terça-feira, 27 de abril de 2010

Que porra é essa?



Maria José Cotrim

Criei esse jargão para falar de algumas situações e discursos políticos de alguns metidos a políticos. Aqueles que você tem que respirar fundo e perguntar: “Que porra é essa?”. Participei nesta segunda, 26, de um espetáculo teatral. Uma peça que poderia se chamar “A volta do Messias”.

Sim. O Messias. O salvador da terra, segundo a Bíblia Sagrada.Por trás da equipe de grande produção estava simplesmente Duda Mendonça. Publicitário, marqueteiro...profissional de destaque. Tudo foi como diz o Chapolin Colorado “Friamente calculado”.

A chegada do ex-governador Siqueira Campos (PSDB) junto com a senadora Kátia Abreu (DEM) e o senador João Ribeiro (PR), a chuva de confetes, o jingle pedindo: “Volta Siqueira” e é claro principal: “o discurso”.Os símbolos da falta de democracia, do ruralismo e da exploração...respectivamente.

O calor arretado se juntou aos conceitos que Duda listou no discurso e simplesmente tirou o brilho do espetáculo teatral. Eu assistia de cima, numa visão privilegiada. Siqueira falou de mudanças, de esperanças, de um novo tempo.

Disse que ele é o mesmo,o tempo é que é outro. “Que porra é essa?” Como assim? Cruel contradição. Como um homem que não mudou pode representar toda essa esperança?

Mas tudo bem. Ele falou de combate ás drogas e corrupção. De sonhos...Como de praxe não faltaram as “jogadas históricas” para relembrar os presentes de que ele foi “O CARA” que criou o Estado. Discurso fraco. Agregaram os valores, as frases de efeito mas a performarce não casou com as palavras.

No fim, ele de braços abertos, uma luz intencional focada nele e dizendo : “Eu vou restaurar o Estado” .... “Que porra é essa?”. Arrepiei! Sensacionalismo na alta! Se eu tivesse um controle remoto e fosse um filme eu pausaria na hora.

Kátia e Ribeiro ao lado acompanhavam o discurso do “homem que vem para cuidar das pessoas”. O evento lotou mas quem deveria estar lá de fato não foi.

Amélio Cayres, Osvaldo Reis, Alexandre Abdala, José Santana,,,para que anunciar o nome de prefeitos e deputados que não estavam....”Que porra é essa?”.

O João Ribeiro gritando, gritando, com uma necessidade louca e desesperada de gritar...meu Deus alguém pare esse homem! Ele realmente precisava selar seu retorno á União do Tocantins com chave de ouro...Sou a prova viva de que ele tentou! Deu umas bolas na trave mas tudo bem...

Agora..Ao lado do prefeito de São Paulo, do Siqueira e da Kátia declarar apoio á Dilma Rousseff essa nem “FREUD EXPLICA”.

Se o Messias vai voltar eu não sei ainda...depende do povo! Mas que o espetáculo mostrou muitas contradições, isso sim.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Movimento para que?



Ayê companheiros e ex-companheiros! Mais uma sexta de Oxalá deste abril que corre rápido.

Por Maria José Cotrim

Desde ontem tenho recebido vários e-mails de amigos que estão concluindo a Pós-graduação em História da África na Universidade Federal do Tocantins. Os alunos estão fechando o artigo de conclusão do curso e os temas são variados dentro da temática étnico-racial. Um deles em especial me chamou atenção pois fala dos fenômenos culturais na comunidade do Morro de São João.

O historiador André Gomes está estudando as manifestações culturais na comunidade e como ele me narrou as condições são subumanas. Parece discurso batido falar da infra-estrutura das comunidades quilombolas e talvez seja...mas se esse tema tem ocupado tantos textos nesse blog é um sinal de que infelizmente nada vem sendo feito.

Preservar a comunidade não é deixar ela lá solta vivendo ao Léo. Ao contrário do que muitos pensam não vou delegar a culpa ao governo. Ao menos que esse tenha sido provocado sobre a questão e não tenha dado resposta..pelo que eu sei não foi o que aconteceu.

Os problemas estruturais são complicadinhos de resolver, reclamações não faltam. O que falta é levar tais reivindicações ao lugar certo. Gente...é preciso um movimento de quilombos com uma comissão formada para levantar as demandas PRIORITÁRIAS de todas as comunidades.A Federação Quilombola também pode cumprir esse papel em parceria com os órgãos responsáveis.

È preciso interlocutores. Líderes.... E esse diagnóstico que falo não é o que já me foi repassado com número de famílias ,número de orelhão e outros dados superficiais. É um levantamento detalhado que aborde questões físicas e sociais da comunidade. Os pesquisadores da UFT ajudam nesse processo pois não há como estudar a cultura da comunidade sem entender o modo de ver e pensar de quem vive lá.A situação que afeta as famílias que vivem nos quilombos precisa de um raio-x.

Infelizmente, a ajuda não vai cair do céu por mais que tenham muitos empenhados...

