quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Movimentos sociais com Gaguim: “ou vai ou racha!”




Por Maria José Cotrim


Hoje foi o último dia do horário eleitoral do pleito de outubro. Acompanhei todos os programas dos dois candidatos do Tocantins, ex-governador Siqueira Campos (PSDB) e Carlos Gaguim (PMDB).Faltam três dias para a decisão nos rumos políticos do Estado que serão de uma maneira ou outra decisivos para os movimentos sociais.

Para os movimentos sociais apenas um candidato teve proposta: isso é fato! No programa do Siqueira foi dito que apenas ele tem plano de governo mas quem buscou o diálogo com os movimentos sociais do Tocantins entre eles as lideranças do movimento negro foi o candidato do PMDB.

Estou falando de proposta. O Estado tem suas prioridades maiores assim como o Brasil na saúde, educação e segurança pública, mas para diagnosticar os problemas nessas áreas sem a ação e envolvimento das várias organizações populares é com certeza mais trabalhoso e também inviável.

Vários movimentos declararam apoio a Gaguim, dentre eles o de Luta pela Moradia, a Via campesina, o movimento de atingidos por barragens e outros.No palanque cada representante elencou as necessidades e demandas.

Mas dialogar com os movimentos não é fácil. Deve haver um “epicentro” entre os dois para proporcionar o equilíbrio .As lideranças esperam e acreditam na eleição de Gaguim mas espero que estejam cientes que a Siqueira ao contrário do que fez a Central única dos Trabalhadores, não foi apresentada nenhuma carta de compromisso.
Se Siqueira vencer o pleito os movimentos voltarão à estaca zero e terão que reconstruir uma relação institucional com o Estado.

A força política dos movimentos vem dos partidos aliados de esquerda que estão com Gaguim aqui no Estado, motivo pelo qual os movimentos estão engajados na reeleição do peemedebista, afinal ele é o candidato do Lula e da Dilma.

Vi o Gaguim mencionando tanto no debate político desta terça-feira, 28, quanto no último programa de hoje os negros e quilombolas do Estado. Mas não vi o peemedebista participar em momento algum da caminhada com os movimentos em Palmas em prol de sua candidatura, pelo contrário ao invés de se unir a 600 militantes de vários lugares do Estado chegou foi atrasado ao evento. A verdade é que na relação entre movimento e governo não deve ter ilusão e sim cumplicidade.

Afinal, o movimento vive de realidade e ideologia que resultam nas ações.
Digo que será uma nova era para os movimentos sociais no Tocantins a partir do próximo ano ou um momento favorável para a reconstrução de um diálogo e parceria com a esfera governamental. Vamos ver no que vai dar: Ou vai, ou racha!

terça-feira, 28 de setembro de 2010

ENTREVISTA: “O movimento negro foi o principal ator político na conquista política do negro brasileiro”, diz presidente da Unegro



Por Maria José Cotrim

Inaugurando o rol de entrevistas do nosso NEGRO EM DEBATE,o nosso convidado desta semana é o presidente da União de Negros pela Igualdade, Edson França. De São Paulo, ele respondeu às perguntas encaminhadas.Dentre os principais questionamentos, Edson relatou a contribuição do movimento negro para as mudanças sociais no Brasil.O presidente ressalta o diálogo “positivo e constante” entre a política e o movimento.

Veja a entrevista:

1- Para você qual a contribuição efetiva do movimento negro para as conquistas em prol da Igualdade Racial?

EDSON FRANÇA - Penso que a principal e mais efetiva contribuição do movimento negro para a igualdade racial é ininterrupta luta manifestada ao longo dos séculos de combate ao racismo e aos racistas. Realizamos inúmeras ações políticas (marchas, assembléias, plenárias, conferências, articulações, pressões, abaixo-assinado) reivindicando bandeiras de luta com vista à emancipação da população negra. Convencemos nossos partidos, pautamos o debate no movimento social, onde conseguimos apoio a diversas propostas. O movimento negro foi o principal ator político na conquista política do negro brasileiro, a última batalha vitoriosa foi a aprovação do Estatuto da Igualdade Racial, temos que exigir sua total implantação. Considero que o Brasil dará um salto de qualidade em sua estrutura social e, conseqüentemente, poderá unir o povo brasileiro se observar corretamente as implicações do Estatuto da Igualdade Racial nas políticas públicas nos campos da educação, trabalho, saúde, terra, cultura, comunicação e gestão pública.

2- A Unegro é um dos maiores movimentos do país. Qual e como se manifesta a relação entre a questão partidária, já que a maioria dos membros da entidade milita no PCdoB, e o trabalho desenvolvido pela entidade?


