segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Jornalistas traçam nova perspectiva para a comunicação étnico racial


>
Estiveram em pauta os indicadores socioeconômicos de raça e etnia nos meios de
> comunicação e a rodada dos censos de 2010.O Evento registrou mais de 100
> inscrições de jornalistas, comunicadores, estudantes de comunicação
> e interessados.
>
>

A cobertura da imprensa brasileira sobre a questão racial e a
> produção de dados sobre a população negra foram os assuntos do II
> Seminário Estadual O Negro na Mídia: a Invisibilidade da Cor e do
> Encontro Latino-americano de Comunicação, Afrodescendentes e Censos
> de 2010. Os evento começou dia 17/9, em Porto Alegre, e reuniu
> jornalistas, institutos de pesquisa, especialistas em indicadores
> socioeconômicos, governo brasileiro e Nações Unidas.
>
> No painel Indicadores da Negritude e os Meios de Comunicação, Maria
> Inês Barbosa - coordenadora do Programa de Gênero, Raça e Etnia do
> UNIFEM Brasil e Cone Sul (Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas
> para a Mulher), destacou a importância da produção de dados
> desagregados por raça e etnia para a gestão das políticas públicas,
> controle social e cobertura de imprensa. A mesa começou às 19h desta
> quinta-feira.
>
> Jornalistas, universitários dos cursos de Comunicação e Jornalismo e
> público em geral tiveram a oportunidade de repensar as diferenças
> raciais e étnicas, práticas de discriminação e racismo, identidade
> e auto-estima da população negra brasileira.
>
> Na manhã do dia 18 de setembro, o Encontro Latino-americano de
> Comunicação, Afrodescendentes e Censos de 2010 instalou a agenda da
> desagregação de dados por raça e etnia nos censos de 2010 entre
> jornalistas, comunicadores e sociedade civil. O debate teve contribuições de jornalistas do Brasil, Colômbia, Equador e Espanha.
>
>
> Os encontros foram gratuitos e promovidos pelo Sindicato dos Jornalistas
> Profissionais do Rio Grande do Sul, através do Núcleo de Jornalistas
> Afro-brasileiros, com apoio do UNIFEM Brasil e Cone Sul, UNIC-Rio
> (Centro de Informação das Nações Unidas), Fenaj (Federação
> Nacional de Jornalistas), Fepalc (Federação de Jornalistas da
> América Latina), ARI (Associação Riograndense de Imprensa) e IPEA
> (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada).
>
>
>
>

Rede Amazônia Negra faz enfrentamento no Senado sobre Estatuto da Igualdade Racial



Maria José Cotrim

A Rede Amazônia Negra - RAN quer abrir vários diálogos sobre a organização e ação do grupo.A missão agora é juntamente com tudo o Movimento Negro Nacional fazer o enfrentamento no Senado para que o Estatuto da Igualdade racial e PL 180/2008, que trata especificamente sobre a instituição de cotas raciais para o ingresso nas universidades públicas, tenha sua aprovação e para isso precisamos nos movimentar.

"Para isso, temos que ler o Estatuto como um todo e vamos ver que não tivemos muitas perdas. Porem, se o conjunto do momento negro não atuar, podemos ter bastante perca no Estatuto no Senado, chegou a hora de fazer valer a luta daqueles que tombaram pela liberdade e dignidade do povo negro no Brasil", diz paulo Axé, um dos coordenadores da rede.

Alerta: O Conselho Nacional de Promoção da Igualdade Racial em sua ultima reunião instituiu o dia 09 de outubro de 2009 o Dia Nacional de Mobilização em defesa do Estatuto" ou seja, "IGUALDADE RACIAL PRECISA SER LEI" - SIM AO ESTATUTO!!!!
A rede estará em contato para outras orientações de ação.

domingo, 16 de agosto de 2009

Negras têm salário menor e menos acesso ao trabalho


A discriminação com a mulher negra no mercado de trabalho é visível quando se analisam dados como o salário e o número de vagas ocupadas por elas. O salário médio da mulher negra com emprego formal, por exemplo, é menos da metade do que o salário de um homem branco. De acordo com a Relação Anual de Informação Social (Rais), do Ministério do Trabalho, a mulher negra ganha, em média, R$ 790 e o salário do homem branco chega a R$ 1.671,00 – mais que o dobro.

No número de empregos, a discriminação também é estampada pelos números. São 498.521 empregos formais de mulheres negras contra 7,6 milhões de mulheres brancas e 11,9 milhões de homens brancos.

