os latentes e as crianças.

Em Moçambique, estima-se que cerca de 149 mil gestantes em 2009 eram soropositivas e 45.8 por cento delas receberam antirretrovirais para a prevenção da transmissão vertical.

Moçambique está se empenhado na eliminação do HIV pediátrico e na implementação de orientações revistas para assegurar a qualidade e a expansão da provisão de serviços.

Têm-se notado progressos na África do Sul, o país anfitrião do Mundial. Nos últimos meses, o Governo sul-africano mostrou uma forte liderança sobre a problemática da aids, com o lançamento em todo o país de uma campanha de testagem e de tratamento do HIV.

No ano que vem, essa campanha pretende proporcionar, gratuitamente e numa base rotineira, o aconselhamento e o teste de HIV para 15 milhões de pessoas, cerca de 2,5 milhões mais que em 2009 – um aumento de seis vezes em apenas dois anos. Igualmente cerca de 1,5 milhão de pessoas receberão terapia antirretroviral até junho de 2011, cerca de um milhão mais que em 2009.

Quanto mais mães conhecerem o seu estado sorológico e quanto maior for o acesso ao tratamento contra aids e à contracepção, maior é a expectativa de que as taxas de transmissão do vírus caiam consideravelmente. Com combinações mais eficazes de antirretrovirais, a África do Sul pode avançar para a eliminação da transmissão vertical.

Se a África do Sul, o país com o maior número de pessoas vivendo com o HIV, puder quebrar a trajetória da epidemia, haverá esperança que outros países participem na divulgação da resposta à doença.

Enquanto a febre do futebol se espalha por todo o mundo, vamos fazer tudo o que pudermos para parar a propagação do HIV. Não temos nenhuma desculpa.

*Michel Sidibé é Diretor Executivo do Unaids

domingo, 20 de junho de 2010

A função social do patriotismo...



Por Maria José Cotrim

Desde que começou a copa do mundo desse ano algo tem ganhado meus pensamentos. O papel social da copa? Pensar nisso numa época em que todos estão com as casas enfeitadas, com camisetas do Brasil outros compraram até televisão nova só para assistir aos jogos da copa parece idiotice.

Mas para mim outros aspectos são tão mais idiotas do que essa reflexão. O que traz a copa? Muitos dizem que esperança, que união entre a nação. Durante um mês? Qual o significado do futebol para os brasileiros?

Interessante pensar em todas essas perguntas para pelo menos tentar analisar o que está por trás de toda essa movimentação para a Copa. O primeiro ponto que levanto é o patriotismo que assola de norte a sul do país e ainda em todas as classes sociais. Patriotismo esse que em épocas não muito distantes não existia na classe média quando a inflação assolava a economia brasileira e muitos tinham vergonha de assumir a nacionalidade.

Bater no peito e dizer que é brasileiro está na moda nesse mês. O Brasil literamente pára em torno de 23 jogadores, os ícones do futebol brasileiro. Para os jogadores o Brasil conquistando o Hexa ou não os benefícios são garantidos com a possibilidade de vários contratos fora do país e ainda muita publicidade agregando a imagem a grandes marcas.

Acredito que se uma causa social fosse agregada à copa o patriotismo teria com certeza uma conseqüência maior. Porque não ficaria apenas no discurso e nos gritos de “GOL” e atingiria a melhoria de vida de muitas pessoas.

Hipocrisia nada é atitude mesmo. O que fazemos pelo pais que tanto amamos, principalmente a classe média? Aí é só lembrar que esses “caras” que andam no carrão do ano e que arrecadam muito durante o ano não gostam muito de dividir. Gostaria de perguntar à senador Kátia Abreu por exemplo como ela exerce seu patriotismo...Sim, pois ela é uma das que mais criticam programas sociais como o Bolsa-família e outros.

Se “dividir” com quem não tem não é a melhor solução ou é apenas “assistencialismo político” como melhorar o Brasil então? Dificil de responder e até de discutir com grande parte dos alienados de plantão...