EDSON FRANÇA - A UNEGRO é uma organização social de combate ao racismo autônoma, com atuação no movimento negro e na luta antirracismo, estamos nos preparando para ampliar o leque de intervenção da entidade, pois entendemos que assim como as políticas públicas, as ações contra o racismo devem ser transversalizadas, visto que a desigualdade de negros e brancos se constrói e enraíza em quase todos os espaços políticos, econômicos, culturais, sociais e ideológicos. As instâncias de deliberações da UNEGRO são sua coordenação, plenárias, assembléias e congressos, espaços de direção consagrados em nosso Estatuto Social. Nossa relação com os partidos políticos - especialmente de esquerda, pois entendemos que os partidos defensores do atual sistema, defendem igualmente o racismo – é de diálogo positivo e constante. Os Partidos são estruturas de poder, defendemos que a população negra tem que estar dentro, sob pena de atentar contra seu próprio empoderamento. Há na UNEGRO militantes de vários partidos, de fato a maioria é do PCdoB, considero uma característica importante da militância da UNEGRO, pois reforça nossa unidade interna e nos aproxima de um pensamento avançado para o Brasil. Acreditamos e temos visto na prática que a pauta partidária e a pauta do movimento negro não são contraditórias, ao contrario, podem se retroalimentarem, porém nem sempre se encontram, pois tem sentidos próprios. A UNEGRO compreende que parte importante dos avanços conquistados pelo movimento negro foi pauta ou pautado pelos partidos de esquerda, compreendemos que o PCdoB, PT, PDT, PSB, PSOL, PSTU, PMDB têm longa contribuição e serviços prestados a luta contra o racismo

3- Como a UNEGRO vê o espaço que os movimentos conquistaram junto ao governo atual?

EDSON FRANÇA - A UNEGRO valoriza os espaços de igualdade racial instituídos pelo governo atual, entendemos que a institucionalização de espaços de igualdade racial na estrutura administrativa do governo é um tiro certeiro no discurso da democracia racial propugnado oficialmente pelo Estado brasileiro, interna e externamente, até inícios dos anos 2000. Quando o Estado institui um órgão (SEPPIR), ligado a Presidência da República, dá um recado eloqüente à sociedade brasileira da necessidade de combatermos o racismo e produzirmos a igualdade entre negros e brancos. Defendemos para o próximo governo a manutenção e fortalecimento institucional da SEPPIR, e a capilarização de estruturas análogas descentralizadas regionalmente e em diversos ministérios. Assim o Estado terá maior capacidade gerencial para dar real efetividade e eficácia nas políticas de igualdade racial.

4- O movimento negro sofre um processo de descaracterização das bandeiras de luta principalmente com relação à política de cotas. Como a entidade lida com isso?

EDSON FRANÇA - A UNEGRO não considera as bandeiras de lutas do movimento negro descaracterizadas, ao contrário, todas são importantes para luta contra o racismo. No entanto, consideramos insuficientes para emancipação de uma maioria populacional, consideramos que parte importante das nossas bandeiras não dialoga com a necessidade da população negra ascender e compartilhar o poder político e material no Brasil. Consideramos uma fábula a idéia de que seja possível combater o racismo no marco do sistema atual, por isso a luta pelo poder político é deve ser a razão da existência do movimento negro. Defendemos que a luta atual do movimento negro tem que ter como prioridade a ascensão de negros e negras no poder, para nele operar as mudanças com objetivo de construir uma sociedade justa, sem racismo e sem nenhuma forma de opressão.

5- Quais as bandeiras de luta da UNEGRO e como a entidade vem se consolidando nos estados?

EDSON FRANÇA - A UNEGRO não tem bandeira específica, singular, ao contrário, nossas bandeiras são as mesmas do movimento negro brasileiro. Construímos juntos somos coletivamente autor e atores da luta racial no Brasil. Não temos coelho em cartola. É assim nacionalmente e tem sido assim nos estados. Hoje, estamos incomodados com a quantidade de propostas que não saem do papel. Somos o um movimento social fértil em formulação, pautamos o debate político no Brasil em vários momentos, estamos capilarizados em quase todos os municípios brasileiros. Falta-nos força política para dar materialidade em nossas propostas. A UNEGRO compreende que somente com força e vontade política será possível as bandeiras de luta do movimento negro ter real viabilidade.