Enquanto esse "movimento" não vier com força e objetivos nossas comunidades continuarão sendo centro de pesquiasas isoladas que não influenciam positivamente em nenhum aspecto a vida nos quilombos...

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Algo mais além do cinismo político...



Por Maria José Cotrim

Pra começar bem a semana..resolvi escrever o que penso sobre cinismo político...vc já viu isso?

Tenho perambulado pelo meio político do Estado no meu ofício de cobrir os eventos e sessões na Assembléia Legislativa. Existem muitos elementos além do estereótipo de que os políticos recebem muito e ganham pouco. Temos mesmo os que ralam, que tem compromisso com a classe e região que representam.

Dá gosto de ver uma discussão parlamentar saudável. Um bate-bola político baseado em idéias.Como por exemplo no dia em que os deputados estaduais aprovaram á muito custo e por 12 a 10 a exigência de diploma para ingresso na PM do Estado. Cada um lutando pelo que acredita e na verdade o que prevaleceu foi a orientação da bancada governista.

No entanto na outra semana o governo voltou atrás e voltou a lei sem obrigatoriedade de diploma. A política é isso: embate de idéias! Dá para fazer toda uma análise e tal..mas essa humilde blogueira vai se ater hoje ao : cinismo político.

Coisas diante das quais você como profissional da notícia se sente simplesmente um idiota ou burro.Sim! O dia que vi o presidente da Associação Tocantinense de Municípios, Valtenis Lino (PMDB) negando que tinha assinado um documento com sua assinatura e registrado em cartório foi simplesmente incômodo.

Ele olhava para mim, se enrolava nas palavras e negava ter assinado. Repercutiu aí na net o caso de um deputado estadual que negou ter matado uma onça a qual ele estava pousando com uma espingarda ao lado dela. Ele só tirou a foto com a onça MORTA para registrar... só isso! Sinceramente...

Dias atrás liguei para um deputado federal alvo de uma mobilização em Araguaína e aclamado ao Senado. Era um domingão, os peemedebistas lançaram o nome dele ao Senado e ele não hesitou em me responder quando eu liguei pra ele : “Uma mobilização para meu nome ao Senado? HãM? Nossa to sabendo agora por que você está me falando...como foi isso?” tive que respirar fundo e explicar detalhes para este que tinha justamente acabado de chegar da tal reunião.

O que fazer quando seu filho é procurador de uma empresa e você o vice-governador do Estado que contratou o serviço dessa empresa que por sinal não executou o serviço...complicado! Mas dizer que não tem nada a ver com isso não é a melhor solução.Negócios, negócios administração á parte!Sem entrar no mérito de veracidade da questão pelo menos uma explicação que preste, os fatos exigem.

Não tenho complexo de perseguição política com ninguém mas explicar, de fato, sem enrolar pode sanar a dúvida e questionamentos de primeira mão. São situações pequenas em que você acha que realmente o problema é você. Vejo o cinismo como uma tática de burlar os fatos que incomodam. O problema é que na maioria das vezes, como todas estas que citei, expõe a fragilidade e “versão meio duvidosa” dos fatos...

O que alivia é saber que além do cinismo há algo mais...a confiança no trabalho destes nossos representantes.Precisamos realmente dela!

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Quando o desespero domina: eu entendo!



Boa tarde a todos! Depois de uma quarta-feira daquelas estou de volta nesse meu cantinho virtual.

Até onde o desespero pode levar uma pessoa? Muitos...tem gente que mata por comida, por amor e tantas coisas mais. Sempre tive como meta tentar controlar a ansiedade e o desespero. Muitas vezes confesso que não consigo... este “mal psicológico” pode nos levar a lugares longínquos.No fim de um dia inteiro de sessões na Assembléia Legislativa fui tentar entrevistar um “representante do povo” e ele não estava muito bom.

Me questionou dizendo que o veículo de comunicação que eu trabalho estava fazendo matérias contra ele. O senhor em questão estava com as matérias impressas na mão e nem importou quem presenciava a cena para começar a fazer sua análise. “ Me comparar com o caso do Arruda?Isso não é coisa que se faz!”, disse.

Eu o olhava atentamente. O homem do sudeste seguia nas indagações. “Um amigo faz isso com outro?”, indagou se referindo ás matérias que falavam que o processo de cassação dele no Tribunal Regional Eleitoral estava concluído esperando somente julgamento.

Entendo que um mandato é conseguido com súor ainda mais quando se consegue a vaga de parlamentar sendo o último mais votado.Eu entendo. Ele não quis me dar a entrevista e nem questionei muito.

Me impressionou o cara dizer que entende de marketing político. Detalhe: se isso for verdade é a prova viva de que nem sempre colocamos em prática nossos conhecimentos sobre alguma coisa. Enfim, quando o desespero aponta realmente a gente explode.

Essa situação me leva a pensar que o jornalismo político ainda precisa ser melhor discutido não só entre os profissionais mas também com os “agentes da informação” que são os políticos. Com certeza quando essa abertura vier atitudes como essa de culpar os veículos pelos “FATOS” que afetam a vida do parlamentar irão acontecer com menos freqüência.

