segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Os Capueiras e o desafio de manter uma família unida e forte



Por Maria José Cotrim

Vi e co-participei de uma cena esse fim de semana. Não querendo fazer desse espaço um diário mas realmente me intrigou uma reunião de família da qual participei neste domingo, 27. Era a comemoração dos 64 anos de casamento de um famoso casal que educou 13 filhos e mais de 30 netos...

Com grande parte da família reunida era visível a união. E, depois quando foi anunciada uma reunião primeiro com os irmãos, depois com os jovens e depois com as mulheres da família fiquei mais intrigada ainda. Num mundo em que perdemos tantos jovens para os vícios será que atitudes como essa fazem a diferença?

Tenho certeza que sim. Com a banalização dos relacionamentos e com o esquecimento parcial ou total da formação da família e dos valores e preceitos fundamentais fica difícil controlar a vida dos filhos e proporcionar uma vivência harmoniosa entre os familiares. A família é conhecida como “Os Capueiras”.

O patriarca, Sr. Sebastião,contou-me alguns segredos que parecem impossíveis num mundo em que o computador toma mais tempo do que uma boa conversa em família. “È obrigação de cada um fazer sua parte na família”, disse ele. O fato é que o natal ainda é talvez a única ocasião em que a família se sinta na obrigação de estar reunida em volta da mesa.

Se falta estrutura dentro da própria casa tudo sai do lugar...essa foi a mensagem passada ontem num ambiente em que a comida, as histórias e a harmonia familiar prevaleceram. E, externando ainda esse desejo de união, a família tem uma Associação que presta serviços à comunidade: A doação ultrapassou os laços familiares e beneficia também outras pessoas.

Minha mensagem hoje é a de que o argumento da falta de tempo não cola mais. Se falta tempo para a família, para o diálogo... com certeza isso vai se refletir nas ações dos integrantes da família. Não sei se em pleno século XXI a família está entre os quesitos mais importantes para as pessoas, mas tenho certeza que ela ainda é o melhor caminho para uma vida mais saudável em sociedade.

Sem discursos moralistas: pergunte a um adolescente que nunca estudou porque ele vende droga? A um homem que cresceu na favela e está preso porque roubou?Porque faltou família, faltou base...o caule é fraco,as folhas e frutos também porque não houve raiz. Que em 2010 cada um busque uma reflexão em torno dos valores familiares. Eu tenho o privilégio de estar entrando na família Capueira, já com a meta de fazer minha parte para fortalecer a união entre a querida “Raça”,como é chamada por alguns.

sábado, 26 de dezembro de 2009

Fim de ano expõe despreparo das empresas de transporte no Tocantins



Por Maria José Cotrim

O Procon é um dos órgãos com a função social mais necessárias à população mas infelizmente ainda não é muito conhecido entre os populares, por que se fosse, com certeza algumas empresas prestariam um serviço de mais qualidade. Se para o consumidor é preciso se preparar, em todos os sentidos, para este clima de natal que envolve o mundo, para quem presta serviços a regra não é diferente.

Viagens, presentes, festas...tudo tem que ser planejado. E é a falta dessa palavra “planejamento” que me levou hoje a escrever sobre a falta de preparo de algumas empresas de transporte alternativo para lidar com o intenso aumento no fluxo de passageiros que decidem viajar nessa época de fim de ano.

Não é preciso ser empreendedor nem ter muito estudo para saber que se a demanda aumenta a oferta imediatamente tem que acompanhar, essa é a primeira falha de algumas empresas. No trecho de Palmas a Gurupi por exemplo, uma empresa colocou mais um ônibus que saí diariamente ás 13 horas, só que esqueceu de alguns detalhes: o ônibus “extra” era menor e esqueceram ainda de avisar os passageiros que aguardam costumeiramente nos outros pontos da saída da cidade e ainda na Sub-Rodoviária de Taquaralto.

Até o motorista revelou que não estava meio por dentro do assunto. “Ta vindo outro aí atrás”, disse ele a um grupo de doze pessoas que aguardavam na Sub-rodoviária. Detalhe: não tinha outro ônibus. A ordem da empresa era para não pegar nenhum passageiro que estivesse sem passagem. Um outro significativo detalhe foi deixado pra trás: as pessoas não sabiam disso.

Algo que chamou também minha atenção, pois estava em um desses ônibus é a falta de preparo e de paciência do motorista, que no mínimo deve ser mal amado ou coisa parecida, e acha que todo mundo e culpado disso. Quando um rapaz lhe pediu o telefone da empresa para pedir que encaminhassem mais um ônibus ele disse: “Moço, num sei o telefone não”. Na boa: Ou ele é um funcionário tão desinteressado que nem o telefone da empresa sabe ou é um inocente hipócrita.

As pessoas estavam desesperadas, gente que estava desde as seis da manhã aguardando um ônibus e todos passavam mas não pegavam por causa da “bendita passagem” que ninguém nem sabia que tinha que ter.Os argumentos eram muitos : carne que estragou com a demora, parente doente..tinha gente até que tinha que pegar ônibus em outro município e já estava com passagem marcada.

Mesmo que esse ano o fluxo tenha superado as expectativas das empresas que rodam no interior, a falta de preparo era notável. Faltou iniciativa de algumas empresas que com certeza perderam até a oportunidade de faturar mais se tivessme monitorando a quantidade de passageiros e colocado ônibus de acordo com a demanda.

E nessa confusão que se repetia a cada rodoviária e/ou ponto de ônibus restou aos passageiros que conseguiram lugar no ônibus aguardar sentados nas poltronas com a certeza de que a chegada nos seus destinos iria com certeza atrasar...

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

O que fica em 2009 e o que vem com 2010?



Por Maria José Cotrim

“Que os sonhos se realizem, muito dinheiro no bolso, saúde para dar e vender...” diz um canto de natal típico das ceias natalinas em família. Mas fim de ano, natal e ano novo podem até não mexer de fato internamente no ser humano mas que o povo finje bem, é certeza! O clima de cordialidade de confraternização abafa por alguns dias os fatos marcantes diários que afetam a vida em sociedade.

Mas que pelo menos tentamos fazer de fato uma reflexão do que fizemos e do que almejamos, ah isso sim. Bem...vamos lá! Tenho motivos de sobra para pensar em 2009 e planejar 2010 porque em minha ainda curta mas intensa história de vida esse ano foi o que eu mais tive que aprender a dar o tal do “valor absurdo na vida” que tanto falam.

Comecei o ano sem metas e resolvi morar a 40 km de Palmas, como nada tinha sido planejado... retornei meio endividada só com a cara e a coragem após dois meses de regalias e me permitindo aos bel prazeres da vida de uma jovem “rebelde”. Depois dessa de “eu não sei pra onde vou” até que consegui resgatar uns espaços perdidos e evoluir como pessoa...Intensifiquei as atividades no movimento negro, to morando como Mário que sempre faz umas “consultas psicológicas’ de graça, conheci a professora Maria Aparecida que me implusionou a correr atrás dos sonhos...

Fui à Brasília doze vezes, pra São Paulo com meu melhor amigo Glauber, que aliás é um grande “bem” que levo de 2009. Encontrei um grande amor em 2009...estudei muito sobre Comunicação e escrevi constantemente sobre “Igualdade Racial”... Retornei ao Site Roberta Tum, de onde nunca deveria ter saído devido ao crescimento profissional que este veículo me proporciona....

Vi muita gente famosa de perto como meu ídolo, o jornalista Maurício Pestana e o Milton Gonçalves que vale ressaltar...disse que eu pareço a filha dele. Mas o que mais levo de 2009 para 2010 é que esse ano comecei a trilhar um caminho rumo às minhas pretensões profissionais, fiz realmente sem exagerar....muitos amigos e companheiros do movimento pelo Brasil afora.

E como ninguém é perfeito...dei muita dor de cabeça prum povo aí que se incomoda com a felicidade alheia. Mas o saldo é positivo... Que venha 2010 para que Maria José continue na luta e na lida, como costumo dizer, na luta pela Igualdade Racial e consciente da necessidade da contribuição para um mundo mais justo. Fica em 2009 todas as mágoas e ressentimentos, vem com 2010 a esperança de dias melhores e a certeza de que como diz nosso presidente Barack Obama: “SIM,NÓS PODEMOS!”.
AYÊ E FELIZ NATAL A TODOS!

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

As domésticas negras e o possível piso salarial de R$ 620



Por Maria José Cotrim

Com o fim de ano vem a falsa impressão de que vem mais dinheiro no bolso. A expectativa pelo décimo terceiro é tão grande que muitos já gastam o “salário extra” antes mesmo de dezembro.Mas dentro desse assunto hoje eu li uma manchete nacional que me fez refletir.

A notícia dizia que no Rio de Janeiro já começaram as negociações para o reajuste do piso regional de 2010. Mas o que abismou é a projeção para o aumento do salário das domésticas que segundo a proposta do Conselho Estadual do Trabalho pode saltar de R$ 512,67 a R$ 620,33.

Segundo a informação, o piso beneficia hoje mais de 1,8 milhão de empregados da iniciativa privada no Estado do Rio. Pena que a realidade é diferente e preocupante. O piso com valor maior vai de fato, chegar no bolso das trabalhadoras domésticas? E as situações de trabalho são dignas como estabelece a Constituição?

A relação ainda é servil ou de compartilhamento de atividades?Essas perguntas refletem como ainda é preciso repensar essa questão, isso porque ainda não disse que conforme os dados atuais revelados pelo Ministério do Trabalho, as mulheres negras ganham menos que as brancas. È fato!Como domésticas, as negras recebem um salário 50% menor, chegando a trabalhar até 12 horas por dia.

Outra questão é com relação às atribuições, os dados mostram ainda que as domésticas negras desenvolvem tarefas que estão fora de sua área profissional, como outros serviços não tem nada a haver com os serviços domésticos.

E nem precisa de pesquisa para saber que embora as domésticas façam além das obrigações básicas não são reconhecidas e ganham muito menos do que é estabelecido.
Sem discurso moralista mas trabalhando com os fatos.... o que se vê no fundo das cozinhas ainda é alarmante principalmente nos interiores.

Esse piso salarial é um avanço em termos trabalhistas e de assegurar os direitos destas trabalhadoras mas precisa ser incorporado na realidade e para isso é preciso mobilização do poder público e destas bravas mulheres fazendo cada uma sua parte na luta contra a exploração do serviço doméstico.

Ouvi um dia desses que ser mulher já é difícil. Mulher e negra então...pior ainda e se for mulher, negra e doméstica é o fim.... Tá na hora de começar a mudar isso!