6- Existe hoje, na sua opinião, uma disputa por espaço entre as várias entidades voltadas para a temática étnico-racial ou a relação é de união em prol da causa?
EDSON FRANÇA - Tenho dialogado com muitas lideranças do movimento negro brasileiro, minha percepção é de que estamos diante de um momento de amadurecimento e unidade, hegemonicamente. Há sim, aqueles que apostam na cizânia, mas são minoritários. Pois a luta contra o racismo e pela elevação social do negro é o substrato de toda nossa existência. Considero normal a diversidade no meio de uma grande unidade, em outras palavras, é perfeitamente previsível que as entidades tenham táticas políticas, ideologia e projetos singulares. Mas não são contraditórios, pois todos lutam contra o racismo.

7- Qual maior desafio atualmente na luta pela reparação social no país?
EDSON FRANÇA - A UNEGRO compreende que o maior desafio para reparação do negro e da negra brasileira é o compartilhamento do poder político e econômico entre negros e brancos, não acreditamos que as políticas públicas tenham potencial para reparar erros e dívidas seculares, quando muito mitigam desvantagens. Temos que construir um país de iguais, isso é reparar.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

O mito da igualdade racial e o efeito Prouni




Por Maria José Cotrim

Não faltam intelectuais para se posicionarem contras as cotas. Esse debate em torno das reserva de vagas nas universidades e ainda em outros setores da sociedade permeia há anos entre sociólogos, historiadores, militantes, e até entre os próprios estudantes e beneficiados e ainda entre os que não entendem “nadica de nada” do assunto.

Na base da argumentação dos críticos de plantão está o que eles apontam como conflito racial. Os dados do Programa Universidade para Todos, no entanto, desconstrói essa argumento.

Os bolsistas, que são selecionados de escolas públicas, têm acesso à universidades particulares contribuindo assim para a diversidade cultural no ambiente acadêmico. Os dados mostram que o índice de aproveitamento dos beneficiados do Prouni supera o dos não-bolsistas.

São 300 mil jovens negros hoje nas universidades através do programa, conforme dado repassado pelo Ministério da educação. Outros 50 mil estudam através do sistema de cotas das universidades.

Para o ministro da Educação, Fernando Haddad o Prouni é o maior exemplo de que as cotas dão certo e que não causam separativismo.“O ProUni é um modelo de cotas e vemos que a qualidade dos alunos não caiu.

Pelo contrário, os alunos têm desempenho superior ao dos não cotistas”, disse o ministro em entrevista essa semana.

De fato, o Prouni além de democratizar o acesso ao ensino superior, contempla a diversidade e propicia a convivência com a diferença.Sendo assim configura como uma ação afirmativa de reparação social.

Só que as políticas que dão certo não podem também deixar de serem analisadas gradualmente e se necessário sofrerem mudanças e com o Prouni também deve ser assim.

Como parafraseou essa semana o ministro da Promoção da Igualdade Racial, Elói Ferreira de Araújo há a necessidade de superar o “mito da democracia racial”.Não faltam pessoas para acreditarem nisso e saírem por aí reproduzindo o princípio errôneo de que o preconceito está nos olhos de quem vê.Esses é que são o perigo!

Esses alienados precisam ter conhecimento de que política pública efetiva é que muda a realidade social. È com investimento e estratégias reais de reparação que criaremos as condições para um modelo multicultural em todas as áreas. E o Prouni representa isso hoje numa sociedade ainda tão calejada de igualdade.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

São as peças do tabuleiro da moralização na política brasileira...



Por Maria José Cotrim

Netinho de Paula, Edson Santos e Boca Nervosa. Netinho de Paula, cantor, apresentador e agora candidato ao Senado tem sido alvo de polêmica na imprensa.Segundo as pesquisas divulgadas até o momento Netinho é um dos cotados para conseguir uma vaga no Congresso Nacional.

Alvo de denúncias por causa de problemas conjugais com a ex-esposa, Netinho nesta campanha assumiu erros e defendeu a Lei Maria da Penha que condena agressores de mulheres.

Mesmo sendo da igreja evangélica afirmou em entrevista que não tem nada contra a união estável entre pessoas do mesmo sexo. "Nós do PCdoB e da base aliada de esquerda acreditamos que isso [casamento gay] é legítimo. A pessoa que ama pode escolher com quem quer viver", disse ao Portal G1 completando ainda que o assunto não tem nada a ver com convicções religiosas.

O cantor da “Cohab” e de outros sucessos junto com a Negritude Júnior é o mesmo que através de um programa no SBT realizou vários sonhos das chamadas “princesas”.

Edson Santos, é o ex-ministro da Seppir que disputa uma vaga de deputado federal pelo Rio de Janeiro. À frente da Secretaria coordenou a pasta e mesmo saindo de lá continua sendo um aliado importante na luta da Igualdade racial.