A situação dessas mulheres foi um dos temas do 1º Seminário Nacional de Empoderamento das Mulheres Negras, que termina neste sábado, dia 15, em Brasília.

Segundo a presidente da Federação Nacional dos Trabalhadores Domésticos, Creuza Maria Oliveira, que participa do evento, essas trabalhadoras estão em situação ainda pior porque, apesar de terem emprego, não conseguem fazer cumprir as poucas leis que as protegem. “Como o ambiente em que elas trabalham é privado, não há como ter fiscalização para verificar as condições do local e como trabalham”, explica.

Esses direitos começam a ser desrespeitados, segundo ela, no primeiro momento, quando os patrões têm que assinar a carteira. “A carteira assinada foi a primeira conquista que nós alcançamos, há 36 anos. No Brasil, há mais de 8 milhões de trabalhadoras domésticas, mas apenas 2 milhões tem carteira assinada. Mesmo assim, há empregadores que assinam mas não que contribuem com a Previdência”, diz Creuza. A violência sexual e o assédio moral são outras das violações que se seguem segundo ela.

A falta de espaço para as mulheres negras na vida política também foi tema do seminário. Para a reitora do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Bahia, Aurina Oliveira Santana, a capacidade de ter o poder de decisão da mulher negra na sociedade passa por duas questões. “A primeira delas é a formação política. Precisamos que as mulheres marquem presença nos seus partidos sim. E precisamos afirmar nossos espaços”, defende.

Para isso, na opinião de Aurina, é preciso oferecer mais formação às negras. “A formação é a base para que essas mulheres possam se empregar e o resgatar sua auto estima. Precisamos ter uma elevação de escolaridade”, conclui.

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Quilombolas discutem regularização de terras com MPF



Nesta sexta-feira, 14, quilombolas de cinco comunidades do Estado do Tocantins farão uma reunião com o procurador chefe do Ministério Público Federal (MPF), Álvaro Manzano, às 14 horas, para debaterem a regularização dos territórios, as invasões de fazendeiros e a política do Instituto de Terras do Tocantins (Itertins) de regularização fundiária dos quilombos.

Participaram do encontro os moradores da Barra da Aroeira, localizado em Santa Tereza; Mumbuca, em Mateiros; Lagoa da Pedra, em Arraias; Córrego da Pedra e Malhadinho, ambos situados em Brejinho de Nazaré.

A reunião é uma atividade da II Escola de Formação em Educação e Direito Ambiental, que na quinta-feira, 13, realizou um debate com os quilombolas sobre reordenamento territorial e regularização dos territórios quilombolas. A proposta da discussão com o MPF é que tenha um formato de audiência pública e estudo de caso da situação de regularização das terras das Comunidades Quilombolas no Tocantins e a contribuição dessas comunidades na preservação do meio ambiente.

sábado, 1 de agosto de 2009

STF nega liminar contra cotas raciais na UNB




O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Gilmar Mendes, negou na noite desta sexta-feira, dia 31, o pedido de liminar ajuizado pelo partido Democratas (DEM) para suspender a adoção pela Universidade de Brasília (UnB) de cotas para admissão de vestibulandos negros."Embora a importância dos temas em debate mereça a apreciação célere desta Suprema Corte, neste momento não há urgência a justificar a concessão da medida liminar", afirmou Mendes.

O caso ainda será julgado no mérito pelo plenário da Corte, mas até lá os procedimentos de matrícula na universidade poderão seguir normalmente."A interposição da presente arguição ocorreu após a divulgação do resultado final do vestibular 2/2009, quando já encerrados os trabalhos da comissão avaliadora do sistema de cotas. Assim, por ora, não vislumbro qualquer razão para a medida cautelar de suspensão do registro (matrícula) dos alunos que foram aprovados no último vestibular da UnB ou para qualquer interferência no andamento dos trabalhos na universidade."

Na ação ajuizada no último dia 21, os advogados do DEM alegavam que o sistema de cotas raciais da UnB viola diversos preceitos fundamentais fixados pela Constituição de 1988, como a dignidade da pessoa humana, o preconceito de cor e a discriminação, supostamente afetando o próprio combate ao racismo.Entretanto, os pareceres encaminhados ao STF pela Procuradoria Geral da República (PGR) e pela Advocacia Geral da União (AGU) foram contrários à ação.

O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, ressaltou que a própria Constituição Federal consagrou expressamente as políticas de ação afirmativa “em favor de segmentos sociais em situação de maior vulnerabilidade”. Gurgel citou em seu parecer que 35 instituições públicas de ensino superior no Brasil adotam políticas de ação afirmativa para negros, das quais 32 prevêem mecanismo de cotas e outras três adotam sistema de pontuação adicional para negros.