Mas a copa poderia ter sim uma abrangência social maior álém do entretenimento e diversão para os brasileiros.Com todo o capital que gira em torno da competição e com tanto espaço na mídia mundial pensa num impacto que uma causa social agregada à copa pode causar!

sábado, 12 de junho de 2010

Marina diz: "Sou mulher e negra"...E DAÍ?




Por Maria José Cotrim


A senadora do Acre, Marina Silva assim como os outros presidenciáveis homologou sua candidatura à presidência da República. Algo me chamou atenção no discurso de mais de uma hora que a candidata do PV fez na convenção.

“Serei a primeira presidente mulher e negra desse país a partir do dia 1º de janeiro de 2011”, disse ela. A frase é forte. Imagino que poucos analisavam o perfil da candidata desta forma. Como uma mulher negra.

Marina vem para a disputa com 8% de preferência do eleitorado e quer imprimir a marca da luta das mulheres e também da participação do negro na política brasileira. A bandeira da mulher a Dilma tem também. A do negro, Marina pretende levantar sozinha.

Qual a participação do negro na política no Brasil onde somos maioria da população? Para muitos cientistas políticos essa não é a maneira correta de analisar. Quando falo em inclusão na política é para provocar a participação dos movimentos populares e das entidades do movimento negro nesse eixo.

O foco não é na quantidade mas na fortaleza e abrangência da temática da Igualdade Racial. Vamos pelo Tocantins: Quantas emendas parlamentares foram destinadas para ações e projetos do movimento negro e da sociedade civil? E para a melhoria da Infra-estrutura das comunidades quilombolas? Nenhuma.

A “Falha nossa” veio de quem? De todas as partes envolvidas! Quantos deputados já usaram a tribuna da Assembleia Legislativa ou apresentaram projetos de lei que foram aprovados em prol da Igualdade Racial no Estado e incentivando a implantação das políticas públicas?

Vi a assessoria de imprensa da deputada estadual do PT, Solange Duailibe, encaminhar release onde a parlamentar defende veemente a obrigatoriedade, como estipulado em lei, do ensino da cultura afro nas escolas tocantinenses. Vi o presidente da Assembleia legislativa, Júnior Coimbra (PMDB) falar em poucas palavras durante o evento no dia da Consciência negra a um grupo de militantes que a “Assembleia Legislativa está à disposição”.

Mas muita coisa ainda não vi nesse Estado. E é a através da representação qualitativa nessas eleições de outubro que tudo pode mudar. Barack Obama é o símbolo da ascensão social política do negro, a prova de que a abertura desses novos tempos ultrapassa o colonialismo político.Quer Marina então pegar carona nessa onda? Há quem acredite que sim...

Aqui no Brasil quando teremos esse marco? Presidencialmente falando, quando? O apresentador de TV, Netinho de Paulo é pré-candidato ao Senado, o ex-ministro da Igualdade Racial Edson Santos são ícones que buscam essa representação étnico-racial forte na política contando com os votos das lideranças do movimento.

Mas e a profundidade? A abrangência da temática sendo pautada pelos parlamentares desse país? Falta isso e é possível perceber sem muito esforço basta acompanhar o processo demorado para a aprovação do Estatuto da Igualdade Racial.

A Marina assumir sua identidade étnico-racial na sua caminhada política abrirá a mente de muitas pessoas. Basta ver o que ela traz de propostas concretas anexadas à essa temática no seu discurso.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Velado mas continua ali guardado...




Por Maria José Cotrim


Vi uma pesquisa na qual 90% dos entrevistados responderam que não são racistas. Opa. Quase unanimidade! Mas de que racismo estamos falando... para mim isso varia do conceito da palavra que cada um tem...

O Movimento negro luta para que as atitudes de discriminação racial sejam consideradas crime. Algumas já são. Porém discute-se ainda no meio acadêmico qual o critério para considerar crime de racismo.

Poucos consideram discriminação as piadas que existem por aí de esquina a esquina e que reproduzem estereótipos com relação ao negro. Já outros acham que são cruciais na contribuição para a manutenção da discriminação.

O que é para quem passou a infância toda sendo chamada de “Boneca do cão brincar” ouvir esse termo em uma das várias piadinhas que existem e dão apelidos “engraçadinhos” para alguém? É discriminação?