Em tempos de aprovação da Ficha Limpa que selecionará os candidatos do futuro, uma renovação surge na política brasileira. Ainda não é a reforma política que trará uma redemocratização do Estado de Direito mas é o início sim de uma nova era.

E esse novo tempo passa com certeza por uma participação mais efetiva dos negros na política e principalmente no Senado Federal onde são feitas as alterações importantes na legislação brasileira.

Lá no Senado, o senador Paulo Paim lutou pela aprovação do estatuto da Igualdade Racial, até hoje o documento mais completo que propõe um conjunto de políticas públicas de reparação social. Com a resistência de outros partidos, o documento quase se eternizou no Congresso.

A reforma política passa principalmente pela qualidade dos representantes políticos. O Netinho e o Edson já são, independentes de ganhar ou não, lideranças políticas com representatividade étnico-racial forte e importante para a democracia. Muitos já perceberam e tentam desqualificar esse fator. Não é só de números de negros, brancos ou amarelos que estou falando.

A questão étnico-racial é ainda foco de vários candidatos desse pleito, uns como uma certa pitada de humor como o “Boca nervosa” que concorre a uma cadeira na Câmara Federal. Ele foi escolhido como um dos candidatos com slogan mais engraçados: “Dê uma chance para esse negão bronzear o congresso”, diz no horário eleitoral.

É ligado à cultura, é músico mas na política preferiu potencializar o apelido sendo assim alvo de muitas piadas.

O país urge de agentes do processo político com sede de renovação e moralização da democracia. E no dia três de outubro é que serão escolhidos os elementos desse processo.

Enquanto isso os "Bocas Pequenas" ironizam o processo e brincam de fazer política.São assim as peças do tabuleiro d amoralização da política brasileira.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Exposição fotográfica retrata Lagoa da Pedra e Roda de São Gonçalo



O projeto de exposição fotográfica Lagoa da Pedra e a Roda de São Gonçalo será apresentado entre os dias 07 a 12 de outubro na Fundação Cultural do Estado. De lá ela segue para todos os sete campi da UFT.

A exposição foi inspirada no livro: “A Roda de São Gonçalo na Comunidade Quilombola da Lagoa da Pedra em Arraias”, fruto de um trabalho de pesquisa do Mestrado em Ciências do Ambiente da Universidade Federal do Tocantins, que foi premiado no 1º Prêmio Nacional de Expressões Culturais Afrobrasileiras no início deste ano e ganhou um patrocínio para executá-la.

Quem visitar a exposição vai conferir 30 quadros, 3 totens que vão expor os selos e os cartões-postais que também fazem parte da mesma, 1 quebra-cabeça gigante e interativo, fotolivros, além de uma palestra acerca do trabalho de pesquisa que culminou a exposição e uma oficina sobre fotografia.

Pesquisa

O trabalho de pesquisa que deu origem ao projeto de exposição fotográfica é intitulado: “Lagoa da Pedra e Roda de São Gonçalo”, e foi realizado entre 2008 e 2009, pelo hoje, mestre Wolfgang Teske, sob a orientação do professor José Ramiro La Madrid Marón. Agora, em parceria com o repórter fotográfico Emerson Silva e o fotojornalista Manoel Júnior, o objeto de estudo que acompanhou todas as manifestações culturais da comunidade quilombola Lagoa da Pedra no município de Arraias, foi transformado em exposição, fotolivro, cartões postais e selos.

“A nossa intenção é interagir com a população de cada região onde passarmos com a exposição. Vamos convidar todos para participar, assistir a palestra, ver a exposição e fazer a oficina. Dessa forma, pretendemos motivar as pessoas a documentarem a expressão cultural de sua região”, explicou Teske.


Exposição


O projeto de exposição fotográfica foi desenvolvido pelo repórter fotográfico Emerson Silva, com co-autoria e curadoria do fotojornalista Manoel Júnior e pesquisas e textos do jornalista, educador, teólogo e mestre em Ciências do Ambiente, Wolfgang Teske.

O objetivo da mesma é valorizar e preservar suas origens, rituais e a manifestação religiosa conhecida como Roda de São Gonçalo: ritual empregado em pagamento a alguma graça alcançada ou concedida, por meio de uma promessa a São Gonçalo.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Quilombolas do Mumbuca recebem Inventário do Artesanato em capim dourado



“Esta é a primeira festa que está acontecendo na comunidade desta maneira, está tudo muito lindo”. Foi com estas palavras que a presidente da Associação dos Artesãos e Extrativistas de Mumbuca, Josilene Tavares, definiu a cerimônia de entrega do resultado do Projeto Capim Dourado – Trançando a Tradição, no povoado do Mumbuca, na última sexta-feira, 17.