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Apagão em Brejinho de Nazaré: Formatura à moda Celtins



Por Maria José Cotrim

O que poderia entrar para a história do município de Brejinho de Nazaré como um show à parte de glamour e realização de sonhos ficou infelizmente marcado apenas como uma noite às escuras. Estavam todos e todas lá lindos,,,, bem vestidos numa beca que só! O que falo não pude ver pessoalmente não só pela falta de luz mas porque como muitos nem cheguei a ir até a igreja da pequena Brejinho de Nazaré neste sábado, 19 de dezembro.

Depois de meses na preparação e na expectativa na hora H de colar o grau solenemente para fechar os anos de ensino médio, a energia do município de Brejinho foi-se embora. Só foi a chuva ameaçar cair e ela já se foi.À espera na igreja estavam os pais,mães,professores,parentes e principalmente eles...as estrelas da festa:os formandos!

Sem saber o que fazer com a demora para a luz voltar, a direção optou por improvisar e fazer a cerimônia à luz de velas. O fato não agradou é claro, mas foi o mais viável diante da situação já que a esperança era que a energia voltasse à qualquer momento. Pena que isso só aconteceu por volta das 23 horas,depois de tudo terminado.

Mesmo sem luz, quem participou narrava no dia seguinte a insatisfação dos alunos que formaram. Tanta preparação foi “abafada”por uma queda de energia. O baile da noite também foi cancelado e transferido para o outro dia. Tive o prazer de ser convidada para ser a madrinha da turma e resolvi aguardar a energia voltar para ir para a cerimônia....Mas como alguns formandos que tiveram a mesma atitude perdi a colação de grau.

Mas é inevitável não dar razão aos deputados estaduais que reclamam da freqüente queda de energia nos municípios do Estado. Paulo Roberto (PR) disse que Taguatinga ficou uma noite toda à luz de celulares por falta de energia... Em Ananás, segundo o deputado César Halum (PPS)” È só um cachorro fazer xixi no poste e a energia já vai embora”, disse ele um dia desses em plenário.

Uma audiência pública para discutir o assunto foi marcada na Assembléia, mas encima da hora teve que ser desmarcada e provavelmente aconteça apenas no próximo ano. Como pagar caladinho a conta do fim do mês e não cobrar uma prestação de serviços de qualidade?se a reclamação é geral...onde está o problema?É incoerente o Tocantins ser um Estado gerador de energia e viver esse mal com tanta freqüência...

Até o governador Carlos Henrique Gaguim (PMDB) já reclamou da atuação da empresa responsável pela prestação dos serviços de energia no Tocantins. A solução seria mesmo então vender a Celtins como quer o governo?Só sei que enquanto não forem tomadas medidas concretas com relação á esse assunto não serão só formaturas que terão que acontecer `as escuras outros danos fatais podem acontecer. Tem gente que precisa da energia para viver, guardar remédios e até para salvar vidas!

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

A desbotada e o Made in África de “Caras e Bocas”



Por Maria José Cotrim

Quem assiste a novela global Caras e Bocas que em alguns estados, em virtude do horário de verão, passa ás oito horas, no caso do Tocantins pode poupar as idas á espetáculos de comédia. Não tem como não se divertir com as trapalhadas do casal Caco e Aláide que tem no centro da trama uma relação marcada pela diferença de cor.

Caco, um moreno pedaço de mal caminho, vale ressaltar,é chamado pela família de Alaíde de “Made in África”, já a mãe dele apelidou a nora Alaíde de “desbotada”.Os termos fazem alusão á questão da cor, mas não só isso. Entendo que o autor quis mostrar a aceitação ou falta dela entre relacionamentos afetivos de uma forma diferente. Em nada dá para comparar no contexto vivido por Débora Falabela e Lázaro Ramos em "Duas Caras"em que o favelado ganhou o amor da patricinha Donzela.

Não noto em nenhum momento da trama que a implicância vai além dos termos pejorativos. Não sei se vibro ou me preocupo com isso, pois do mesmo jeito que a troca de farpas entre os integrantes da família se manifesta de forma superficial, ela reforça o que existe no consciente social de muitas pessoas.

Quantos casais não já foram impedidos de ficar juntos por causa da cor? Inúmeros! Quando me relacionei com uma pessoa a mãe dele disse que queria netos gêmeos um preto e um branco. “O branco você me dá e fica com o preto”, disse ela certa vez. Velado ou não esse preconceito na formação das famílias ainda é um obstáculo para a sociedade.

Ouvir um companheiro do movimento dizer que ainda é de abismar quando se vê uma loira beijando um homem negro. A questão é cultural e reflete o padrão eurocêntrico ainda existente nas famílias brasileiras. Na relação de Caco e Alaíde é bem explícito a questão cultural ainda imbutida e enraizada e um detalhe: das duas partes!

Não sei até que ponto cada um dos milhares de brasileiros que acompanham a novela levam em consideração os freqüentes “bate-bocas” da trama pela questão racial... nem até que ponto o autor consegue tocar na questão e reproduzir um pouco da realidade.Isso só os Cacos e Alaídes da visa real é que podem dizer!

sábado, 12 de dezembro de 2009

Disney lança filme com primeira princesa negra da história



A princesa e o sapo' chega aos cinemas neste fim de semana.
Heroínas ganham reforço com Tiana, a primeira negra do time.


Neste fim de semana, chega aos cinemas a animação ‘A princesa e o sapo’, mais uma aposta da Disney em sua turma de princesas, que é fenômeno entre meninas de todo o mundo. O novo longa-metragem apresenta a princesa negra Tiana, que traz diversas inovações ao time em relação à forma que representa a mulher no imaginário das crianças. Conheça mais sobre a personagem:

TIANA
‘A princesa e o sapo’ (2009)


Em tempos de Barack Obama, a Disney aposta na primeira heroína negra da história do estúdio. O cenário também é inusitado, a New Orleans do início do século, na era de ouro do jazz. Tiana é a primeira do panteão de princesas a trabalhar fora, como garçonete, mas acaba servindo uma branca rica. Apesar de sua beleza, ela passa a maior parte do filme transformada em um sapo, ao lado de um príncipe boêmio, falido e amaldiçoado, longe de estereótipos anteriores. E desta vez, a mocinha é a racional da história, e ele é o romântico.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Um Canto para a Liberdade



Por Maximiano Bezerra*

O Tocantins é um dos quatro Estados integrantes do chamado ciclo do ouro ocorrido nos séculos XVll e XVlll e que portanto teve a sua origem e desenvolvimento na exploração da mão de obra escrava africana.

Segundo o censo do IBGE ano 2000, cerca de 75% da população do Tocantins se declara como negra, portanto a maioria absoluta. Entretanto, esse percentual ainda não foi suficiente para que essa população seja contemplada nos organogramas das instituições de Educação, de Cultura, de juventude e de turismo, nem pública e nem privada.

Em se tratando da lei 10.639/2003, O Tocantins é o único no território nacional que não possui em nenhuma de suas secretarias de educação uma diretoria, coordenação, ou correlato que cuida da implantação e implementação dessa lei.

Para que possamos entender a importância dessa lei, ela foi uma das primeiras que o presidente Lula criou logo que se tornou presidente. Uma lei que tem o propósito de evidenciar uma parte importante da História do Brasil que por séculos foi negada, a História dos afrodescendentes que contribuíram diretamente para o desenvolvimento de nossa nação em todos os aspectos e que por questões óbvias até o momento não foi se quer inserida no currículo escolar.

Uma lei que põe em evidencia a discussão contra o racismo no ambiente escolar; uma lei que proporciona ao aluno negro e não negro a oportunidade de conhecer a contribuição da História africana na formação de nosso povo.

A não efetivação dessa lei como política de governo envergonha e exclui milhares de alunos negros que hoje povoam as salas de aulas das instituições de ensino do Tocantins do acesso à sua História, sociedade e cultura.

Negar a contribuição da população negra na História do Tocantins é supervalorizar a História de apenas cerca de vinte por cento da população.
A finalidade desse texto é manter viva a História dos milhares de negras e negros vieram para o Tocantins no período mais inóspito de nossa História e aqui deram suas vidas literalmente para construir as riquezas que hoje usufruímos.

É para que o grande sonho da liberdade pelos quais tanto lutaram não emudeça.
E quando o grande dia da esperança chegar a cada lar e em cada coração encontrar uma porta aberta haveremos de celebrar aquele que será o grande dia que entrará para História como o maior canto que a humanidade pode entoar...
Nesse dia o povo negro cessará a sua marcha em favor de cotas, ou de políticas afirmativas;

Nesse dia o povo negro iniciará uma dança infinita;
Nesse dia o povo negro sentirá orgulho do seu trabalho e da sua cultura;
Nesse dia gritaremos com alegria o grito que nossos antepassados não conseguiram proferir... Viva a liberdade! Viva a liberdade!! Viva a liberdade!!!.

(Maximiano é historiador,presidente do Fórum Estadual de Educação e Cultura Afro-Brasileira do Tocantins,poeta e escritor)

Alguns discursos "em prol" da Igualdade Racial no Tocantins

Bom dia Companheiros... sexta de branco...De Oxalá! Hoje resolvi ousar um pouco e falar de uns homens que se fazem presentes na luta pela Igualdade racial do Estado. Infelizmente se dependêssemos da defesa deles para nossa causa estaríamos literalmente ferrados.

Um deles Chegou a pouco tempo e nessa de composição de governo acabou sendo cotado para assumir uma secretaria.O nobre cidadão, que nada tenho contra,me impressionou com um discurso que proferiu em um certo evento na capital. “Os quilombos ...os quilombolas....(>>>) OS QUILOMBOS E QUILOMBOLAS”, disse ele. Não deu para disfarçar realmente ele não sabia a que tava se referindo e na dúvida foi até inteligente e colocou os dois termos.

Tranquilo...até entendo a falta de informação sobre o tema mas custava ao menos dar uma lidinha antes?Fui conversar de perto com o cidadão e ele tinha na ponta da língua o número de comunidades quilombolas do Estado... pena que ele também não sabe se o “Estado pode...não pode....aliás pode” implementar algumas políticas para a comunidade negra.

Um outro homem, este por sua vez político de grande notoriedade no Estado ficou perplexo quando chegou em um evento da capital e a temática era a igualdade racial.Sem ter o que falar sobre o tema, usou sua lábia política e seus 5 minutos de fala para ressaltar a trajetória de uma profissional da comunicação que estava presente no evento. Ainda bem que ela estava no evento senão não sei mesmo o que ele iria falar a não ser: “O racismo existe, inclusive na escola....e estamos à disposição para qualquer coisa, obrigado”.