Mas faz parte do desespero procurar um culpado para os problemas políticos: EU ENTENDO!

quinta-feira, 8 de abril de 2010

As razões e faces da justiça...




Por Maria José Cotrim

Me intrigou o relato de um amigo que foi durante essa semana um dos integrantes do Júri de um homem que matou outro na capital federal. O tal cara foi condenado a 14 anos de prisão e após negociação entre advogado de defesa e juiz a pena foi reduzida para 9 anos.

Conforme me relato, os dois mendigos começaram a brigar porque um deles levantou para fazer alguma coisa e o outro aproveitou pra roubar a comida do outro. Um pedaço de ferro foi usado para atingir um dos “personagens dessa história”. A história mexeu comigo.

A lei é pontual nas punições: matou tem que pagar pelo crime.
As razões fazem parte de outra história...O crime pela comida pode ser considerado menos do que outros de má fé?São questões de justiça que intrigam.Ás vezes reclamamos que a justiça tarda e tarda mesmo. Mas acredito também que fala ás vezes por vários motivos.

Os casos são pontuais e as razões para punição também. Além do assassinato bárbaro contra a menina Isabela Nardoni existem outros que também intrigam pela proporção da ação criminosa. É o caso desse...

Justiça no Tocantins

Saindo da parte criminal e tratando de outra face da justiça no Tocantins uma dúvida também paira no Tocantins. Mais de 104 mil inscritos no concurso do Quadro Geral do governo aguardam uma decisão da justiça sobre a legalidade ou não do certame. Os desembargadores tem parentes que fizeram as provas e por isso estão impedidos de atuar no caso. Enquanto isso já se passa um ano do impasse e os aprovados aguardam impacientemente.O que falta para a justiça priorizar o assunto? É...são as faces da justiça!

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Dia do Jornalista: repensar o papel social da notícia é possível



Olá Companheiros!

Hoje é o dia do Jornalista!Dia do profissional da nótícia. Daquele que tanto ajuda na formação crítica da sociedade informando sobre os mais diversos assuntos que envolvem a comunidade. Ainda com seus problemas pontuais o Jornalismo vem passando por modificações e aperfeiçoamentos.

Vivo nesse mundo! Junto da notícia e com o compromisso de trabalhar a comunicação étnico-racial! O jornalismo comunitário voltado para as demandas sociais, na luta e anseios dos movimentos populares.

Nesse dia sinto orgulho sim de exercer essa profissão. Mas penso que tenho muito ainda a fazer! Muito a contribuir na discussão em prol da Igualdade Racial em nosso país. Acredito no jornalismo como meio de informar e além disso de transformar a sociedade.

Com diplomo ou sem diploma o Jornalista é um profissional essencial para a sociedade. Consciência crítica e cidadã fazem parte dos pilares do Jornalismo.

Minha luta em prol de uma abordagem positiva dos negros nos meios de comunicação continua. Parabéns aos colegas jornalistas! Vamos em frente na nossa missão!

Maria José Cotrim

sexta-feira, 2 de abril de 2010

A Secretaria da Mulher e a inclusão quilombola no Estado



Por Maria José Cotrim

Nesta quarta, 31, a Secretaria Extraordinária de Políticas para as Mulheres foi implantada no Estado e ganhou como titular a ex-prefeita de Arraias, Marizete Batista. Fiquei feliz ao ouvir o governador Carlos Henrique Gaguim (PMDB) lembrar as mulheres quilombolas quando falou das atribuições da pasta.

Mesmo sendo extraordinária a pasta abre caminho para uma série de avanços e implementação de políticas.Na subsecretaria ficou a Procuradora Federal e militante da causa, Teresa Ibiapina. O espaço foi aberto e precisa agregar as demandas.Não posso deixar de elencar o movimento de mulheres quilombolas do Estado.

O governador é muito feliz em suas palavras quando diz que prioriza a mulher. Está assinando convênios para a construção de uma clínica da mulher em cada município do Estado. È uma injeção de ânimo para a causa!

Uma vez durante o Fórum de Juventude Negra em Guarujá São Paulo participei de uma mesa de debates sobre a mulher negra. Falei dos estereótipos, das dificuldades, da falta de escolaridade mas mencionei no final a esperança. Sim! Nossas mulheres têm alcançado espaço na política, nas universidades nos espaços de poder...

Ainda de forma tímida. A secretaria ainda é apenas um canal mas acredito que pode sim dar certo.E cobro aqui a inclusão de representantes quilombolas.As discussões precisam ser amplas. Temos no Estado a Associação de Mulheres quilombolas,as mulheres do capim dourado, da súscia,nossas rezadeiras, benzedeiras...as mulheres da cultura popular.

A secretaria tem muitos desafios além de combater a violência doméstica.Um deles é não esquecer de abranger as particularidades de nossas representantes quilombolas.
Estou na torcida por um bom trabalho da pasta. Bom feriado a todos!