Segundo o procurador-geral, a eventual concessão do pedido do DEM pelo STF “atingiria um amplo universo de estudantes negros, em sua maioria carentes, privando-os do acesso à universidade”. O parecer enviado pela AGU defendeu a política de cotas como uma obrigação do Estado brasileiro, respaldada na Constituição e fundamental para a redução das desigualdades no país.

(Os democratas na luta incessante em perseguir o povo negro!)

quinta-feira, 30 de julho de 2009

MULHERES NEGRAS DA PARAÍBA LANÇAM HOJE CAMPANHA DE VALORIZAÇÃO



Maria José Cotrim

Ao som de Cátia França e outros grupos culturais, na Paraíba a Organização das mulheres negras lança nesta quinta a Campanha de Promoção da Identidade Negra. Esse tema é importante para o autoconhecimento e autoestima do nosso povo negro. O que muitas vezes é confundido com a adesão dos padrões de beleza da moda.

A questão da identidade (e tenho livre trânsito para falar do assunto porque em meu trabalho de conclusão de curso minha análise foi sobre a formação da identidade negra em Palmas) é muito distorcida.Para de fato construir a identidade é preciso um processo de autofirmação como sujeito étnico. Interessante a preocupação das companheiras do Paraíba...a mulher negra tem sim uma identidade a ser construída e preservada.

Mas isso não impede que cada uma tenha liberdade para escolher o que vai vestir, se alisa o cabelo ou não.Identidade e preferência andam lado a lado e não devem ser confundidos.Esse movimento tem que agir na Consciência, e trabalhar bem os conceitos e fundamentos na formação da identidade e as crianças não podem ser esquecidas nesse processo.A abordagem da mídia muitas vezes confunde esse processo. Parabéns pela iniciativa e pelo convite especial que me encaminharam!

terça-feira, 28 de julho de 2009

Mídia, esporte e solidariedade: a mistura que deu certo!



Maria JOsé Cotrim

No domingo passado os milhões de televisores do Brasil estavam com certeza ligados no Esporte Espetacular. Durante doze minutos podemos ver a miséria e superação do povo africano do Haiti. A falta de água, as condições sub-humanas de sobrevivência... As gangs, responsáveis pelo alto índice de mortalidade no país, ao invés de armas seguravam uma bola.... Juntos, superaram as diferenças grupais e viram no futebol uma nova perspectiva de vida.

Bem me lembro quando o repórter, que ao invés de fazer uma passagem fez sete, mostrou a emoção daquele povo quando jogadores brasileiros visitaram o país e levaram alimentos. Zagalo não pôde falar muito, as lágrimas não deixaram. O sofrimento do povo africano passando no horário nobre com certeza fez com que muitos pensassem nas diferenças e desigualdades sociais.

Mas o pior estava por vim quando o repórter mostrou o alimento que vem matando a fome de muitas famílias inclusive crianças. BOLO DE TERRA!. Feito com terra vermelha, água e manteiga os biscoitos na falta do alimento consistente é o que ameniza a situação. A situação nos convida a repensar não só como temos nos alimentado ultimamente, mas também quanto o nosso povo africano sofre com o descaso da autoridades e ausência de políticas públicas e assistencialismo.

Quando a assistente social mostrou a estratégia de sobrevivência quis desligar ou mudar o canal. Os filhos mais fracos são deixados para morrer para que o pouco alimento disponível seja distribuído para os que têm mais chances de sobreviver. Essa é a realidade! A reportagem mostrou ainda várias senhoras que desesperadamente apelavam por um prato de comida. “Só quero puder comer, antes de morrer!”.

Enquanto tantas outras questões sociais afligem nosso país, os irmãos africanos querem apenas comida. No final, um show de jornalismo social e comunitário.Ao invés do bolo de terra, uma pequena criança recebeu um chocolate. “Agora ela vai se lambuzar com chocolate”, terminou o repórter. Quando a mídia quer, ela faz, ela vai atrás, nos lugares mais longíquos, trazer a notícia, a informação... denunciar! Dar a contribuição para um mundo mais justo.

Saindo deste discurso melódico...temos uma função maior do que explorar o sentimento alheio para ganhar ibope.Quando me perguntaram num tom de crítica a um tempo atrás o que jornalista faz lhe disse : Levamos a informação. Tenho orgulho de ser jornalista e lutarei sempre para que nossos veículos abordem com responsabilidade as questões sociais, pois assim podemos estimular a mudança.