Um outro discurso marcante foi de um representante do Estado que errou o nome de uma das comunidades quilombolas do Estado (isso porque o discurso dele estava sendo lido...). “Temos a comunidade de MOLHADINHA...”, disse ele seguindo o discurso até que sua assessora deu um toque. “É MALHADINHA ...”,falou ela desesperada diante do riso de algumas pessoas presentes que perceberam a garfia.

Falta de informação ou de conhecimento eu não sei. Pode ser normal que esses equívocos levem essas personalidades a se referirem á causa da igualdade racial com tanta... falta de atenção.Não estou aqui para julgar é só para mostrar que a inserção da temática nos espaços de poder e junto aos líderes políticos ainda é fraca. Desde errar o nome de uma comunidade quilombola de forma bizarra até a não ter o que falar e se apegará homenagens oportunas e superficiais à alguém presente.

Mas certo mesmo está é o representante maior do nosso Estado que foi mais precavido e resolveu nem falar da temática até hoje desde que assumiu...prefiro nem pensar o tipo de garfia que ele iria dizer sobre o tema. Mas quem sabe depois de cobrar de Barack Obama o desenvolvimento do Estado lá no exterior...ele não volte um pouco mais sensibilizado com a causa.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

O direito nem sempre vem acompanhado do respeito...



Por Maria José Cotrim

Caros amigos... Nesta quinta passei uma manhã meio turbulenta em que tive que vencer meus medos e vestir a face de uma mulher determinada e consciente dos direitos. Hoje senti na pele que grande parte da população é acomodada com relação a cobrar seus direitos, por menor que ele seja.

Ao enfrentar uma etapa única de batalha judicial para conseguir receber valores referentes ao trabalho que prestei junto á uma empresa de Comunicação, me passou um filme na cabeça.Eu naquela sala com toda aquela pressão de olhares e bate-boca e dentro do peito um sentimento de que o DIREITO deveria falar mais alto e imperar naquela decisão.

Da minha parte ele predominou, o respeito,mas da parte contrária infelizmente isso não aconteceu. Amigos, o fato é que depois da negociação financeira assinada me bateu uma sensação boa e gostosa. Era a sensação de dever cumprido,de ter ido atrás de meus direitos e ter conseguido.

E digo hoje que é difícil mesmo ir á luta dos direitos, mas a vitória é boa demais e compensa. Trago essa discussão ainda para nosso movimento negro,pois as vezes reclamamos de coisas que para nós faz a diferença e “alguns” que não conhecem e são proprietários de um discurso pronto e acabado criticam e dizem que queremos demais, que exigimos coisas absurdas.

Mas o que é absurdo diante de uma exclusão social gritante que aflinge a população pobre e maioria negra em nosso país? Quando tive que ouvir hoje na audiência que eu estava exigindo demais não consegui falar nada,pois não estaríamos ali se a parte reclamada cumprisse com seu papel diante dos serviços que prestei.

Minha mensagem hoje é de respeito.Nossa luta precisa seguir mas tomando o respeito como base,não é ceder por medo e sim lutar com firmeza sem agredir com quem precisamos dialogar e exigir as políticas públicas. O problema que aqui relato se resolveu com apenas uma audiência, diferente de nossa luta pela Igualdade Racial que ainda vai levar muitos anos mas algo tem em comum: a luta pelos direitos tem que predominar.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

A aceleração de Gaguim e a implantação da Secretaria de Afrodescendestes do Estado



Por Maria José Cotrim

Temos no comando do Estado um governador que chegou mostrando serviço e propondo aceleração. Com o slogan “Acelera Tocantins”, Carlos Henrique Gaguim assumiu através de uma eleição indireta e prometendo trabalhar 24 horas pelo desenvolvimento do Estado, buscando colocar a casa em ordem,saldar as dívidas, resolver os pepinos....e por aí vai.

Desafios não faltaram nestes quase três meses à frente do governo. A causa da Igualdade Racial é um deles, que não é prioridade para o governo em virtude das questões orçamentárias e tal e coisa e coisa e tal... não vão faltar motivos para dizer que o governo “tem mais o que fazer” do que implantar gradativamente as políticas públicas para a comunidade negra.

No plano de governo tudo é geral, nada especificamente trata das políticas pontuais para as comunidades quilombolas e movimentos sociais, por isso defendo que o movimento negro do Tocantins busque um diálogo com o governo do Estado. Este governo que depois de mais de 15 anos equiparou o salário dos policiais militares e bombeiros do Estado tem a obrigação de estar disposto a selar acordo com os militantes da causa para priorizar nossas políticas e o atendimento às comunidades quilombolas.

Uma carta com 32 propostas relacionadas à Comunicação, negritude e poder, educação quilombola, saúde da população negra, capoeira, Hip Hop e religião foi entregue ao governador Carlos Henrique Gaguim no dia da Consciência Negra. Após caminhada nas ruas esperávamos que o governador nos recebesse no Palácio o que infelizmente não aconteceu.

Entre os pedidos da Carta estão a inserção no currículo das escolas do estado da temática e a criação de secretarias específicas para trabalhar as questões afro-brasileiras no Estado e nos municípios. Atualmente, o departamento que coordena as políticas estaduais é a Coordenação de Afrodescendentes da secretaria de Cidadania e Justiça.

O dia em que esta secretaria vier será um passo significativo e concreto para a luta da igualdade racial no Estado. Para os mais de 60% negros que vivem aqui e para uma grande maioria deste percentual que vivem em condições difíceis e isolados.À frente da causa racial hoje temos alguns companheiros como a jornalista Mariá Soares e o companheiro sociólogo e historiador,professor Luiz Benedito que na estrutura do governo fazem mais do que podem para levantar a discussão e atender as comunidades.

Precisamos de uma pasta com estrutura que comtemple as diversas áreas que envolvem a população negra. Não é pedir demais para um governador que criou mais um cargo de subsecretário na secretarua da fezenda por "questões administrativas e para melhorar o trabalho na pasta".

Estamos no mesmo ritmo que o governador e queremos também acelerar a discussão....o acesso às políticas e a parceria do Estado nos projetos e programas.Que venha a secretaria de Afrodescendentes para que o governo possa olhar com mais atenção e compromisso para a causa da igualdade racial em nosso Estado. Acelera Gaguim!

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

2010: um ano sem recursos e investimentos para a comunidade negra do TO



Por Maria José Cotrim

Parafraseando um senador da república que representa o Estado do Tocantins: “2009 foi um ano negro para o Estado”. Na ocasião ele falava a 126 prefeitos do Estado para se referir que o ano foi de queda nas receitas e na arrecadação. Pois bem, vou usar esse termo do excelentíssimo senador para nesse mesmo sentido discordar e dizer que 2009 não foi um ano em que o Estado buscou uma discussão e desenvolveu ações para as comunidades negras urbanas e rurais do Tocantins.

O que falo é fato e pode ser constatado com uma simples visita em apenas uma das 22 comunidades quilombolas reconhecidas no Tocantins. Mas o que está em questão não é o termo utilizado pela autoridade e sim a falta da visibilidade do governo para as políticas públicas voltadas para promover a igualdade racial e reparação social.

O órgão gestor das políticas para os quilombolas do Estado é a secretaria de Cidadania e justiça que terá que fazer milagres com RS 59.654.421 milhões durante todo o ano como consta na Lei Orçamentária aprovada nesta quinta, 4, pelos deputados estaduais.

Arrecadação caiu? Sim! Os recursos estão escassos? Também! Mas o que impediu pelo menos um dos nossos 24 deputados estaduais de destinar em suas emendas parlamentares avaliadas em R$ 2,4 milhões para cada um, de priorizar recursos para as comunidades negras do Estado? Às vésperas de um ano eleitoral, o orçamento é o maior da história do Estado e as emendas também são bem “gordinhas”.

Se educação, saúde, assistência básica e obras são prioridades para o governo, a falta destes quesitos são mais importantes ainda e merecem mais atenção e desempenho do poder público. Os municípios estão numa situação difícil com a queda do Fundo de Participação imagine nossos quilombolas que se apóiam apenas nas políticas do governo federal para vencer as dificuldades cotidianas como falta de saneamento básico.Me lembro quando em abril desse ano,o menino Ronaldinho de apenas 11 anos de uma de nossas comunidades ganhou uma cadeira de rodas, depois de todo esse tempo sendo puxado num carrinho de mão. Se falta uma cadeira de roda imagina o resto!

Temos no Tocantins, como aponta a Fundação Palmares, o segundo caso de uma menina quilombola com síndrome de Down...infelizmente a pequena Daiane ainda espera, lá em sua comunidade para que o governo preste a atenção básica de saúde que ela merece.
Um assessor parlamentar de um dos deputados me ligou dizendo que sugeriu a um dos representantes da região sudeste do Estado que ele destinasse uma quantia para a construção de um posto de saúde na comunidade quilombola de Laginha em porto Alegre do Tocantins. Quem é esse cidadão eu não sei nem quero saber, mas a resposta dele me intrigou. “Quilombola não dá voto ano que vem”, disse.

Vamos ver se o nobre deputado está correto em sua afirmação quando este mesmo procurar os lideres comunitários dos quilombos para pedir o sagrado voto. Os quilombolas existem e também votam, tem direitos e deveres perante ao Estado. Pena que nossos parlamentares esqueceram disso. O Estado vende a cultura dos quilombolas, usa a imagem das artesãs dos quilombos para mostrar a “riqueza da arte”,mas na hora de valorizar....falta a iniciativa.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Cabeleleira de Palmas é agredida e denuncia crime de racismo

A Cabeleleira de Palmas, Neila de Sousa me procurou para denunciar uma atitude de racismo. Segundo ela conta, estava em sua casa quando uma mulher invadiu seu lar e a agrediu. A mulher ao agredir a cabeleleira pronunciou várias palavras de agressão verbal. "Sua nega safada, vagabunda", dizia ela.

O que mais intrigou foi o motivo. Conforme a versão de Neila, ela foi até a senhora cobrar os direitos da amiga que prestou serviços á ela. Com o corpo todo marcado pela surra que levou, dentro de ssua casa e na presença de seu filho de dois anos, Neila procuroua delegacia e denunciou o fato.

A cabeleleira diz que a postura racista da senhora foi o que mais a motivou a tomar essa atitude. "Ela não me respeitou, invadiu minha casa e ainda me chamou de várias palavrões", disse. Neila não divulgou o nome da senhora,mas disse que vai até o fim na justiça pedir indenização e punição para a tal senhora.