Minha mãe é conhecida na minha cidade apenas por Nega se alguém chamá-la de Maria Aparecida ninguém conhece. Pro popular é Nega. Uma senhora desatenta exita em sempre chamá-la de “Negra” e chega puxar o r para mostrar a diferença do termo. Para minha mãe o tonzinho diferente que a tal senhora quer dar configura discriminação.Será?

Esses dias almoçando o dono do restaurante disse para a garçonete levar o almoço para um senhor negro que estava na sua frente, este por sua vez minutos depois perguntou em voz alta: “Eu pago é pro branquelo ali?”. Quando ele saiu o dono do empreendimento não perdeu a piadinha: “Se fosse eu que chamasse ele de negão poderia até ir preso”, disse.Piadinha de mal gosto?

Particularidades á parte mas que demonstram que a discriminação velada é o que mais tem por aí. Para diagnosticar? É só ter o “negrômetro” ligado. “Não deixe que ninguém te humilhe por uma simples pele que cobre o corpo!”, ouvi esses dias e gostei.

Falar em discriminação parece para muitos algo “fora da realidade”, uma atitude de quem tem mania de perseguição.Mas comigo é diferente: fico de olho vivo. Senso de humor não se confunde com preconceito velado.A questão história ainda está viva para alguns retrógrados que insistem em ignorar a Igualdade Racial. Não agüento discurso pronto e acabado de que não existe preconceito racial.

Já fui barrada em festa de aniversário por ser negra, até hoje sou alvo de piadas por causa do cabelo.... “os cabeças ocas” falarem é normalíssimo. O segredo é se impor. Vesti-se da identidade étnico-racial e não abaixar a cabeça. Eu não abaixo a minha.

Vale citar um grande amigo, professor de história e sociólogo, Luiz Benedito: “Se pinta de preto que você vai sentir na pele”.

Para quem se esconde atrás da prepotência de achar que por um pouco a mais ou menos de melanina é melhor que os outros sugiro uma lavagem celebral. No mais não se iludam, nem se acostumem....eles estão ainda soltos por aí. Denuncie!

segunda-feira, 7 de junho de 2010

COPA 2010: É a África no centro do mundo...




Por Maria José Cotrim

AYÊ COMPANHEIROS!

Contagem regressiva para o começo da copa deste ano. Seleções, jogadores, torcidas...todos à postos na expectativa para o maior mundial de futebol que representa mais que um campeonato: É a voz das nações.

De todas as coisas interessantes que me chamam atenção na Copa a principal é o enfoque que os veículos de comunicação na África. A abordagem mostrando a superação da Segregação nos países mostra um papel social, importante e essencial da mídia mundial.

No Brasil...os canais não têm desconsiderado em suas coberturas a questão social no país. O cotidiano de quem muito superou e acima de tudo a esperança. Sim...é a marca da esperança que a Copa leva para o continente que tem imperado nas coberturas.
Outro ponto: A relação do africano com o Brasil . A intimidade com a seleção, com os jogadores que mostram a ligação através de um passado cronologicamente distante mais historicamente vivo.

Num ano em que o mundo volta os olhos para a Àfrica é preciso perceber que o continente supera uma época difícil socialmente falando. Não é só de imagem...de mostrar o negro que eu to falando.

Falo é de intensidade. A famosa intensidade que é tão presente nos meus textos. Mostrar o negro como um sujeito “senhor de sua própria história”. Vender a África de uma maneira viável e benéfica. Publicitariamente tem sido um ganho incalculável o fato do continente sediar o mundial de futebol.

Da CocaCola até outros gigantes da publicidade...É a África no centro. É o olho voltado para onde tudo começou um dia...de forma diferente e opressora mas marcante. A copa para a África é um pretexto.,...uma ocasião. O que fica e o que traz a disputa mundial é que pode com certeza contribuir para a melhoria social dos países e ainda no resgate da cidadania daquele povo que tem como lema: a esperança!

Alguém ainda questiona a abordagem positiva da qual eu sempre falo? É o instrumento de poder....a comunicação fazendo seu papel social de contribuir. Quem ganha a Copa? Não sei...Mas a África com certeza já ganhou!