O evento contou com uma vasta programação, que incluiu a exibição do vídeo documentário produzido durante o Projeto e manifestações artísticas, como o show do músico J. Bulhões e da dupla da comunidade do Mumbuca, Maurício e Arnon, tocando violas de buriti. A população do Povoado do Mumbuca também pôde conferir a exposição fotográfica “Capim Dourado – Trançando a Tradição”, que retratou momentos especiais de todo o trabalho de inventário.

Em seu discurso, o presidente da Fundação Cultural do Tocantins, Diomar Naves, ressaltou a importância do capim dourado para o Estado. “Realizar este tipo de projeto irá fazer com que o Povoado do Mumbuca não tenha apenas fama, mas sim tenha subsídios para que se possa angariar recursos para que todos que moram aqui tenham uma vida digna. O capim dourado é vitrine do Tocantins para todo o mundo e temos que preservar a tradição deste tipo de artesanato”, afirmou o presidente.

Nas próximas semanas, será entregue para cada família do povoado do Mumbuca um kit contendo um exemplar do vídeo documentário, um catálogo com a árvore genealógica e texto sobre a formação da comunidade e processo de produção das peças de artesanato em capim dourado. A entrega do resultado do Projeto Capim Dourado – Trançando a Tradição abriu a programação da tradicional Festa da Colheita do Capim Dourado, que termina nesta segunda-feira, 20.

“Capim Dourado – Trançando a Tradição”

O projeto teve início em julho de 2009 e foi dividido em seis etapas, sendo a última realizada no mês de junho deste ano e consiste no inventário do saber fazer dos artesãos do Mumbuca, no que diz respeito à arte de costurar o capim dourado e transformá-lo em peças artesanais.

Neste período, foram visitadas 32 famílias; captadas imagens para a produção de um vídeo documentário; realizadas entrevistas com moradores da comunidade; feito o acompanhamento da colheita do capim dourado, além da realização de palestra de educação patrimonial com alunos e professores da comunidade. Foram envolvidas diretamente cerca de 130 pessoas entre artesãos e suas famílias.

Para a realização do Inventário, foram aplicados R$ 177.625,00, sendo R$ 142.100,00 provenientes do Fundo Nacional de Cultura e R$ 35.525,00 de contrapartida do Governo do Estado, por meio da Fundação Cultural.

sábado, 18 de setembro de 2010

IBGE aponta que metade das mulheres negras trabalham sem carteira assinada



As mulheres negras (pretas e pardas) estão em situação pior no mercado de trabalho que as brancas, revela pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgada hoje (17), mostrando que elas são maioria entre as trabalhadoras informais.

A pesquisa Síntese dos Indicadores Sociais 2009 destaca que enquanto metade das mulheres pretas (54,1%) e pardas (60%) trabalha sem carteira assinada, portanto, sem direito a benefícios como seguro desemprego e licença maternidade, o percentual de brancas na mesma situação é de 44%.

A situação contrasta com o fato de "um tipo de família mais vulnerável", segundo o documento, ser o de mulheres sem cônjuge, com filhos pequenos, cujos percentuais de mães pretas é de 23,3% e pardas, de 25,9%. Famílias nessas condições com mulheres brancas representavam 17,7% do total.

De acordo com o IBGE, a situação menos favorável das mulheres negras se dá em função da escolaridade e da renda. “Quando consultamos menores rendimentos, a maioria se declara preta ou parda. Tem uma correlação entre escolaridade, renda e cor flagrante”, justificou a pesquisadora, Ana Lúcia Sabóia.

Do total da população, a informalidade é maior entre as mais jovens e mais velhas. Entre aquelas de 16 a 24 anos, é de 69,2% e entre as com mais de 60 anos, de 82,2%. Segundo a pesquisa, os dois segmentos concentram pessoas com mais dificuldade de conseguir emprego.

"No caso da mais jovens, pode ser também pela dificuldade de conciliar emprego e estudos, e, no caso das mais idosas, o retorno de aposentadas e pensionistas ao mercado", diz o texto.

Em relação à posição na ocupação, a síntese destaca que os brancos eram 6,1% dos empregadores, enquanto os pretos eram 1,7% e os pardos, 2,8%. A maioria da população negra trabalhava sem carteira (17,4% entre os pretos e 18,9% entre os pardos). Entre os brancos, o percentual era de 13,8%.