Neila mora na 804 Sul com o filho de 2 anos. O marido está em viagem em Portugal. Evangélica, a cabeleleira diz que é preciso mudar essa situação de desigualdade, que segundo ela foi um forte motivo para a atitude da senhora.

Venho através deste Blog, o meio de maior alcance que tenho, para repudiar essa atitude. Que nuitas mulheres façam como Neila e, na justiça busquem o respeito aos direitos. Quanto á agressão verbal, e as palavras preconceituosas...esta senhora é com certeza uma das pessoas que precisam da tal lavagem celebral que Gabriel, o pensador fala em sua música Racismo é Burrice.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Governo já deixou de aplicar R$ 178 milhões no Brasil Quilombola



O governo federal pretendia investir mais de R$ 2 bilhões, entre 2008 e 2011, em ações que viabilizassem o acesso à terra, melhoria da saúde, cultura, educação e infraestrutura nas comunidades remanescentes de escravos – os quilombos. As intenções, entretanto, esbarram em obstáculos para o repasse de verbas. O Brasil Quilombola, por exemplo, principal programa voltado a estas comunidades, gastou menos de R$ 13 milhões dos R$ 56,6 milhões previstos no orçamento deste ano. Desde sua implementação, em 2005, o programa já desembolsou R$ 57,6 milhões. Neste mesmo período, no entanto, deixou de aplicar R$ 178,7 milhões (veja a série histórica).

Para atender às demandas dos quilombolas como a regularização da posse da terra e o apoio ao desenvolvimento das associações representativas, por exemplo, o programa Brasil Quilombola foi criado em março de 2004. Seus projetos e atividades são coordenados pela Presidência da República, por meio da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir). Desde sua criação, no entanto, o programa sofre com a baixa execução.

Logo no primeiro ano de sua implementação, 2005, o programa contou com R$ 28,6 milhões previstos, dos quais somente 25% foram efetivamente aplicados. Em 2006, o orçamento aprovado teve um incremento de mais de R$ 23 milhões em relação ao ano anterior, totalizando R$ 52,3 milhões. Apesar disso, menos da metade foi executado – 31%. No ano seguinte o orçamento previsto caiu para R$ 45,4 milhões, dos quais apenas R$ 13,3 milhões foram efetivamente gastos. Foi no ano passado, no entanto, que as comunidades foram menos favorecidas com os recursos do Brasil Quilombola. De um orçamento de R$ 53,4 milhões, somente R$ 8,5 foram desembolsados, batendo o menor índice de execução do programa (16%).

A Seppir é responsável por administrar diretamente quase R$ 11 milhões (19%) do orçamento previsto no programa. Até o último dia 17, a secretaria desembolsou R$ 5 milhões, grande parte destinada ao apoio técnico, estudos de viabilidade econômica, capacitação de agentes de apoio e promoção do desenvolvimento sustentável das comunidades. Por ocasião das festividades de comemoração do Dia Nacional da Consciência Negra, celebrado hoje, a assessoria de imprensa da Seppir informou não ter condições de esclarecer a tempo os questionamentos do Contas Abertas sobre a baixa execução orçamentária.

Mas cerca de 76% do previsto no orçamento do programa Brasil Quilombola fica sob responsabilidade do Ministério do Desenvolvimento Agrário, que, por meio do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), coordena o reconhecimento, demarcação e titulação das áreas remanescentes de quilombos. De R$ 42,7 milhões, foram pagos R$ 6,4 milhões, ou 15%. Com este recurso, o Incra também garante a indenização financeira aos donos de áreas a que têm direito as comunidade quilombolas. A assessoria do Incra esclareceu que, além do contingenciamento de parte dos recursos, a maior parte da verba sob sua responsabilidade ainda não foi gasta porque depende da quantidade de regularização dos territórios quilombolas

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Movimento Negro quer voz no julgamento das cotas



Integrantes do Movimento Negro Unificado (MNU) entraram na tarde da sexta-feira (20) com um pedido para participar da defesa do sistema de cotas raciais no Supremo Tribunal Federal (STF). Eles reivindicam entrar no processo de julgamento da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 186, que questiona a seleção diferenciada na Universidade de Brasília (UnB), feita pelo DEM.

No pedido, o MNU apresenta depoimentos de alunos que conseguiram ingressar no ensino superior por meio do sistema de cotas. Os integrantes do movimento também querem mostrar no documento que a política de cotas tem justificativa histórica e social para existir. A data escolhida para entrar com o pedido de "amicus curiae" - em latim, "amigos da corte", instituto que permite a terceiros discutir uma tese que afete toda a sociedade - é simbólica. Hoje comemora-se o Dia Nacional da Consciência Negra

A data é uma homenagem a Zumbi, líder máximo do Quilombo de Palmares e símbolo da resistência negra, assassinado em 20 de novembro de 1695. "Todos os dias são os nossos dias. Mas essa é uma data que representa muito para nós", afirmou Paula Balduíno de Melo, integrante do MNU. Além de entrar com o pedido de amicus curiae, o movimento também lança hoje um jornal com reportagens, artigos e charges falando sobre o tema, entre outros. Intitulado Nosso Jornal, a publicação tem 12 páginas e terá sua estreia na Feira do Livro de Brasília.

O lançamento do jornal faz parte de uma mobilização pela conscientização sobre a política das cotas nas universidades e de outros assuntos relativos ao movimento negro. Até o próximo ano, os membros do MNU pretendem intensificar as conversas para que o sistema seja mantido. Em março do próximo ano, participam de audiência pública no STF para discutir o assunto. Ao mesmo tempo, pretendem lançar a segunda edição do Nosso Jornal, além de divulgar o resultado da audiência no Supremo.

Após a audiência, a intenção é intensificar o corpo a corpo com os ministros do próprio Supremo. "Não faremos o movimento somente para o interior do Supremo, mas também para a sociedade em geral saber das lutas", disse Paula. A ADPF 186 não tem data para ser julgada. Mas estima-se dentro da corte que deve entrar na pauta até junho do próximo ano. O relator da ADPF é o ministro Ricardo Lewandowski.

O DEM, autor da ação, justifica no documento que não é a cor da pele o que impede as pessoas de chegarem à universidade, "mas a péssima qualidade das escolas que os pobres brasileiros, sejam brancos, pretos ou pardos, conseguem frequentar". “Se o impedimento não é a cor da pele, cotas raciais não fazem sentido. Onde quer que tenham sido adotadas, as cotas não beneficiam os mais necessitados”, disse o documento, feito pela procuradora no Distrito Federal Roberta Fragoso Kaufmann.

Do outro lado, a Procuradoria Geral da República (PGR) e a Advocacia Geral da União (AGU) apresentaram pareceres favoráveis à manutenção das cotas raciais no vestibular da UnB. Para os dois órgãos, as cotas são compatíveis com o princípio da igualdade previsto na Constituição e o estado democrático de direito.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

'Caminhada contra a desigualdade racial ainda é longa', diz ministro



Edson Santos afirmou que a questão racial está 'na agenda' do país.
Nesta sexta (20) é comemorado o Dia da Consciência Negra.O ministro da Igualdade Racial, Edson Santos, afirmou em entrevista, que o principal desafio para o país na questão racial é a inclusão do negro na educação, na habitação e no trabalho.

"A desigualdade remonta há 121 anos, da abolição, da escravidão. Não se inseriu o negro na educação, na habitação, no trabalho. As estatísticas mostram que há maior dificuldade para o negro nas empresas e quando conseguem entrar não têm os mesmos salários. Acho que ainda é longa a caminhada a se fazer."

Leia abaixo alguns trechos da entrevista.

G1 - Ministro, como estão as negociações para a aprovação no Senado do Estatuto da Igualdade Racial?
Edson Santos - Nós estamos construindo esse acordo e há previsão de vir a ser votado na semana que vem. Vai ter uma audiência pública no Senado, na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), e a posterior apreciação do estatuto. O acordo está sendo construído no Senado com senadores de vários partidos.

G1 - Mas a expectativa inicial era de que o governo sancionasse o estatuto em 20 de novembro. O que ocorreu?
Edson Santos - Foi o tempo dessa costura no Senado. A gente tem expectativas que às vezes não se confirmam. Mas é importante ter definido uma meta, que mesmo não sendo cumprida, criou a possibilidade de o estatuto ser votado em plenário no mês de novembro ainda.

G1 - O senhor conversou com senadores? Acha que a aprovação será tranquila? Edson Santos - Eu não posso adiantar isso. Cada senador é uma cabeça. Mas espero que até em função do que foi construído na Câmara não haja grandes óbices políticos na medida em que várias lideranças, deputados, contribuíram e discutiram exaustivamente, de forma dura até, e profunda, o conteúdo. No Senado, acredito que nós vamos caminhar num ambiente mais tranquilo.

G1 - E em relação às cotas, o senhor acha que o tema vai voltar à discussão, já que ficou fora do estatuto?
Edson Santos - Conversei com o ministro Fernando Haddad (Educação) e é um tema mais espinhoso, porque enfrenta muitas resistências por parte de alguns segmentos da sociedade brasileira. Mas acredito que posteriormente ao estatuto, nós estaremos discutindo o projeto de cotas no Senado.

G1 - Então em 2010 o tema deve avançar?
Edson Santos - Eu acredito nisso.

G1 - Nesta sexta é comemorado o Dia da Consciência Negra. Quais são as principais conquistas recentes para a população negra que o senhor apontaria?
Edson Santos - A introdução na agenda política do Brasil da temática racial e da necessidade da sociedade em finalmente encarar os desafios é um avanço. E a elevação da auto-estima da população negra. Você tem hoje um grande número de pessoas que se declaram negros. É um momento que vivemos do Brasil de enfrentar a questão racial.

G1 - E quais são os principais desafios?
Edson Santos - A desigualdade remonta há 121 anos, da abolição, da escravidão. Não se inseriu o negro na educação, na habitação, no trabalho. As estatísticas mostram que há maior dificuldade para o negro nas empresas e quando conseguem entrar não têm os mesmos salários. Acho que ainda é longa a caminhada a se fazer.

G1 - E o Estatuto da Igualdade Racial pode ajudar nisso?
Edson Santos - É um instrumento. O estatuto é uma lei que estabelece diretrizes para o Estado brasileiro superar as desigualdades raciais no país num espaço de tempo mais curto possível.

REBELE-SE CONTRA O RACISMO!


O Brasil vive avanços e perspectivas nas políticas públicas para a população negra do país. O papel do movimento negro na luta pelos direitos dos negros é o foco dessa discussãode hoje.



Mais um 20 de novembro: Dia da Consciência Negra!Num país em que comemoramos até o Dia da Árvore, ainda existem os ímpares que questionam se a data em que se levanta a discussão sobre a desigualdade social e racial deve ser feriado. Sem consenso sobre a importância do dia para o calendário de alguns estados, perdura a luta do movimento negro para que a memória de Zumbi dos Palmares ganhe espaço no calendário brasileiro.

Mesmo sem feriado, nesse dia de canto a canto a data é lembrada. A mídia dá espaço para a temática, negros e negras, com bandeiras na mão, vão ás ruas pedir implantação de políticas públicas para a população negra, ainda maioria absoluta pobre neste país. Nas escolas, com a lei 10.639 que obriga o ensino da Cultura Afro na sala de aula, a temática também vem á tona. Seria então o começo da Consciência Negra?

Este dia 20 é diferente, visualizamos mudanças no cenário social, mas que ainda são só um começo. Vemos o primeiro presidente negro ser eleito no país que tanto segregou a vida de milhares de negros. Mas vimos também perseguição e genocídio da juventude negra nos grandes centros e até aqui no Tocantins.Esse contraste nos mostra que a superação da discriminação e do racismo ainda é o melhor caminho para construirmos a tão sonhada "Consciência negra".

Neste dia 20 todas as ações serão em vão se não houver uma discussão sobre a participação social de cada um como cidadão crítico e ativo na sociedade e principalmente nos espaços de poder. Sociedade civil e governo precisam da parceria para dar melhores condições de vida para a população negra do nosso país.Porque é fácil apertar mãos, dizer que apóia e fingir que vivemos na Ilha do faz de conta. Ou ainda dizer da boca para fora que não tem preconceito, recorrer á árvore genealógica para buscar um parente de descendência negra.... mas na prática, na hora das piadinhas....a máscara cai. `Prova disso, nossos representantes políticos criarem resistência para aprovar e votar no Estatuto da Igualdade Racial.

Vou mais adiante e levo essa discussão para o Movimento negro. Acredito na atuação de um movimento consolidado buscando um diálogo com o poder público e empenhado em identificar e lutar pelas demandas. Como essa relação será estabelecida? depende da situação e da reivindicação em questão, vale tudo para exigir nossos direitos! No nosso país existem grandes líderes empenhados e que dão o sangue na luta pela igualdade racial, a exemplo do grande pai da luta, Zumbi!Gente mobilizada, atenta e cheia de atitude que bota a boca no trombone para dizer não ao preconceito, graças a eles enxergamos hoje grandes conquistas de inclusão.

Mas existe também o outro lado da moeda.O que chamo de movimento de rotação, que como o planeta terra, gira em torno de si mesmo.Infelizmente vejo pessoas que constituem o movimento para engrandecer líderes e partidos políticos.Gente que precisa de militantes e aliados apenas para fazer volume, preencher fichas de filiados e levantar a bandeira. Ora, não devemos dar as mãos para incentivarmos as políticas públicas? Pelo menos esse é o discurso!

O movimento tem que crescer sim e reivindicar muito, porque o preconceito não para... se renova a cada dia. Por isso, é preciso dar as mãos pela causa. Por mais oportunidade, por políticas de curto, médio e longo prazo, pela igualdade racial...Temos ainda um longo caminho pela frente...É com a Consciência negra que vamos superar esta dívida social com mais da metade da população brasileira.Portanto...Rebele-se contra o racismo!

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Em lançamento de Fórum, sociedade cobra políticas para comunidade negra do Estado



Por Maria José Cotrim

O lançamento do Fórum de Cultura e Educação Afro-brasileira aconteceu nesta segunda, 16, no auditório do Palácio Araguaia. O evento segue até a quarta, 18 e vai discutir as perspectivas para a educação e ainda como trabalhar nas comunidades quilombolas do Estado. Participam do encontro instituições públicas e movimentos sociais. O presidente da Assembléia, Júnior Coimbra (PMDB) participou do encontro.

Os participantes serão divididos em grupos de trabalho para discutir as temáticas. Na noite foi lançado ainda o livro “História e Cultura Afro-Brasileira e Africana” escrito por professores da educação básica do Tocantins produzido pela Secretaria Estadual da Educação. O assessor parlamentar da Seppir, Benedito Sintra, fez palestra sobre o “Estatuto da Igualdade racial: desafios para o Brasil e o Tocantins”.

Sociedade cobra ações do governo


O presidente do Fórum, Maximiano Bezerra citou que de acordo com o IBGE, 75% da população é negra no Estado. “Nos 139 municípios não existe projetos de cultura, só a secretaria de cidadania e justiça e a UFT tem departamentos específicos para tratar da temática”, cobrou. Maximiano falou da necessidade de cotas raciais e fez apelo para que os secretários olhem para a lei 10.639 que trata da temática afro nas escolas. “È o maior legado que vocês podem deixar para a comunidade negra”, disse.

“Trazemos o retrato das pessoas que continuam vivendo esse desafio de lutar e continuar participando em busca de nossos direitos”, disse Maria Luísa, representante do Grupo de Consciência Negra do Tocantins. A coordenadora do Gruconto denunciou ainda casos de mortes entre jovens na cidade de Miracema. “É freqüente o assassinato de jovens negros. Vejam o clamor dessas famílias. Estamos aqui para pedir justiça" argumentou.

Para a professora Maria Aparecida Matos, professora da UFT e conselheira da Secretaria Especial de Políticas da Igualdade Racial, existem avanços nessa discussão. “Precisamos trabalhar a formação de professores, de material didático”, disse. A professora relatou algumas ações que estão em andamento no Estado, como implantação dos Conselhos da Igualdade Racial.A Coordenadora do Centro de Educação Popular, Maria Ivanir Ilídio falou sobre as dificuldades e má situação das comunidades quilombolas do Estado e ainda da necessidade de implantação de políticas públicas.

Órgãos prometem apoio

A Procuradora do Ministério Público Federal, Ludimila Fernandes da Silva disse que há a necessidade da educação plural. “Essa sociedade tem que ser colorida e refletir essa sociedade plural”, falou. Ludimila diz que o país vive uma “igualdade formal e material”. Sobre as cotas, a procuradora disse que é um instrumento que visa corrigir a desigualdade.

O subsecretário da educação, Galileu Guarenghi falou da necessidade das políticas afirmativas para um “ambiente de igualdade”. “Se conseguirmos trabalhar uma educação pública de qualidade vamos conseguir mudar o Brasil”, falou. “Não é um caminho fácil que se faz num toque de mágica”, disse falando das dificuldades para mudar a realidade social.O secretário prometeu apoio para efetivar as políticas públicas que possam determinar caminhos que possa selecionar o “grave caminho de igualdade”, disse.

O presidente Júnior Coimbra (PMDB) em seu discurso, disse que fez questão de participar do evento para colocar a Assembléia á disposição da causa. “Muitas conquistas já aconteceram a discriminação é grande, quantos negros foram presos só por serem negros?”, expôs o presidente que falou ainda da discriminação das escolas. “As cotas diminuíram as dificuldades, abriram a questão da mobilidade social”, disse.

O secretário de cidadania e justiça, Carlos Alberto ressaltou que é dever do Estado proporcionar os direitos da comunidade. Carlos disse ainda que o governador Carlos Henrique Gaguim (PMDB) está empenhado em busca de melhores qualidades de vida. “Convocamos a sociedade para um projeto que possa representar melhores dias para as pessoas que vivem das desigualdades”, falou. O secretário falou da Criação do Conselho de Igualdade Racial e comitê de Comunidades quilombolas.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Dois patinhos na Lagoa: cheguei aos 22!



Êba...22! Hoje troco de idade, uma data importante não só porque marca o dia que eu nasci mas me leva a uma reflexão com relação aos meus sonhos, pretensões e metas na vida. O que posso dizer e bem á vontade é que me sinto feliz e realizada. Amadureci um pouco... engordei, mudei de estilo, adotei perspectivas de vida,mas continuo errando, o que me conforta.

O erro nos leva ao acerto, é só saber encarar.E estou na luta constante para ser uma pessoa melhor nos meus princípios e convicções. Tenho uma rede de amigos que me conforta e me completa. Uma mãe que sente orgulho no que sua semente está se transformando, um trabalho digno que me proporciona crescimento proporcional...uma causa que me inquieta e tem minha atenção que é a Igualdade racial desse país.

E o melhor de tudo: tenho sonhos, garra e persistência para realizá-los. Nesse dia que parece metódico por ser uma sexta, 13 quero compartilhar com vocês minha alegria!Quero agradecer pela amizade e companheirismo, por participarem da minha vida. Acredito que nada vale apena se não se constrói metas e escolhe a trilha por onde queres andar.

Ouse, aja,reaja, coopere. Renove sua fé e sua coragem! Passa um filme na minha cabeça, me lembro quando saí de casa, da pequena Igaporã em busca de um diploma e de superar um histórico de desigualdade social. Todos os NÃO que me disseram me estimularam. Não tinha dinheiro nem experiências, mas tinha sonhos! E aqui no Tocantins todos eles estão se concretizando. Obrigada pela mão amiga, pelas oportunidades de conviver juntos: por serem parte da minha história de apenas 22 anos.

Um abraço carinhoso á todos!

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Michele Obama é premiada como Mulher do Ano



Michelle Obama, primeira dama dos Estados Unidos, recebeu um prêmio de reconhecimento especial por colocar em primeiro plano a importância de ser mentora das novas gerações.A postura pública que tomou contra a violência doméstica foi um dos fatores decisivos para a premiação.

"Ela já demonstrou um compromisso em ajudar a próxima geração de mulheres a expandir seus horizontes ao levar-lhes informação e inspiração para verem-se como líderes do futuro", disse a revista em comunicado.A lista anual de Mulheres do Ano, publicada pela revista Glamour durante os últimos 20 anos e anunciada pela L'Oreal, rende tributo às mulheres que contribuíram ao entretenimento, negócios, esporte, moda, ciência e política.

A cantora Rihanna também foi escolhida com uma das "Mulheres do Ano" e ainda outras 12 personalidades femininas.

domingo, 1 de novembro de 2009

Roda de Sussia? Tem sim senhor!



Maria José Cotrim

Neste sábado, 31,debaixo de uma chuva meia fina,,,um grupo de 10 idosos celebravam alegremente a cultura afro.Uns mais animados...outros já com sono, mas o clima era de festa. Duas senhoras apenas se revezavam para dançar a antiga Dança africana chamada "Sussia".

No embalar da saia e dos passos corridos dava para relembar a cultura dos antigos africanos nas senzalas. Os passos revelaram uma história que poucos conhecem devido á falta da proliferação da cultura nas escolas e na mídia. Eu nem sabia como se escrevia a palavra Sussia...

Um dos presentes comentou que uma associação seria formada para celebrar e reunir os foliões da cidade. "Todos os sábados nós estaremos aqui, juntos para que a folia não fique sem ser celebrada em nossa cidade", disse um dos líderes do grupo. Mas o que mais encantou foram as batidas do tambor , o canto dos foliões com chapéu e bota e o balançar da saia das mulheres...provas vivas de que a memória do povo negro ainda é celebrada nos interiores e preservada pelos antigos reizeiros.

Temos programas que visam valorizar essas manifestações culturais, mas não chegam aqui no Tocantins. Porque na verdade, quando pensamos em cultura negra já temos conceitos formados em nossa mente...e na ponta da língua!A Sússia se enquadra nos moldes da fokcomunicação. Onde comunicação e cultura se encontram e constróem a história de um povo que deve ser contada e recontada todos os dias. Até quando ainda existam gerações que a preservem e que repassem á diante!

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Criado o Dia Nacional de Combate ao Trabalho Escravo



A lei que cria o Dia Nacional e a Semana Nacional de Combate ao Trabalho Escravo está no Diário Oficial da União de hoje (30). O dia será comemorado em 28 de janeiro de cada ano. A lei foi sancionada ontem (29) pelo presidente da República em exercício, José Alencar.

A data foi escolhida para homenagear três auditores fiscais e um motorista do Ministério do Trabalho assassinados em 28 de janeiro de 2004, durante vistoria a fazendas na zona rural de Unaí (MG).

Durante a solenidade de assinatura da lei, Alencar disse que todos os que atuam no combate ao trabalho escravo estavam sendo homenageados naquele momento.

O projeto que originou a lei é de autoria do senador José Nery (PSOL/PA), que preside a Subcomissão de Combate ao Trabalho Escravo, vinculada à Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH).

Ele lembrou que outra iniciativa legislativa sobre o tema ainda precisa ser votada na Câmara dos Deputados: a proposta de emenda à Constituição (PEC 438/01) - do então senador Ademir Andrade - que prevê a expropriação de terras em que haja comprovação da prática de trabalho escravo. A matéria, segundo o senador, pode ser votada ainda este ano.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Sem defesa, Netinho de Paula terá que pagar indenização de R$ 30 mil por agressão a repórter




A Justiça do Estado do Rio de Janeiro condenou o apresentador Netinho de Paula a pagar R$ 30 mil de indenização ao repórter Vesgo do programa "Pânico", da RedeTV!. A indenização por danos morais ocorre devido ao episódio no qual Netinho deu um soco em Vesgo durante o evento de entrega do troféu Raça Negra em São Paulo em 2005. Atualmente, Netinho apresenta no SBT o "Show da Gente" nas tardes de sábado.

A Justiça negou ontem,28, por unanimidade, um recurso apresentado pela defesa do apresentador. A sentença considera que não houve razão para a agressão e que Vesgo foi ferido não apenas fisicamente, "mas, sobretudo, psicologicamente pelo abalo à sua imagem profissional".

"No caso em exame não houve qualquer brincadeira de mau gosto capaz de gerar no réu tamanho ódio a ponto de levá-lo a agredir covardemente o autor, e a continuar a ameaçá-lo em posteriores apresentações na televisão", revela o texto da sentença.
"A conduta do réu revela um descontrole que beira uma patologia psíquica e um total destemor às consequências de seus atos", informa ainda a sentença.

Em seu perfil no Twitter, Scarpa comentou a decisão e disse o que pretende fazer com o dinheiro da indenização. "Vou doar todo o dinheiro. Parte vai para a Casa de Caridade de Itanhandu, que está precisando de ajuda financeira. Outra parte do dinheiro vai ser doado para a APAE de Itanhandu", escreveu o humorista.

Netinho é conhecido como ícone do Orgulho da Raça Negra, esse episódio é uma prova de que a justiça ainda tem que definir os critérios para os crimes de racismo em nosso país.O que justifica a agressão? O que é para um defensor da causa negra ser alvo de piadinhas? Netinho vai literalmente "pagar" as consequências, mas o ato dele foi um desafio ao senso de humor "sem graça" de brincadeirinhas que´vêm agregadas de pitadinhas de preconceito.

Justificativa

Netinho enviou um comunicado à imprensa mostrando arrependimento por ter agredido o humorista. "Em respeito ao meu público, a todos os profissionais da mídia e à opinião pública, venho manifestar que lamento profundamente o incidente em que me envolvi”, disse ele.

“Esclareço que minha reação se deveu às atitudes agressivas e preconceituosas do repórter Vesgo, usando piadas maliciosas e palavreado grosseiro, que atingiram a minha honra e a dignidade da raça da qual tenho o orgulho de pertencer”, justificou.

Tocantins no ritmo da Consciência Negra




Maria José Cotrim

Os preparativos para a Semana da Consciência Negra no Tocantins já começaram. Nos vários municípios ligados á causa e militância social já definiram como vão aproveitar a data. Em Palmas, centenas de faixas serão distribuídas por toda a cidade pedindo mais atenção para a causa da Igualdade Racial. O Fórum de Educação Afro também será realizado nos dias 19 e 20 na capital e vai discutir questões ligadas á abordagem racial nas escolas bem como também mencionar a cultura na sala de aula.

Mas a programação também será intensa em outros municípios e aqui venho destacar um evento que está sendo preparado por alunos do 3º ano em Brejinho de Nazaré. Tive o privilégio de ser convidada para participar falando da Comunicação étnico racial e da formação da identidade negra.

Os alunos , direcionados por seletos professores que priorizam sempre que podem a discussão, estão preparando um evento que aborde também a cultura afro e aceitação di sujeito étnico. As comunidades quilombolas dos arredores, Malhadinha e Córrego Fundo, também vão participar mostrando o jeito especial de lidar com o artesanato.Pra fechar o evento, um Baile e ainda um desfile deverão ser realizados para enaltecer a beleza negra.Esses meninos têm muito trabalho pela frente!

As mobilizações começam...as expectativas são grandes...E eu fico feliz em saber que a data nunca passa em branco. Nela temos o espaço e abertura para gritar, celebrar e nos confraternizarmos. Afinal, a consciência é muito individual para termos somente um dia dedicado á ela.Que venha o 20 de Novembro!

domingo, 25 de outubro de 2009

SOCIEDADE: Casa Branca divulga foto oficial da família OBAMA


A Casa Branca divulgou essa semana, uma foto oficial da família presidencial americana tirada pela famosa fotógrafa Annie Leibovitz, que conhece os Obama desde 2004 e os fotografou em várias ocasiões.

Na foto oficial, tirada no dia 1 de setembro na Sala Verde da Casa Branca, os Obama aparecem sorrindo e em uma pose informal.

Michelle Obama, vestida de preto, está sentada entre sua filha maior, Malia, que a abraça por trás, e a pequena Sasha, de mãos dadas com ela.

O presidente americano, Barack Obama, aparece no outro extremo da foto com uma camisa de manga comprida e uma gravata vermelha, abraço por sua filha mais nova.

Desde que a família Obama chegou à Casa Branca, em janeiro, foram fotografados em outras ocasiões por Annie, especialmente para uma série para a revista "Vanity Fair".

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

NÓS E A HELENA DE TAÍS ARAÚJO



Maria José Cotrim

Num ambiente favorável a Rede Globo de televisão começa uma novela exibindo a atriz consagradíssima, Taís Araújo como protagonista. E não uma protagonista qualquer: uma Helena de Manuel Carlos! A Globo enaltece esse detalhe para reforçar a impressão de que a emissora está preocupada com uma maior e melhor representatividade dos negros na mídia.

Num momento em que o São Paulo Fashion Week teve que, por força da justiça, instituir cotas para modelos negras nas passarelas, devido á falta de representação da beleza negra no evento, a Globo dá uma cartada, veste a camisa da igualdade e coloca em rede nacional Taís como a modelo mais famosa e bonita do Brasil. Ponto positivo para nós, críticos da mídia. Mas é preciso analisar o que está por trás dessa mensagem que parece tão positiva.

Nas passarelas onde Helena se exibe na trama não se vê outra modelo negra. Ela apenas é o destaque. Quando reparo isso esqueço da audiência recorde e da abordagem positiva no personagem e me lembro da polêmica das cotas nas passarelas. Um fashionista declarou que as cotas podem afetar o psicológico das modelos e sustentar um sentimento de “insegurança” com relação ao talento delas. Mas o fato é que o alcance da mídia e desse personagem de Taís pode sim influenciar muito numa mudança positiva nas passarelas brasileiras.Com certeza essa é uma Helena diferente das outras pelo valor social agregado á personagem, num país ainda rumo á uma comunicação mais acessível.

Na teledramaturgia também! Taís já é carimbada como referência: Aos 17 foi Chica da Silva, depois em 2004, “Preta” em Da Cor do Pecado. Temos sim que encarar como um fato que nos leva a uma reflexão positiva, mas é importante ficarmos de olho na reprodução dos estereótipos “tatuados” na imagem do negro. A abordagem negativa ainda faz parte do contingente midiático.

Vi a Taís Araújo sendo chamada de “Musa da Igualdade Racial” numa revista famosa. Deu orgulho, mas temos que ficar de olhos abertos nas tentativas de “falsa democracia racial” nos veículos. Têm empresas que querem pegar uma carona no atual cenário favorável a falar do assunto para abraçar a causa de maneira “superficial” e sair de “boazinha” e “racialmente correta”. Como diz Muniz Sodré, “Comunicação é um instrumento de poder”, e poder está concentrado nas mãos de poucos.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

LUTO NO AFRO REGGAE: de quem é a culpa?



MARIA JOSÉ COTRIM
JORNALISTA

O Afro Reggae está de luto! Um inquérito militar foi aberto para investigar a conduta dos militares na omissão de socorro ao coordenador do grupo Afro Reggae, Evandro João da Silva, 42, que foi assassinado no Centro do Rio, no último domingo (18). Quando comento entre colegas jornalistas a necessidade da igualdade racial em nosso país, sempre dizem que são os próprios negros que são os preconceituosos e que querem uma “supremacia de raças”.

Mas a questão ultrapassa preconceito, discriminação, racismo... São falhas humanas que resultam em perdas de vidas. Não há como não relembrar aquele tempo em que a “escravidão”, uma das maiores falhas humanas da história mundial, resultou na morte de várias pessoas e destruição de famílias inteiras. Um erro que até hoje estamos na luta para consertar. Viajei mesmo em pensamentos quando li a matéria falando que dois policiais erraram primeiro a não dar socorro ao coordenador do Afro Reggae, depois ao liberar os dois suspeitos depois de serem ouvidos.

O comandante geral simplesmente lamentou o erro. Agora imagine se todos os negros do país começássemos a lamentar as mortes causadas nos anos de escravidão? As imagens mostram o reflexo do que acontece todos os dias em nosso país em vários lugares diferentes, mas com um mesmo público alvo: os negros! Os assaltantes levaram o tênis, a jaqueta, o celular e a carteira de Silva, que chegou a lutar com os criminosos, mas acabou baleado. Os pertences não foram devolvidos á família. Denis Leonard Nogueira Bizarro (capitão) e Marcos de Oliveira Sales (cabo), executores do erro, estão detidos mas podem estar em liberdade no sábado, 24.

Mais um capítulo da injustiça de nosso país. Me lembro no final do mês de julho deste ano quando estive na Conferência Nacional de Segurança Pública (Conseg) em Brasília e junto com policiais de todo o país, militantes das causas sociais reivindicaram contra o “extermínio” dos jovens e população negra. Acharam o termo muito forte. Mas o fato é que esse lamentável acontecimento nos leva a refletir sobre as políticas públicas de segurança. Sobre o valor humano dos indivíduos, sobre a atuação da polícia... sobre o papel social de cada um de nós!

E o Afro Reggae tem mais um motivo para continuar com seu trabalho de “investir no potencial dos jovens favelados, levando educação, cultura e arte a territórios marcados pela violência policial e do narcotráfico, com a marca institucional de conseguir criar alternativas de emprego e lazer”, como reza o lema da instituição. Tive a chance de conhecer um dos trabalhos deste grupo cultural... Enquanto muitos vivem na ilusão de estarem protegidos e se protegem blindando os carros e transformando as casas em fortificações cercadas de sistemas de vigilância... o Afro Reggae vem rompendo com os abismos que separam negros e brancos, ricos e pobres, na certeza de que esta é a única alternativa para que se possa construir uma paz duradoura.Silva se foi, mas fica nossa luta! 16 anos não são 16 dias...

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Conferência de Comunicação em Alagoas discutiu participação dos negros na mídia



Nos dias 09 e 10 de outubro, ocorreu a Conferência Regional Metropolitana de Comunicação (Conrecom) em Maceió-AL, que teve como tema a "Comunicação: meios para a construção de direitos e de cidadania na era digital". O Centro de Cultura e Estudos Étnicos Anajô não poderia ficar de fora, lutar por uma comunicação mais democrática e que respeite a diversidade étnicorracial, gênero, orientação sexual e opção religiosa.


O Anajô foi representado pela sua presidente que é jornalista diplomada, Helciane Angélica, que ficou entre os 32 delegados(as) da sociedade civil para a etapa estadual que acontecerá em novembro. Do movimento social negro, também foram eleitas como delegadas, a ialorixá Rosineide Souza da Costa (Mãe Rosa) do Centro Afro Cultural Abaça de Oxum Pandá e a publicitária Arísia Barros, da ONG Maria Mariá, que é coordenadora do projeto Raízes de África.


As ativistas prestigiaram as palestras e contribuíram com as discussões no Eixo: Cidadania, Direitos e Deveres, precisamente, no Grupo de Discussão 1 (Diversidade Cultural, Religiosa, Étnicarracial, de Gênero e Orientação Sexual). Na ocasião, foram aprovadas propostas como: maior punição sobre os termos racistas e preconceituosos utilizados nos meios de comunicação; garantir um espaço igualitário para todas as religiões na mídia, principalmente, para as religiões de matrizes africanas; ampliar o espaço dos movimentos sociais nas concessões públicas de rádio e TV, etc.


Independente de estar ou não na delegação alagoana que participará da 1ª Conferência Nacional de Comunicação, em Brasília no mês de dezembro, o mais importante é fazer parte dos debates e articulações em prol de um novo formato midiático para o Brasil. Precisamos urgente de uma transformação social!

Concurso Mulheres Negras do Nordeste está com inscrições abertas



Serão doados US$ 160 mil para grupos de mulheres negras do Nordeste.Podem participar grupos, organizações e associações de mulheres negras, especialmente as de mulheres quilombolas.Os projetos deverão ter duração de 10 meses e o montante para cada projeto é de R$ 14.880,00.No total, serão doados US$ 160 mil.

Para participar é preciso entregar os formulários de inscrição no ELAS
até o dia 24 de outubro, impreterivelmente.O edital do 12º Concurso e o formulário para participação devem ser acessados no site do ELAS - www.fundosocialelas.org.
O edital também está no arquivo anexo.

Com o apoio da Fundação Kellogg, o ELAS lança o 12º Concurso de Projetos. Nesta edição, o foco é apoiar iniciativas de organizações e grupos de mulheres negras do Nordeste, promovendo os direitos humanos e a cidadania, o fortalecimento institucional, a melhoria nas condições sócio-econômicas e a implementação e o exercício de leis que as beneficiem.

Sobre o ELAS
O ELAS – Fundo de Investimento Social (novo nome do Fundo Angela Borba) é o único fundo brasileiro de investimento social com foco exclusivo em meninas e mulheres. A organização entende que investir nelas é o caminho mais rápido para o desenvolvimento de pessoas, comunidades, cidades, estados e, por fim, de todo o País.

Isso acontece porque elas são as principais agentes de transformação da sociedade. Assim, todos os investimentos feitos em meninas, jovens e mulheres têm retorno através de expressivas mudanças sociais em diversos aspectos de suas vidas e das comunidades em que estão inseridas.

Ao longo de quase dez anos, o ELAS já apoiou 187 grupos de mulheres de todas as regiões brasileiras e doou diretamente mais de R$ 1,5 milhão. Além de apoiar financeiramente os grupos, a organização oferece treinamentos de formação e monitora as atividades para maximizar os resultados.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Iniciado os trabalhos do Comitê para monitoramento da política para igualdade racial



"O PLANAPIR coloca a questão da promoção da igualdade dentro do sistema de planejamento do Governo Federal. Essa é a diferença do Brasil de ontem e do Brasil de hoje". A declaração foi feita pelo ministro da Igualdade Racial, Edson Santos, na manhã desta quarta-feira (16/9) durante solenidade de instauração do Comitê de Articulação e Monitoramento do Plano Nacional de Promoção da Igualdade Racial (PLANAPIR). O evento marcou a posse dos 18 representantes do governo federal e da sociedade civil que passam a integrar o novo organismo que já teve sua primeira reunião técnica.



O secretário adjunto da SEPPIR, Eloi Ferreira Araújo, também coordenador do Comitê, apresentou um histórico do PLANAPIR: desde o início de sua construção, em 2005, a partir de 11 eixos traçados na I Conferência Nacional de Promoção de Igualdade Racial, até a criação do Grupo de Trabalho Interministerial e, finalmente, a publicação do decreto nº 6872, de 4 de junho, que definiu o Plano."Com este Comitê, vamos criar os pilares da institucionalização da política de igualdade racial". Eloi advertiu que, de início, o desafio do Comitê é formatar uma modelagem de monitoramento das ações do governo para a redução das desigualdades que vitimam negros, povos indígenas, ciganos e outros segmentos sociais em função da origem étnica.



A representante do Ministério da Saúde Ana Costa ressaltou a importância estratégica do Comitê. "Nós temos um grande desafio de articular políticas e setores do governo. A tendência das nossas instituições é se fecharem e realizarem trabalho isolado. Daí a importância deste Comitê".



O secretário nacional de Articulação Social da Secretaria-Geral da Presidência da República, Gerson Luiz de Almeida, destacou a necessidade da ampliação das políticas afirmativas, ainda que elas não sejam consensuais na sociedade brasileira: "São um processo de disputa sobre visões de mundo e sobre como consolidar uma democracia que sirva para todos os setores sociais".

Entre os presentes à solenidade, estava o deputado Carlos Santana (PT-RJ), presidente da Frente Parlamentar de Promoção da Igualdade Racial, além de representantes das agências do sistema ONU e gestores do Fórum Intergovernamental de Promoção da Igualdade Racial (FIPIR).



Sob coordenação da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR), o Comitê terá atuação transversal no Governo e a participação dos seguintes ministérios: Secretaria-Geral da Presidência da República; Secretaria Especial dos Direitos Humanos; Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres; Ministério da Educação; Ministério da Justiça; Ministério da Saúde; Ministério das Cidades; Ministério do Desenvolvimento Agrário; Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome; Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão; Ministério do Trabalho e Emprego; Ministério das Relações Exteriores; Ministério da Cultura; Ministério de Minas e Energia.

ENTREVISTA - "Nosso racismo é um crime perfeito"



O antropólogo Kabengele Munanga fala sobre o mito da democracia racial brasileira, a polêmica com Demétrio Magnoli e o papel da mídia e da educação no combate ao preconceito no país.

Por Camila Souza Ramos e Glauco Faria

Fórum - O senhor veio do antigo Zaire que, apesar de ter alguns pontos de contato com a cultura brasileira e a cultura do Congo, é um país bem diferente. O senhor sentiu, quando veio pra cá, a questão racial? Como foi essa mudança para o senhor?
Kabengele - Essas coisas não são tão abertas como a gente pensa. Cheguei aqui em 1975, diretamente para a USP, para fazer doutorado. Não se depara com o preconceito à primeira vista, logo que sai do aeroporto. Essas coisas vêm pouco a pouco, quando se começa a descobrir que você entra em alguns lugares e percebe que é único, que te olham e já sabem que não é daqui, que não é como “nossos negros”, é diferente. Poderia dizer que esse estranhamento é por ser estrangeiro, mas essa comparação na verdade é feita em relação aos negros da terra, que não entram em alguns lugares ou não entram de cabeça erguida.
Depois, com o tempo, na academia, fiz disciplinas em antropologia e alguns de meus professores eram especialistas na questão racial. Foi através da academia, da literatura, que comecei a descobrir que havia problemas no país. Uma das primeiras aulas que fiz foi em 1975, 1976, já era uma disciplina sobre a questão racial com meu orientador João Batista Borges Pereira. Depois, com o tempo, você vai entrar em algum lugar em que está sozinho e se pergunta: onde estão os outros? As pessoas olhavam mesmo, inclusive olhavam mais quando eu entrava com minha mulher e meus filhos. Porque é uma família inter-racial: a mulher branca, o homem negro, um filho negro e um filho mestiço. Em todos os lugares em que a gente entrava, era motivo de curiosidade. O pessoal tentava ser discreto, mas nem sempre escondia. Entrávamos em lugares onde geralmente os negros não entram.
A partir daí você começa a buscar uma explicação para saber o porquê e se aproxima da literatura e das aulas da universidade que falam da discriminação racial no Brasil, os trabalhos de Florestan Fernandes, do Otavio Ianni, do meu próprio orientador e de tantos outros que trabalharam com a questão. Mas o problema é que quando a pessoa é adulta sabe se defender, mas as crianças não. Tenho dois filhos que nasceram na Bélgica, dois no Congo e meu caçula é brasileiro. Quantas vezes, quando estavam sozinhos na rua, sem defesa, se depararam com a polícia?
Meus filhos estudaram em escola particular, Colégio Equipe, onde estudavam filhos de alguns colegas professores. Eu não ia buscá-los na escola, e quando saíam para tomar ônibus e voltar para casa com alguns colegas que eram brancos, eles eram os únicos a ser revistados. No entanto, a condição social era a mesma e estudavam no mesmo colégio. Por que só eles podiam ser suspeitos e revistados pela polícia? Essa situação eu não posso contar quantas vezes vi acontecer.
Lembro que meu filho mais velho, que hoje é ator, quando comprou o primeiro carro dele, não sei quantas vezes ele foi parado pela polícia. Sempre apontando a arma para ele para mostrar o documento. Ele foi instruído para não discutir e dizer que os documentos estão no porta-luvas, senão podem pensar que ele vai sacar uma arma. Na realidade, era suspeito de ser ladrão do próprio carro que ele comprou com o trabalho dele. Meus filhos até hoje não saem de casa para atravessar a rua sem documento. São adultos e criaram esse hábito, porque até você provar que não é ladrão... A geografia do seu corpo não indica isso.
Então, essa coisa de pensar que a diferença é simplesmente social, é claro que o social acompanha, mas e a geografia do corpo? Isso aqui também vai junto com o social, não tem como separar as duas coisas. Fui com o tempo respondendo à questão, por meio da vivência, com o cotidiano e as coisas que aprendi na universidade, depoimentos de pessoas da população negra, e entendi que a democracia racial é um mito. Existe realmente um racismo no Brasil, diferenciado daquele praticado na África do Sul durante o regime do apartheid, diferente também do racismo praticado nos EUA, principalmente no Sul. Porque nosso racismo é, utilizando uma palavra bem conhecida, sutil. Ele é velado. Pelo fato de ser sutil e velado isso não quer dizer que faça menos vítimas do que aquele que é aberto. Faz vítimas de qualquer maneira.

Quando você tem um sistema como o sul-africano ou um sistema de restrição de direitos como houve nos EUA, o inimigo está claro. No caso brasileiro é mais difícil combatê-lo...

Kabengele - Claro, é mais difícil. Porque você não identifica seu opressor. Nos EUA era mais fácil porque começava pelas leis. A primeira reivindicação: o fim das leis racistas. Depois, se luta para implementar políticas públicas que busquem a promoção da igualdade racial. Aqui é mais difícil, porque não tinha lei nem pra discriminar, nem pra proteger. As leis pra proteger estão na nova Constituição que diz que o racismo é um crime inafiançável. Antes disso tinha a lei Afonso Arinos, de 1951. De acordo com essa lei, a prática do racismo não era um crime, era uma contravenção. A população negra e indígena viveu muito tempo sem leis nem para discriminar nem para proteger.

Aqui no Brasil há mais dificuldade com relação ao sistema de cotas justamente por conta do mito da democracia racial?

Kabengele - Tem segmentos da população a favor e contra. Começaria pelos que estão contra as cotas, que apelam para a própria Constituição, afirmando que perante a lei somos todos iguais. Então não devemos tratar os cidadãos brasileiros diferentemente, as cotas seriam uma inconstitucionalida de. Outro argumento contrário, que já foi demolido, é a ideia de que seria difícil distinguir os negros no Brasil para se beneficiar pelas cotas por causa da mestiçagem. O Brasil é um país de mestiçagem, muitos brasileiros têm sangue europeu, além de sangue indígena e africano, então seria difícil saber quem é afro-descendente que poderia ser beneficiado pela cota. Esse argumento não resistiu. Por quê? Num país onde existe discriminação antinegro, a própria discriminação é a prova de que é possível identificar os negros. Senão não teria discriminação.
Em comparação com outros países do mundo, o Brasil é um país que tem um índice de mestiçamento muito mais alto. Mas isso não pode impedir uma política, porque basta a autodeclaração. Basta um candidato declarar sua afro-descendê ncia. Se tiver alguma dúvida, tem que averiguar. Nos casos-limite, o indivíduo se autodeclara afrodescendente. Às vezes, tem erros humanos, como o que aconteceu na UnB, de dois jovens mestiços, de mesmos pais, um entrou pelas cotas porque acharam que era mestiço, e o outro foi barrado porque acharam que era branco. Isso são erros humanos. Se tivessem certeza absoluta que era afro-descendente, não seria assim. Mas houve um recurso e ele entrou. Esses casos-limite existem, mas não é isso que vai impedir uma política pública que possa beneficiar uma grande parte da população brasileira.
Além do mais, o critério de cota no Brasil é diferente dos EUA. Nos EUA, começaram com um critério fixo e nato. Basta você nascer negro. No Brasil não. Se a gente analisar a história, com exceção da UnB, que tem suas razões, em todas as universidades brasileiras que entraram pelo critério das cotas, usaram o critério étnico-racial combinado com o critério econômico. O ponto de partida é a escola pública. Nos EUA não foi isso. Só que a imprensa não quer enxergar, todo mundo quer dizer que cota é simplesmente racial. Não é. Isso é mentira, tem que ver como funciona em todas as universidades. É necessário fazer um certo controle, senão não adianta aplicar as cotas. No entanto, se mantém a ideia de que, pelas pesquisas quantitativas, do IBGE, do Ipea, dos índices do Pnud, mostram que o abismo em matéria de educação entre negros e brancos é muito grande. Se a gente considerar isso então tem que ter uma política de mudança. É nesse sentido que se defende uma política de cotas.
O racismo é cotidiano na sociedade brasileira. As pessoas que estão contra cotas pensam como se o racismo não tivesse existido na sociedade, não estivesse criando vítimas. Se alguém comprovar que não tem mais racismo no Brasil, não devemos mais falar em cotas para negros. Deveríamos falar só de classes sociais. Mas como o racismo ainda existe, então não há como você tratar igualmente as pessoas que são vítimas de racismo e da questão econômica em relação àquelas que não sofrem esse tipo de preconceito. A própria pesquisa do IPEA mostra que se não mudar esse quadro, os negros vão levar muitos e muitos anos para chegar aonde estão os brancos em matéria de educação. Os que são contra cotas ainda dão o argumento de que qualquer política de diferença por parte do governo no Brasil seria uma política de reconhecimento das raças e isso seria um retrocesso, que teríamos conflitos, como os que aconteciam nos EUA.

Agora o DEM entrou com uma ação no STF pedindo anulação das cotas. O que motiva um partido como o DEM, qual a conexão entre a ideologia de um partido ou um intelectual como o Magnoli e essa oposição ao sistema de cotas? Qual é a raiz dessa resistência?

Kabengele – Tenho a impressão que as posições ideológicas não são explícitas, são implícitas. A questão das cotas é uma questão política. Tem pessoas no Brasil que ainda acreditam que não há racismo no país. E o argumento desse deputado do DEM é esse, de que não há racismo no Brasil, que a questão é simplesmente socioeconômica. É um ponto de vista refutável, porque nós temos provas de que há racismo no Brasil no cotidiano. O que essas pessoas querem? Status quo. A ideia de que o Brasil vive muito bem, não há problema com ele, que o problema é só com os pobres, que não podemos introduzir as cotas porque seria introduzir uma discriminação contra os brancos e pobres. Mas eles ignoram que os brancos e pobres também são beneficiados pelas cotas, e eles negam esse argumento automaticamente, deixam isso de lado.

Jornalistas traçam nova perspectiva para a comunicação étnico racial


>
Estiveram em pauta os indicadores socioeconômicos de raça e etnia nos meios de
> comunicação e a rodada dos censos de 2010.O Evento registrou mais de 100
> inscrições de jornalistas, comunicadores, estudantes de comunicação
> e interessados.
>
>

A cobertura da imprensa brasileira sobre a questão racial e a
> produção de dados sobre a população negra foram os assuntos do II
> Seminário Estadual O Negro na Mídia: a Invisibilidade da Cor e do
> Encontro Latino-americano de Comunicação, Afrodescendentes e Censos
> de 2010. Os evento começou dia 17/9, em Porto Alegre, e reuniu
> jornalistas, institutos de pesquisa, especialistas em indicadores
> socioeconômicos, governo brasileiro e Nações Unidas.
>
> No painel Indicadores da Negritude e os Meios de Comunicação, Maria
> Inês Barbosa - coordenadora do Programa de Gênero, Raça e Etnia do
> UNIFEM Brasil e Cone Sul (Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas
> para a Mulher), destacou a importância da produção de dados
> desagregados por raça e etnia para a gestão das políticas públicas,
> controle social e cobertura de imprensa. A mesa começou às 19h desta
> quinta-feira.
>
> Jornalistas, universitários dos cursos de Comunicação e Jornalismo e
> público em geral tiveram a oportunidade de repensar as diferenças
> raciais e étnicas, práticas de discriminação e racismo, identidade
> e auto-estima da população negra brasileira.
>
> Na manhã do dia 18 de setembro, o Encontro Latino-americano de
> Comunicação, Afrodescendentes e Censos de 2010 instalou a agenda da
> desagregação de dados por raça e etnia nos censos de 2010 entre
> jornalistas, comunicadores e sociedade civil. O debate teve contribuições de jornalistas do Brasil, Colômbia, Equador e Espanha.
>
>
> Os encontros foram gratuitos e promovidos pelo Sindicato dos Jornalistas
> Profissionais do Rio Grande do Sul, através do Núcleo de Jornalistas
> Afro-brasileiros, com apoio do UNIFEM Brasil e Cone Sul, UNIC-Rio
> (Centro de Informação das Nações Unidas), Fenaj (Federação
> Nacional de Jornalistas), Fepalc (Federação de Jornalistas da
> América Latina), ARI (Associação Riograndense de Imprensa) e IPEA
> (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada).
>
>
>
>